Química

Emissões industriais caem, mas problemas persistem

Marcelo Furtado
11 de outubro de 2020
    -(reset)+

    Cubatão e Santa Gertrudes – Com base no acompanhamento da qualidade do ar e pelo controle da Cetesb nas fontes poluidoras, o governo paulista elegeu como áreas críticas a região metropolitana da capital, cujo foco é o controle da poluição veicular, e as regiões de Cubatão e Santa Gertrudes, cuja preocupação são as fontes fixas, ou seja, as indústrias.

    Em Cubatão, segundo a análise das medições das estações, as altas concentrações de poluentes, preocupantes, se notam exclusivamente na área industrial. Nas áreas residenciais e comerciais da cidade da Baixada Santista, o nível de poluentes é similar ao de áreas periféricas da RMSP, com violações dos padrões apenas em alguns dias do ano e focadas no ozônio. Já nas áreas industriais, principalmente na Vila Parisi, o que preocupa os técnicos da Cetesb são as altas concentrações de material particulado.

    O percebido hoje em Cubatão não é o mesmo da época em que a cidade era sinônimo de poluição, na década de 70 e começo dos anos 80, até ser palco de um plano implementado em 1984 que resultou numa queda significativa nos poluentes nos anos seguintes. Mas, pelos registros da Cetesb, a situação na cidade ainda se mantém acima dos padrões de qualidade do ar, com estabilidade nos últimos três anos apenas por conta de condições meteorológicas mais favoráveis e por paralisação de processos em algumas indústrias locais.

    Na região de Santa Gertrudes, a alta concentração da atividade ceramista para fabricar pisos e porcelanatos a partir da argila é considerada muito crítica para a qualidade do ar. No caso, há emissões fugitivas de material particulado por conta da extração, o beneficiamento e o transporte da matéria-prima. O problema afeta, além e principalmente de Santa Gertrudes, os municípios de Cordeirópolis, Rio Claro, Ipeúna, Limeira e Piracicaba, todos com alto índice de partículas inaláveis.

    Plano – Para combater esses focos de poluição industrial, o governo paulista conta com o Plano de Redução de Emissão de Fontes Estacionárias (Prefe), lançado em 2014 e em fase de implantação em oito setores: refinaria e calcinação de coque, vidro, automobilística, papel e celulose, siderurgia e metalurgia, fertilizantes, química e petroquímica, e fontes de combustão.

    No caso específico das duas regiões mais críticas, Santa Gertrudes e Cubatão, esse planejamento via Prefe é a base para o estabelecimento de metas e de manutenção de conquistas já obtidas ao longo dos últimos anos. Foi criado, por exemplo, no escopo do Prefe, um plano específico para o setor de indústrias de pisos cerâmicos e de mineração de argila que envolve Santa Gertrudes, Rio Claro, Ipeúna e Cordeirópolis, além de empresas do setor em Limeira e Piracicaba.

    Foram desenvolvidas pela Cetesb ações obrigatórias para as empresas fiscalizadas na região que envolvem todas as etapas responsáveis pelas emissões de particulados. As medidas precisam ser implementadas nas áreas de secagem e de mineração da argila, de armazenamento e transporte, de transferência e beneficiamento, e nos pátios de carga e descarga.

    Com as medidas já implementadas, por exemplo, foram eliminados vários pátios de secagem que geravam particulados em áreas próximas a núcleos urbanos e criadas as chamadas “cortinas vegetais”, com plantação de jardins e árvores, em áreas de mineração, para evitar o espalhamento dos particulados.

    Além disso, as indústrias da região foram obrigadas a implantar sistemas de controle de emissão de fluoretos em fornos, a desenvolver cobertura para caminhões transportadores de argila, a armazenar a argila em galpões fechados e a implantar equipamentos de controle nas áreas de moagem, peneiramento e prensagem de argila nas indústrias. De acordo com Milton Norio Sogabe, todas essas ações estão começando a surtir o efeito esperado na região, que mesmo assim ainda é considerada crítica.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *