Química

Emissões industriais caem, mas problemas persistem

Marcelo Furtado
11 de outubro de 2020
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    Melhores práticas – O Prefe foi estabelecido por força do decreto estadual 59.113/2013 que, além de estabelecer novos padrões de qualidade do ar, também determinou que o estado criasse um Plano de Controle de Poluição Veicular (PCPV). Após ser implementado por outro decreto (o 289/2014), o plano para a indústria passou a criar estratégias e ações para sete regiões do estado consideradas prioritárias: São Paulo, Jundiaí, Paulínia, São José dos Campos, Cubatão, Santa Gertrudes e Piracicaba, que englobam 95 municípios ao todo. Além disso, ao longo de sua adoção, a coordenação do plano selecionou cinco empresas da área de refinaria e coque, sete da indústria de vidro, 16 do setor automobilístico, quatro de papel e celulose, 18 de siderurgia e metalurgia, seis de fertilizantes, 37 da química e petroquímica, e 20 consideradas fontes de combustão.

    Um fruto interessante do plano estadual, também uma determinação do decreto 59.113, foi o desenvolvimento de referência técnica para as empresas adotarem a melhor tecnologia prática disponível, a chamada MTPD, para auxiliar os setores produtivos no controle de poluentes. Com isso, a Cetesb lançou em 2017 o guia orientativo para os nove setores abrangidos pelo Prefe.

    No caso das recomendações para o setor químico, a primeira delas é que as empresas tenham um sistema de gestão ambiental, o que ocorre na maioria das indústrias nacionais, signatárias do programa Atuação Responsável, da Abiquim, adotado desde 1991 no país. Aliás, esse envolvimento, segundo o coordenador da comissão técnica de meio ambiente da Abiquim, Mauro Machado Júnior, fez a indústria química nacional avançar bastante no controle das emissões fugitivas, com reduções significativas em todo o país. Segundo ele, pontos de atenção recentes são emissões de NOx e de precursores de ozônio. “A indústria tem, por exemplo, investido em instalação de queimadores low NOx em equipamentos térmicos, controlado de oxigênio na combustão e adotado programas de monitoramento e controle de emissões fugitivas”, declarou.

    A tendência de combater os precursores de ozônio faz parte também das recomendações iniciais do guia MTPD. São sugeridas várias técnicas para o setor químico evitar ou reduzir as emissões difusas de partículas e evaporativas de componentes orgânicos voláteis (COVs) e de hidrocarbonetos líquidos voláteis em etapas de armazenamento, manuseio e transporte de materiais.

    Entre as sugestões de melhor tecnologia, são recomendados tanques especiais, com selagens de alta eficiência e com sistemas de recuperação de vapores. Além disso, a publicação aconselha em inspeções internas dos tanques que os reservatórios sejam esvaziados, limpos e desgaseificados, e que se utilize sistema de drenagem fechada ou selada, com remoção do material coletado por sistema a vácuo.

    Para o controle e minimização das emissões fugitivas, as melhores técnicas são o uso de separadores água-óleo e tanques fechados de recebimentos de águas oleosas e sistemas de exaustão quando necessário para evitar emissões de COVs. Outra recomendação é a de procurar operar e manter sem odor o sistema de tratamento de efluentes líquidos e de águas pluviais contaminadas, o que pode ser obtido por meio de programas de controle e manutenção periódicos dos tanques e lagoas.

    Já para controles de emissão de material particulado, o guia recomenda armazenamento de produtos dentro de edifícios ou silos, em áreas cobertas e com as laterais fechadas para proteção contra o vento, com sistema de exaustão e controle das emissões. Além disso, sugere a transferência por meio de correias transportadoras de forma fechada e providas de sistemas de exaustão e retenção de material particulado nos pontos de transferências. Recomendações semelhantes são feitas para o transporte de produtos, com preferência por designs fechados em equipamentos de descarga.

    Uma terceira recomendação para as indústrias químicas e petroquímicas é se evitar as emissões para a atmosfera provenientes da queima em flare. A Cetesb considera melhor prática usar essa técnica apenas por motivos de segurança ou em condições operacionais que não sejam de rotina, por exemplo em partidas e paradas de unidades produtivas, e mesmo assim apenas seguindo requisitos de monitoramento de vazão, temperatura e concentração de gases, além de criteriosa avaliação da capacidade instalada do flare.

    Dos carros – Pelo lado da poluição de fontes móveis, mais grave por atingir justamente as regiões de população adensada, a preocupação da Cetesb é a de que, mesmo com os programas federais que obrigam veículos e motocicletas a adotarem de forma gradativa tecnologias mais rigorosas de controle de emissões, o aumento da frota e os maiores congestionamentos acabem diminuindo esses avanços. O Programa de Controle de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) e o similar para motos, o Promot, estabelecem limites de emissão de poluentes desde a década de 80 e renovam sempre as exigências.

    Química e Derivados - Aumento da frota de veículos piora a qualidade do ar nas cidades ©QD Foto: iStockPhoto

    Aumento da frota de veículos piora a qualidade do ar nas cidades

    Mesmo com esses receios, a expectativa futura do órgão ambiental é positiva, tendo em vista o uso crescente de combustíveis fósseis mais eficientes e biocombustíveis e os novos limites de emissão mais restritivos para as frotas de veículos novos e pesados a partir de 2022.

    Para controlar o ozônio na região metropolitana de São Paulo, a Cetesb indica a necessidade de mais atenção com os compostos orgânicos voláteis (COVs) e óxidos de nitrogênio (NOx ), precursores principais da formação do poluente, e alerta que novas fases do Proconve vão incluir mais restrições para as emissões de NOx e COVs.

    O agravante da poluição provocada pelos processos fotoquímicos, aliás, vai além do ozônio, já que eles geram também outros oxidantes que formam aerossóis secundários, capazes de entrar profundamente no sistema respiratório. A preocupação crescente com os poluentes atmosféricos fizeram até, em nível nacional, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) rever a Resolução 003/1990, com a Conama 491/2018, na qual houve redução significativa dos parâmetros de qualidade do ar, o que deve levar a impactos na regulação de emissões atmosféricas a médio prazo, na avaliação do coordenador da Abiquim, Mauro Machado Júnior.



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