Química

Emissões industriais caem, mas problemas persistem

Marcelo Furtado
11 de outubro de 2020
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    Emissões industriais caem, mas persistem áreas com problemas – Meio Ambiente

    Química e Derivados - Emissões industriais caem, mas persistem áreas com problemas - Meio Ambiente ©QD Foto: iStockPhotoA pandemia criou dois cenários distintos para o controle de emissões atmosféricas. Em primeiro lugar, as restrições à mobilidade urbana com a política de isolamento social e a queda na produção industrial e de praticamente todos os setores da economia resultaram em melhora na qualidade do ar das cidades. Mas, por outro lado, as restrições também afetaram as fiscalizações e o controle de emissões das fontes fixas, as indústrias, já que os órgãos ambientais estão com suas ações limitadas para ajudar no combate ao avanço do vírus da Covid-19.

    Um exemplo dessa situação ocorre em São Paulo. As indústrias que precisam fazer suas renovações de licença ambiental de operação foram dispensadas da apresentação presencial de documentos e autodiagnósticos, procedimento adotado em tempos normais. “A Cetesb entendeu que não é hora de sair multando as empresas e de fazer exigências severas, tanto que está prolongando as licenças de forma automática”, disse Nelson Pereira dos Reis, o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos para Fins Industriais e da Petroquímica no Estado de São Paulo (Sinproquim).

    Essa atitude mais tolerante com a indústria, para Reis, ocorria mesmo antes da pandemia. “Com exceção da judicialização que houve para frear os aumentos abusivos nas taxas de licenciamento e outros serviços do órgão ambiental, a relação a agência não é conflituosa”, disse. Segundo ele, essa postura também tem a ver com o fato de que, já há alguns anos, a indústria deixou de ser a vilã da poluição atmosférica, perdendo o posto para as fontes móveis – carros, caminhões e ônibus –, as principais causadoras dos índices fora dos padrões das legislações.

    Química e Derivados - Sogabe: Prefe permite criar plano específico para setores ©QD Foto: Divulgação

    Sogabe: Prefe permite criar plano específico para setores

    De fato, segundo a própria Cetesb, as emissões veiculares desempenham papel de destaque nos níveis de poluição do ar dos grandes centros urbanos. Mas, para o órgão, as emissões industriais continuam a afetar a qualidade do ar em regiões mais específicas no estado, por exemplo na região de Santa Gertrudes, onde há polo ceramista, ou em Cubatão, região de indústria pesada, de siderurgia a fertilizantes. “As emissões da indústria vêm caindo ao longo dos anos, mas ainda há problemas nessas regiões, com a ressalva de que eles estão sendo enfrentados com planejamento”, afirmou Milton Norio Sogabe, do setor de projetos especiais da Cetesb e com larga experiência na área de controle ambiental.

    Dados – Esse cenário fica claro com o acompanhamento que o órgão ambiental paulista faz da qualidade do ar, com o controle dos principais poluentes, por meio de 62 estações automáticas fixas, duas estações automáticas móveis e 23 pontos de monitoramento manual, todos distribuídos estrategicamente no estado. Além de boletins diários e on-line disponíveis ao público no site da companhia, ao fim de cada ano é elaborado extenso relatório com os principais resultados.

    Segundo o levantamento, em partículas inaláveis, na região metropolitana de São Paulo, em 2019, não houve ultrapassagens do padrão de qualidade do ar de curto prazo (120 µg/m3) em nenhuma das estações, mas houve em regiões no interior do estado, por exemplo em Santa Gertrudes, onde há o polo ceramista cujo processo com argila é crítico, ou em Jaboticabal e Ribeirão Preto, de forte presença da indústria de etanol e açúcar. Também na Baixada Santista, houve ultrapassagens na muito industrializada Cubatão. O padrão anual de partículas (40 mg/m3) foi ultrapassado nas estações de Cubatão e Santa Gertrudes, sendo que na região metropolitana isso aconteceu apenas em Osasco.

    Uma preocupação grande do controle realizado em São Paulo é com o ozônio troposférico, poluente formado por reações fotoquímicas, a partir de precursores como os hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio (NOx) emitidos por processos de combustão industriais e veiculares. E no controle do ozônio – oxidante que além de atacar as vias respiratórias em humanos também é tóxico a espécies vegetais nativas ou culturas agrícolas – percebe-se que os focos estão principalmente na RMSP e nos polos industriais.

    Com controle realizado em 53 estações automáticas distribuídas em 12 regiões, na região metropolitana, onde há grande emissão dos precursores de ozônio por origem veicular, o padrão de oito horas, a 140 µg/m3, foi superado em 41 dias, atingindo em dois dias o nível de atenção, quando chega a 200 µg/m3. Em 2019, a gravidade foi maior no mês de outubro, quando há forte radiação solar e altas temperaturas. Da mesma forma, foram identificadas várias ultrapassagens em regiões industrializadas, desde Cubatão, Paulínia, Campinas, Piracicaba e outras que contam também com o agravante de ter na conta final os precursores emitidos por veículos. Vale ressaltar, porém, que as emissões de monóxido de carbono caem em todo o estado ao longo dos anos, por conta da renovação da frota veicular.



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