Química

Energia – Energia cara e sustentabilidade estimulam projetos de cogeração e de aumento de eficiência

Marcelo Fairbanks
18 de setembro de 2010
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    Química e Derivados, Paulo Pedrosa, Presidente-executivo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres(Abrace), Energia - Energia cara e sustentabilidade estimulam projetos de cogeração e de aumento de eficiência

    Pedrosa: falta transparência e flexibilidade nesse mercado

    Pedrosa também adverte para evitar a armadilha resumida na frase: “A energia mais cara é que não está disponível.” “Talvez essa ideia funcionasse no tempo do mercado fechado, hoje não mais”, avaliou. O alto preço da energia se reflete no aumento das importações de produtos com alto conteúdo energético.

    O presidente da Abrace também critica a mentalidade de oferecer energia adicional ao preço da energia no exterior. “É uma visão pobre, pois temos a energia mais limpa do planeta, obtida por hidrelétricas, temos biomassa abundante e amplas possibilidades nas demais alternativas, portanto temos de contar com preços mais baixos que os do exterior”, defendeu.

    Um exemplo do aproveitamento de biomassa pode ser encontrado na fábrica de pigmentos de óxido de ferro da Lanxess, em Porto Feliz-SP. Mediante investimento de oito milhões de euros, iniciado em 2007 e concluído em 2010, a empresa passou a queimar 140 mil t/ano de bagaço de cana-de-açúcar em uma caldeira de alta pressão, produzindo vapor suficiente para acionar uma turbina e gerar 4,5 MWh de eletricidade. Depois disso, o vapor é usado nos processos dos pigmentos. Segundo a Lanxess, com o bagaço, a empresa reduziu suas emissões de carbono em 44 mil t/ano, qualificando-a a receber créditos no escopo do Protocolo de Kyoto, pela eliminação do consumo de óleo combustível. A geração elétrica supera em 20% as necessidades atuais da empresa, mas ela não pretende comercializar o excedente, opção que prenuncia futuros investimentos na fábrica. A Lanxess também admite ter escolhido o bagaço pela ampla disponibilidade desse resíduo na região, contando com diversos fornecedores e baixo custo logístico. Durante a safra (de abril a novembro), são formados estoques suficientes para alimentar a caldeira nos meses seguintes, sem interrupção.

    Química e Derivados, Monica Souza, Engenheira e consultora especializada em energia da Andrade & Canellas, Energia - Energia cara e sustentabilidade estimulam projetos de cogeração e de aumento de eficiência

    Monica: sem preço diferenciado, indústria química fica sem gás

    Estratégia energética – A disponibilidade de gás natural no litoral paulista deve crescer a partir do próximo ano, com a operação dos campos de Merluza, Mexilhão e do BS-500, que ofertarão cerca de 30 milhões de metros cúbicos diários (a 9.400 kcal/m³) adicionais ao suprimento de gás do estado. Essa quantidade permitiria dispensar a importação de gás de outros estados e restringir a 11,5 milhões de m³/dia o uso paulista da oferta boliviana, permitindo e expansão do consumo em outros estados.

    Um quadro tão animador não poderia ficar isento de alguns senões. “O uso do gás natural como insumo para a indústria química, petroquímica e de fertilizantes é o que mais agrega valor a ele”, considerou a engenheira e consultora especializada em energia Monica Souza, da Andrade & Canellas. A empresa de consultoria está elaborando um projeto para a nova matriz energética do estado de São Paulo, dentro do escopo da Comissão Especial de Petróleo e Gás Natural do estado (Cespeg).

    Pelo critério de agregação de valor e também pelo alto volume que poderia ser consumido, essa atividade industrial seria fundamental para dar viabilidade econômica para tamanho volume de gás a ser oferecido ao mercado. “Porém, falta uma política diferenciada de preços para apoiar o consumo industrial desse gás”, criticou Monica. Aliás, esse é um pleito antigo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

    O uso do gás para geração termelétrica, um grande consumo potencial, tem limites, especialmente na região metropolitana de São Paulo. “As termelétricas consomem muita água e aumentam as emissões de gás carbônico para a atmosfera, em uma região já saturada”, explicou.

    Química e Derivados, Energia - Energia cara e sustentabilidade estimulam projetos de cogeração e de aumento de eficiência

    Fonte: Relatório da Comissão Especial de Petróleo e Gás Natural do Estado de São Paulo(Cespeg)

    Mesmo no interior do estado, a aceitação do gás em termelétricas seria limitada a algumas regiões. Na maior parte delas, a preferência do mercado é clara pela queima de biomassa, ou canavieira ou de resíduos florestais. A consultora observa que seria possível combinar a queima de bagaço de cana durante a safra com a queima de gás na entressafra, mantendo a geração de eletricidade constante durante o ano. “O bagaço já tem uma estrutura de comercialização montada e não está valendo a pena para as usinas investir na queima do gás”, afirmou. A eletricidade obtida do bagaço é comercializada em leilões de energia de reserva, alcançando preços interessantes. Há casos de venda direta para interessados. “No fim das contas, o valor da energia flutua menos que o do álcool e o do açúcar”, salientou.

    A alternativa mais viável para o setor industrial está na cogeração de eletricidade e vapor. São unidades menores que as termelétricas, mais fáceis de obter aprovação ambiental, principalmente se resultarem na redução no consumo de óleos combustíveis. Monica explica que a cogeração tem geralmente dois grandes motivadores. O primeiro é a falta de confiabilidade do fornecedor de eletricidade, caso, por exemplo, da Light do Rio de Janeiro. O segundo ganha destaque quando a empresa apresenta um equilíbrio entre o consumo de vapor e o de eletricidade.

    Historicamente, como o custo de geração elétrica era baixo, não se pensava em cogeração, operação cujo cálculo de custo pode ser complexo. A consultoria também produz estudos de geração, cogeração e autoprodução de eletricidade, até mesmo com combustíveis alternativos, a exemplo de gases residuais de processo. “A antiga Petroquímica União chegou a contar com um projeto interessante de cogeração usando gases residuais com metade do poder calorífico do gás natural, mas o projeto não andou porque não houve acordo sobre o preço desses resíduos”, comentou.



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