Basf : Vendas crescem e estimulam a investir

Os resultados do grupo Basf na América do Sul, obtidos em 2000 e nos primeiros meses deste ano, demonstram crescimento de vendas, fruto de investimentos em novas unidades e na aquisição de negócios.

As vendas na região somaram 2.365 milhões de euros, no ano passado, dos quais 1.600 milhões foram obtidos no Brasil.

De janeiro a abril deste ano, o faturamento acumulado chegou a 636,7 milhões e 414,8 milhões de euros, respectivamente.

Esses números revelam incremento de vendas de 10% na região e 17% no País.

A diretoria do grupo Basf explica o bom resultado pela incorporação dos negócios da American Cyanamid, adquirida em julho passado por US$ 3,8 bilhões – o maior investimento do grupo alemão em âmbito mundial –, que permitiu incrementar o negócio de agroquímicos da companhia, tornando-o o terceiro maior do Planeta.

Também a área de corantes e tintas apresentou crescimento significativo, contribuindo para a evolução dos indicadores.

Os resultados animadores chegam em boa hora para a Basf brasileira, que comemora 90 anos do início de suas atividades no País, além do quadragésimo aniversário da marca Suvinil, líder no mercado nacional de tintas decorativas.

Coroando as efemérides, a Basf confirmou plano de investimentos da ordem de US$ 500 milhões, para o período de 2000 a 2004.

O principal projeto da companhia no Brasil é a instalação da cadeia acrílica, no Vale do Paraíba, em São Paulo, em parceria com a Petrobrás que lhe fornecerá propeno.

A partir de 2004, a Basf deverá iniciar a produção de ácido acrílico cru e glacial, além de polímeros superabsorventes (SAP), consumindo o total de 300 milhões de euros. Já no final de 2001, fica pronta a fábrica de 50 mil t/ano de acrilato de butila, que consumirá ácido acrílico importado até 2004.

O produto é fundamental para a produção de dispersões acrílicas para tintas, revestimentos e adesivos, e receberá investimento de 15 milhões de euros.

Seguindo a jusante, em 2002, a Basf vai ampliar em 140 mil t/ano sua unidade de dispersões para tintas em Guaratinguetá-SP, alocando mais 40 milhões de euros.

Fora a linha acrílica, o maior investimento da companhia está nos estirênicos, a começar pela partida da nova unidade de poliestireno de alto impacto (110 mil t/ano) e modernização/expansão da unidade antiga, convertida para poliestireno cristal (80 mil t/ano), frutos de investimento de 30 milhões de euros. Ambas ficam em São José dos Campos-SP.

Nessa área, a Basf promove em parceria com a Dow o estudo de viabilidade econômica para construir fábrica de grande porte de monômero de estireno no Brasil, em local a ser definido com base nesses dados.

Química e Derivados: Empresa: Acker - projetos de acrílicos e estirênicos baixam importação.
Acker – projetos de acrílicos e estirênicos baixam importação.

“É preciso considerar a situação dos mercados doméstico e internacional, além das condições de oferta de benzeno e eteno, conjugadas a possíveis sinergias com as instalações dos empreendedores”, explicou o presidente da Basf para a América do Sul, Rolf-Dieter Acker.

Ele negou qualquer interesse em participar do controle de pólo petroquímico no Brasil, que poderia tornar mais fácil a obtenção de insumos primários.

Essas duas linhas de investimentos estão sendo realizadas nos produtos mais importados pela companhia, que contribuem sobremaneira para o déficit comercial de US$ 140 milhões, verificado na média dos últimos anos.

“Esses projetos, no longo prazo, ajudarão a equilibrar nossas exportações e importações”, comentou Acker.

O presidente da companhia na região espera conseguir faturamento crescente, neste ano, superior ao previsto para o PIB, que começou o ano com expectativa de aumentar 4,5%, agora reduzida para 2,5%.

“Nosso desafio é manter a evolução de negócios, apesar das dificuldades de energia e variação cambial que apareceram no caminho”, afirmou.

O vice-presidente de administração e finanças Michel Mertens explicou que as margens de lucro da companhia estão comprimidas desde 1998, situação a ser agravada em 2001. “Isso vai exigir adaptações por parte da companhia”, afirmou.

Nas suas contas, 75% das matérias-primas têm preço dolarizado, incluindo linhas de fornecedores nacionais.

Energia controlada – A Basf brasileira apresenta situação tranqüila em relação à crise de fornecimento de eletricidade por que passa o País. “Entendemos que o governo escolheu o melhor método para conviver com o problema, ou seja, estimular a população e as empresas para cortar voluntariamente o consumo, evitando apagões por área geográfica, muito mais prejudiciais”, comentou Acker.

O presidente salientou ser corriqueira a escassez de energia na Europa, a ponto de a companhia ter desenvolvido boa tecnologia de aproveitamento térmico e co-geração de eletricidade a partir de subprodutos e resíduos industriais. “É um dos focos da nossa política de integração [verbund, em alemão]”, explicou.

A companhia apresenta consumo médio de 10 mil MWh, para uma capacidade de geração de 2,5 mil MWh. “Temos enorme potencial de economia de energia e racionalização de atividades, que nos permitirão obter excedente de 5% de eletricidade”, afirmou o vice-presidente Christiano Burmeister, coordenador da comissão interna que estuda e monitora o consumo de eletricidade na companhia. Segundo informou, há dois sites com excedente de energia e dois com demanda a ser suprida por transferências.

O ponto mais vulnerável é a fábrica de tintas e corantes da Basf em São Bernardo do Campo-SP.

Química e Derivados: Empresa: Goerck - grandes consumidores de tintas confirmaram pedidos.
Goerck – grandes consumidores de tintas confirmaram pedidos.

“Contamos com uma fábrica de tintas em Sapucaia do Sul-RS que apresenta ociosidade de 30% a 40%, podendo, se necessário, absorver parte da produção de São Bernardo, permitindo economia de eletricidade”, comentou Rui Arthur Goerck, vice-presidente de tintas e vernizes da Basf na América do Sul, empossado no dia 1º de janeiro.

A companhia é líder nos mercados decorativo e automobilístico, e espera que a demanda se mantenha crescente durante o ano, embora os custos com alguns produtos, sobretudo importados, tenham crescido. “As montadoras confirmaram seus pedidos do início do ano”, disse Goerck.

Para reforçar sua atuação, a Basf fez importantes aquisições mundiais na área de pintura industrial, entre as quais os produtos para coil coating da Morton e da Rohm and Haas, além de uma joint venture com companhia japonesa para tintas para motocicletas. “Temos capacidade instalada para ampliar a produção, basta trazer as fórmulas dessas companhias”, comentou.

Inovação – A Basf prevê que 40% de todos os negócios da indústria química mundial em 2002 serão feitos por meios eletrônicos, com ênfase para sistemas dedicados fornecedor-cliente.

“A Basf é líder européia em e-commerce, com 8% de suas vendas feita eletronicamente”, disse Mertens. Além de atuar com sistema próprio, contando com SAP R/3 (em final de implantação no Brasil), a empresa internacional participa de megaportais como ChemConnect (bolsa de produtos), CC-Chemplorer (para materiais desvinculados da produção), Omnexus (para vendas de plásticos) e Elemica, marketplace criado pelas empresas químicas, como DuPont, Dow, Basf e outras.

No Brasil a empresa atua com projetos sistema a sistema com clientes de grande porte, permitindo acompanhamento de todas as operações a qualquer hora e local.

“Queremos oferecer mais flexibilidade e melhor atendimento, mais ágil e personalizado, aos nossos clientes”, comentou. Essa iniciativa não deve redundar em redução de preço de produtos, mas de custos operacionais, além de melhorar a gestão de estoques. “Para a América do Sul, queremos chegar a 25% dos negócios via e-commerce até 2002”, disse Mertens.

Outra fonte de inovação é a área de biotecnologia, campo reforçado a partir da aquisição da Cyanamid.

Química e Derivados: Empresa: Wisdom - compra da Cyanamid impulsionou agroquímicos.
Wisdom – compra da Cyanamid impulsionou agroquímicos.

“Buscamos oportunidades para consolidar negócios nesse campo”, afirmou William Wisdom, vice-presidente para área agro da América do Latina.

Em 2001, a companhia lançou três produtos agroquímicos na região, sendo dois fungicidas para trigo e um acaricida para citrus.

Estão previstos quatro lançamentos para cana-de-açúcar, hortizicultura e milho ainda neste ano, ampliando a participação de mercado. Segundo Wisdom, existe um alto grau de desconfiança por parte da população mundial quanto aos esforços empreendidos na produção de alimentos geneticamente modificados.

Em parte, ele atribui essa atitude como reação aos trabalhos pioneiros, empreendidos pela concorrente Monsanto, que teria adotado linha de trabalho um pouco arrogante.

“Eles tentaram vender a idéia que a evolução biotecnológica era inevitável e que os consumidores precisavam confiar na indústria e aceitar passivamente o progresso”, comentou. Essa forma de lidar com a opinião pública não mais persiste e, agora, é preciso reverter o quadro com base em aspectos científicos e absoluta transparência com o mercado.

“Uma vez tranqüilizado quanto à segurança dos produtos e quanto aos benefícios que podem ser obtidos, como o enriquecimento nutricional dos grãos, o consumidor vai adotá-los”, afirmou. “Não é só uma questão de ampliar a demanda de determinados defensivos agrícolas.”

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios