Bayer – Custo da reestruturação trouxe prejuízo à Bayer.

A Bayer teve prejuízo de 1,4 bilhão de euros no balanço consolidado de 2003, ante um lucro de 1,1 bi registrado no ano anterior.

Mesmo assim, de acordo com o presidente da filial brasileira, Armin Burmeister, há vários resultados a comemorar: o resultado operacional antes de itens extraordinários (Ebit) cresceu 67%, para 1,4 bilhão de euros, e o faturamento global, em moeda local, aumentou 5%.

O grupo Bayer registrou queda de 3,6% nas vendas em 2003, atingindo 28,6 bilhões de euros.

Provisões e ajustes de 1,9 bilhão de euros (ligados ao processo de realinhamento estratégico do portfólio), fora outros 500 milhões de euros gastos com depreciações não planejadas e reestruturações, contribuíram decisivamente para o resultado negativo de 2003.

Segundo Marcos Lacerda, presidente da Lanxess, a mais recente empresa do grupo e resultado da união de seus negócios em especialidades químicas, as provisões não têm ligação com o Lipobay, remédio para controle de colesterol acusado de causar efeitos colaterais graves.

Química e Derivados: Empresa: Burmeister - Levitra levantou também o lucro no Brasil. ©QD Foto - Cuca Jorge
Burmeister – Levitra levantou também o lucro no Brasil.

A Bayer tem ganho ações referentes ao remédio em todo o mundo, mas principalmente nos EUA, onde elas se concentram.

“As decisões em primeira instância têm sido favoráveis à empresa, mesmo nos estados norte-americanos em que esse tipo de causa historicamente é dada como perdida”, afirmou Lacerda.

As vitórias, no entanto, não convenceram a empresa a voltar a vender o Lipobay.

No Brasil, os números da Bayer ficaram no azul.

A operação brasileira registrou lucro líquido consolidado de R$ 175 milhões, após o prejuízo de 280 milhões em 2002, e pela primeira vez o faturamento líquido das empresas do grupo no País ultrapassou US$ 1 bilhão, totalizando R$ 3 bilhões, 25% a mais do que o valor obtido em 2002, de R$ 2,4 bilhões.

Denotando a posição estratégica que a Bayer Cropscience tem no Brasil, a divisão foi responsável por faturar R$ 1,9 bilhão, superior a 60% do total.

Em seguida ficaram a Bayer Polymers, com faturamento líquido de R$ 500 milhões; a Bayer HealthCare, com R$ 400 milhões; e a Bayer Chemicals, com R$ 200 milhões.

O resultado positivo no Brasil, como demonstra o lucro líquido, foi fortemente influenciado pelo desempenho do agronegócio.

Segundo Marc Reichardt, presidente da Bayer Cropscience brasileira, as expectativas para a agricultura continuam em alta, principalmente em relação ao desempenho dos segmentos de soja e algodão, mas também em virtude de culturas como o café. Por esses fatores, Reichardt acredita em crescimento de até 20% para as vendas em 2004.

O presidente Burmeister destacou também como fatores do sucesso local o lançamento de produtos (entre eles o Levitra, para o combate da disfunção erétil), a redução de custos e a administração de caixa mais eficiente.

Os investimentos da matriz no Brasil, em 2003, foram de R$ 44 milhões, empregados na expansão das unidades de Belford Roxo-RJ e de Porto Feliz-SP.

Outros R$ 50 milhões já foram aprovados para aportes na produção em 2004.

Houve também no ano passado uma injeção de capital de R$ 375 milhões, destinada a consolidar a política financeira do grupo após a aquisição da antiga Aventis Cropscience, por 7,2 bilhões de euros, e fugir dos altos índices dos juros brasileiros.

Química e Derivados: Empresa: Lacerda - filial brasileira quer ser a 8ª do grupo. ©QD Foto - Cuca Jorge
Lacerda – filial brasileira quer ser a 8ª do grupo.

“Foi uma injeção de capital no País, que é especialmente promissor para a Bayer Cropscience”, disse Lacerda.

A meta da filial brasileira da Bayer, em 2004, é galgar o posto de 8a operação mais importante dentro do grupo. Atualmente, o País está no 10o posto, com faturamento muito próximo ao da operação inglesa.

Caso se confirmem as projeções, o Brasil, passaria à frente do Canadá e Benelux.

NewCo ganhou nome

A nova empresa do grupo Bayer, a Lanxess (que até então vinha sendo chamada de NewCo), é produto da estratégia global de foco nos segmentos de materiais inovadores.

Desse modo, a Bayer Chemicals, à exceção das empresas H. C. Starck e Wolff Walsrode, e um terço dos negócios da Bayer Polymers, foram unidos para formar a nova empresa, separada da Bayer AG.

Estima-se o lançamento em bolsa das ações da Lanxess em janeiro de 2005, em local ainda não definido.

A nova empreitada deve render um faturamento mundial de cerca de 5,8 bilhões de euros.

No Brasil, a Lanxess terá cerca de 450 funcionários, e com base nos resultados da Bayer Chemicals e da fração da Bayer Polymers que integrará a empresa, seu faturamento no País deve rondar a casa dos R$ 300 milhões.

Entre os principais produtos da companhia estarão as borrachas e os plásticos ABS e SAN, da Bayer Polymers, além de toda a linha de produtos da Bayer Chemicals, empregados em processos de setores como o de couro, têxtil, adesivos, tratamento de água, entre outros. O início da operação da Lanxess deve ocorrer ainda em junho deste ano.

Em 2004, a Bayer espera manter o bom momento no mercado nacional e crescer pouco mais que o PIB brasileiro. O negócio Cropscience, entretanto, deve apresentar desempenho mais forte, impulsionado pela agricultura, e há boas expectativas também para a Bayer HealthCare.

O desempenho do negócio farmacêutico da empresa, aliás, foi exceção no Brasil.

Embora o segmento tenha patinado em 2003, o ano foi excelente para a Bayer, segundo Sérgio Oliveira, vice-presidente da Bayer HealthCare.

Segundo ele, o crescimento foi alavancado pelo lançamento do Levitra e do reposicionamento de outros produtos.

O segmento de combate à disfunção erétil cresceu quase 50% entre 2002 e 2003.

Química e Derivados: Empresa: Oliveira - vacinas contra aftosa lideram crescimento local. ©QD Foto - Cuca Jorge
Oliveira – vacinas contra aftosa lideram crescimento local.

A Bayer definiu como prioridades do negócio HealthCare global as áreas de consumo, selftesting e saúde animal.

A companhia deve ser mantida no mercado como uma empresa de médio porte, e seu foco está sendo reestruturado principalmente para os mercados da Europa e Estados Unidos, com a reavaliação do portfólio.

No Brasil, em 2003, a vedete da Bayer HealthCare foi o segmento de saúde animal, com crescimento superior a 25%, principalmente em razão das 150 milhões de doses de vacinas para a febre aftosa vendidas sem nenhuma rejeição, um recorde da empresa.

Em saúde humana, as apostas da empresa deverão se concentrar no segmento de OTC (remédios vendidos sem prescrição médica).

Segundo Oliveira, dos R$ 50 milhões em investimentos já aprovados, R$ 10 milhões serão gastos com ações promocionais de OTCs, sobretudo para promover a venda das imprescindíveis aspirinas.

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