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Encontro: Região sul mostra esforço de pesquisa

Fernando C. de Castro
14 de novembro de 2002
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    “Os alunos têm duas aulas (oito períodos) para tratar o resíduo escolhido. A disciplina encerra com um novo seminário, onde cada grupo apresenta o resultado do seu tratamento e o levantamento de custos, além da entrega de um relatório escrito”, assinala Tatiana. Nesse seminário, acrescenta ela, são discutidos os resultados positivos e negativos dos trabalhos efetuados, tentando-se justificar as eventuais falhas e sugerindo-se novas estratégias para tratamento dos resíduos em semestres posteriores. “As ações tomadas resultaram numa diminuição dos resíduos gerados na disciplina e na conscientização dos estudantes quanto ao seu papel enquanto químicos”, finaliza Tatiana Santos.

    Química e Derivados: Encontro: Siqueira - divulgação do Atuação Responsável.

    Siqueira – divulgação do Atuação Responsável.

    Atuação responsável – O sinal de alerta sobre as exigências e necessidades da indústria química, a partir da difusão de novas legislações ambientais, do cerco da fiscalização e da pressão internacional, partiu do engenheiro químico José Carlos Nunes Siqueira, da Du Pont, já na abertura do X Encontro de Química da Região Sul. O técnico da gigante do náilon fez um balanço histórico da evolução da indústria química mundial. Lembrou que a explosão produtiva do setor tem como origem o pós-guerra. “Muitas tecnologias que foram aplicadas na indústria bélica entraram em linha de produção em larga escala e chegaram ao conjunto da humanidade trazendo conforto e melhoria da qualidade de vida”, reforçou Siqueira. Surgem a partir daí, continuou, os grandes complexos químicos e petroquímicos. “Só que o tempo trouxe os questionamentos sobre o impacto da produção industrial sobre as fontes renováveis, a natureza como um todo e ao homem em particular”.

    De acordo com Siqueira foi com a 1ª Conferência Mundial sobre Meio Ambiente, de 1982, que a associação entre poluição e desenvolvimento tomou contornos definitivos e demonstrou que a indústria química em larga escala havia cometido um grande equívoco, ao se preocupar apenas com a relação processo e produto, sem levar em conta o impacto nas gerações futuras. O técnico da Du Pont advertiu que não existe saída paras as empresas. Devem enquadra-se no sentido de atender as normas ambientais, reduzir emissões e quando possível eliminá-las. Ele explicou que foi a Associação Canadense da Indústria Química quem estabeleceu os critérios mais rígidos sobre a atuação do segmento, criando mecanismos de auto-regulamentação rigorosos e exigindo a adoção da gestão ambiental por parte de seus integrantes. Essa política, finalizou, foi copiada posteriormente nos EUA e já está incorporada aos padrões éticos da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

    No entender de Siqueira, qualquer empresa pode resolver plenamente seu problema com passivo ambiental, bastando para isto, vontade política.

    Com relação ao náilon, também dos laboratórios universitários, chega uma novidade. Pesquisadores estão conseguindo substituir o ácido nítrico – um dos vilões da destruição da camada de ozônio – pela água oxigenada como agente oxidante na obtenção do ácido adípico, intermediário na produção do náilon 6.6, cuja produção mundial é de cerca de 2,2 milhões de toneladas/ano. “Estes processos industriais são responsáveis pelo lançamento na atmosfera de 5 a 8% de todo N2O antropogênico, considerado um dos principais contribuintes para o efeito estufa e pela destruição da camada de ozônio”, afirma o professor da Universidade de Pelotas, Eder João Lenardão. Segundo ele, em testes com água oxigenada, os pesquisadores empregaram condições de catálise de transferência de fase (CTF). A água oxigenada em estado aquoso como agente oxidante, eliminou a necessidade de ácido nítrico no processo, como garantiu Lenardão. Boas notícias sopram dos laboratórios do sul.



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