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Encontro: Região sul mostra esforço de pesquisa

Fernando C. de Castro
14 de novembro de 2002
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    Conforme o resultado da análise, a utilização do barro branco como material adsorvente do azul de metileno apresentou os seguintes resultados: a massa (mg) de corante adsorvida por g de adsorvente e Ce (concentração de equilíbrio (mg/L)) demonstraram que o tempo necessário para atingir o equilíbrio adsorção/dessorção é de aproximadamente 74 h. Esse valor foi encontrado extrapolando a curva da concentração inicial de 110 mg/L e equivale a Ce de 14 mg/L na isoterma de adsorção. A quantidade máxima de corante adsorvida foi de aproximadamente 5,5 mg por grama de adsorvente. Isoterma para adsorção do azul de metileno na faixa de concentração inicial de 10 a 150mg/L utilizando o barro branco como adsorvente. “O produto poderá substituir o carvão ativo dos filtros que são muito caros”, adiantou Policiano.

    Química Limpa – Intitulado “Química e Indústria: conhecimento e qualidade de vida”, o espírito do 10° Encontro de Química da Região Sul foi aprofundar o debate sobre os controles de processo e o embate com o passivo ambiental. O professor Nito Debacher, coordenador de Gestão Ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) explicou que a natureza dos encontros da região sul é justamente difundir a filosofia da chamada “nova química”, preocupada em conciliar produção industrial com a preservação ambiental.

    “O objetivo desse conceito é criar um novo profissional capaz de produzir uma reação sem provocar resíduos ou reduzindo os rejeitos ao máximo”, afirmou. Para Debacher, o mercado de trabalho para os profissionais formados nas diversas modalidades de cursos de química é promissor, justamente porque as empresas já não podem mais criar um processo produtivo sem com isso realizar todos os procedimentos para a criação de alternativas para o impacto ambiental.

    PhD em gerenciamento ambiental e tratamento de resíduos, Debacher é o responsável pela destinação de todos os rejeitos produzidos no campus da Universidade Federal de Santa Catarina e responde pelo cargo de coordenador geral de gestão ambiental. Ele garante que os novos profissionais de laboratório, formados nos cursos de Engenharia Química, Farmácia, Biologia, Veterinária e Medicina daquela instituição, são devidamente orientados a desenvolverem técnicas cada vez mais eficazes na eliminação de seus resíduos e subprodutos dentro das salas de laboratórios. Ele coordena seis alunos de mestrado e doutorado no desenvolvimento de tecnologias de tratamento e redução para impactos ambientais. “Qualquer laboratório produz alguma sujeira. Num ambiente de estudos em biologia celular, os reagentes são químicos”, lembra. No caso da UFSC, existe uma resolução exigindo que os laboratórios produzam impacto ambiental zero. Diante disso, a equipe de Debacher desenvolveu uma série de procedimentos para cumprir a determinação. No final das contas, o rejeito que não pode ser eliminado no ambiente acadêmico é entregue a uma empresa privada que surgiu em Florianópolis com a finalidade de descartar corretamente qualquer tipo de resíduo industrial. Além disso, por força das normas rígidas, a UFSC avança a passos largos em tecnologias de ponta, como o sistema de redução de materiais por forno a plasma. Um reator realiza a queima química, tendo o argônio ionizado como reagente a 10 mil graus celsius, em que a matéria é destruída por meio de uma carga violenta de elétrons, produzida na reação.

    O rigor adotado pela UFSC no tratamento de resíduos é fácil de ser explicado. A capital de Santa Catarina, por estar cercada de áreas de preservação permanente, com milhares de hectares da Mata Atlântica e oceano, praticamente não tem indústrias de transformação. No entanto, existem dezenas de laboratórios de análises clínicas, de fotografia e de radiografia. Diante disso, a administração local foi obrigada a conceber uma série de procedimentos com objetivo de proteger as reservas naturais da região. Uma delas foi justamente incentivar a pesquisa universitária e a abertura de uma empresa privada capacitada para destruir resíduos ou acomodá-los em aterros herméticos, capazes de impedir a infiltração dos materiais no lençol freático e a conseqüente contaminação dos manguezais, galerias e veios subterrâneos.

    Outra experiência apresentada em Joinville tem mais de 20 anos. É a disciplina de Química Inorgânica em Recuperação de Resíduos, iniciativa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS): diretamente relacionada com o projeto “O Ensino e a Química Limpa”, onde os conceitos de redução, reutilização e reciclagem e o pré-tratamento dos resíduos são levados a sério.

    Atualmente trabalham no projeto, dez alunos por turma. Nesta disciplina desenvolvem-se estudos teóricos e práticos relativos aos elementos e às propriedades de seus principais compostos, além do tratamento de resíduos e rejeitos, visando reduzir a quantidade e a toxicidade dos resíduos formados.

    Um exemplo é o dessecante óxido de bário substituído por sulfato de sódio, sem nenhum prejuízo dos experimentos. A análise coordenada pela química Tatiana Santos mostra que a síntese do alúmen KCr(SO4)2.12H2O foi substituída pelo KAl(SO4)2.12H2O, sem nenhum problema. Em todas as aulas práticas, os resíduos passaram a ser segregados, sendo alguns inertizados pelos próprios alunos e descartados na pia, quando possível. As aulas práticas de recuperação de resíduos foram modificadas.



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