Indústria Química

Basf – Vendas crescem e estimulam a investir

Marcelo Fairbanks
4 de maio de 2001
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    O ponto mais vulnerável é a fábrica de tintas e corantes da Basf em São Bernardo do Campo-SP. “Contamos com uma fábrica de tintas em Sapucaia do Sul-RS que apresenta ociosidade de 30% a 40%, podendo, se necessário, absorver parte da produção de São Bernardo, permitindo economia de eletricidade”, comentou Rui Arthur Goerck, vice-presidente de tintas e vernizes da Basf na América do Sul, empossado no dia 1º de janeiro. A companhia é líder nos mercados decorativo e automobilístico, e espera que a demanda se mantenha crescente durante o ano, embora os custos com alguns produtos, sobretudo importados, tenham crescido. “As montadoras confirmaram seus pedidos do início do ano”, disse Goerck.

    Para reforçar sua atuação, a Basf fez importantes aquisições mundiais na área de pintura industrial, entre as quais os produtos para coil coating da Morton e da Rohm and Haas, além de uma joint venture com companhia japonesa para tintas para motocicletas. “Temos capacidade instalada para ampliar a produção, basta trazer as fórmulas dessas companhias”, comentou.

    Química e Derivados: Empresa: Wisdom - compra da Cyanamid impulsionou agroquímicos.

    Wisdom – compra da Cyanamid impulsionou agroquímicos.

    Inovação – A Basf prevê que 40% de todos os negócios da indústria química mundial em 2002 serão feitos por meios eletrônicos, com ênfase para sistemas dedicados fornecedor-cliente. “A Basf é líder européia em e-commerce, com 8% de suas vendas feita eletronicamente”, disse Mertens. Além de atuar com sistema próprio, contando com SAP R/3 (em final de implantação no Brasil), a empresa internacional participa de megaportais como ChemConnect (bolsa de produtos), CC-Chemplorer (para materiais desvinculados da produção), Omnexus (para vendas de plásticos) e Elemica, marketplace criado pelas empresas químicas, como DuPont, Dow, Basf e outras. No Brasil a empresa atua com projetos sistema a sistema com clientes de grande porte, permitindo acompanhamento de todas as operações a qualquer hora e local. “Queremos oferecer mais flexibilidade e melhor atendimento, mais ágil e personalizado, aos nossos clientes”, comentou. Essa iniciativa não deve redundar em redução de preço de produtos, mas de custos operacionais, além de melhorar a gestão de estoques. “Para a América do Sul, queremos chegar a 25% dos negócios via e-commerce até 2002”, disse Mertens.

    Outra fonte de inovação é a área de biotecnologia, campo reforçado a partir da aquisição da Cyanamid. “Buscamos oportunidades para consolidar negócios nesse campo”, afirmou William Wisdom, vice-presidente para área agro da América do Latina. Em 2001, a companhia lançou três produtos agroquímicos na região, sendo dois fungicidas para trigo e um acaricida para citrus. Estão previstos quatro lançamentos para cana-de-açúcar, hortizicultura e milho ainda neste ano, ampliando a participação de mercado. Segundo Wisdom, existe um alto grau de desconfiança por parte da população mundial quanto aos esforços empreendidos na produção de alimentos geneticamente modificados. Em parte, ele atribui essa atitude como reação aos trabalhos pioneiros, empreendidos pela concorrente Monsanto, que teria adotado linha de trabalho um pouco arrogante.

    “Eles tentaram vender a idéia que a evolução biotecnológica era inevitável e que os consumidores precisavam confiar na indústria e aceitar passivamente o progresso”, comentou. Essa forma de lidar com a opinião pública não mais persiste e, agora, é preciso reverter o quadro com base em aspectos científicos e absoluta transparência com o mercado. “Uma vez tranqüilizado quanto à segurança dos produtos e quanto aos benefícios que podem ser obtidos, como o enriquecimento nutricional dos grãos, o consumidor vai adotá-los”, afirmou. “Não é só uma questão de ampliar a demanda de determinados defensivos agrícolas.”



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