Embalagens Industriais: Custo logístico muda formatos

Mercado mantém nível de crescimento estável e se diversifica com novas concepções de design, que privilegiam o ganho de espaço para a estocagem e a facilidade no transporte

Química e Derivados: Embalagem: embalagens_abertura.
1) Tambores de aço recuperados: demanda caiu
2) Bombonas retangulares: estocagem mais fácil
3) Contentor cúbico de ráfia: para inflamáveis e explosivos

A demanda de embalagens industriais cresce estável, ao ritmo do Produto Interno Bruto (PIB), em torno de 3% a 5% ao ano, mas os novos desenvolvimentos oferecidos pelos setores do metal e do plástico prometem aquecer a oferta. Novas concepções de formatos, designs, materiais, dimensões e espessuras, a facilitar a estocagem, o transporte, as aplicações e o desenvase, de acordo com os rigorosos parâmetros internacionais de segurança, já começam a influenciar a produção brasileira.

“Desde a latinha de tinta de 100 ml até o balde de 20 litros, passando pela gama de latas para tintas números 1 e 4, até o tambor de 200 litros, a embalagem metálica mantém constante participação no mercado, com o aço respondendo por 14% do setor como um todo”, afirmou o coordenador do Programa de Valorização e Incentivo ao Consumo da Embalagem Metálica (Prolata) e membro da Metalúrgica Prada, Elio Cepollina.

Os fabricantes, segundo reconhece Cepollina, têm buscado reduzir custos e melhorar a apresentação dos produtos, aperfeiçoando o acabamento litográfico, tamanhos, capacidades e fechamentos, e alicerçam suas iniciativas nas vantagens competitivas inerentes ao material, envolvendo a degradabilidade, os altos índices de reciclagem e sua reutilização. Isso tudo sem contar o aspecto econômico favorável aos metais, bem mais livres das grandes oscilações de custo que os outros materiais sujeitos ao comportamento do dólar.

Consumidora de cerca de 9 mil toneladas de folhas metálicas ao mês, a Metalúrgica Prada, de São Paulo, cujo faturamento anual gira em torno de R$ 300 milhões, fabrica mais de cem tipos de embalagens diferentes para produtos químicos, tintas e vernizes, alimentos e óleos vegetais. Dentro desse mix, um conjunto de latas para transporte de produtos perigosos, que acaba de ser homologado pelo Ministério da Marinha, é a principal novidade da empresa.

“Nossa linha de embalagens para produtos químicos não só credencia os nossos clientes junto ao mercado internacional, como também agrega maior segurança e confiabilidade no manuseio dos produtos acondicionados”, disse o assessor de marketing da empresa Adriano Marson. Para obter a homologação, as embalagens foram submetidas a testes de ensaio de queda, estanqueidade, pressão interna e empilhamento, superando todos os quesitos exigidos.

Química e Derivados: Embalagem: Marson - perigosos sob homologação.
Marson – perigosos sob homologação.

A lata de 18 litros com frisos verticais para tintas, massas e texturas é outro lançamento da empresa. A inovação exigiu um investimento de US$ 500 mil. Os frisos verticais visam aumentar a resistência mecânica da embalagem, eliminando a tendência de “embarrigamento” da lata.

“O mercado está estável, facilitando as constantes inovações da indústria nacional”, comentou Marson. Para ele, o setor vem demonstrando crescente aprimoramento do produto e dos processos de fabricação. Um exemplo notável é a qualidade da impressão litográfica, considerada de alta performance e excelente desempenho por especialistas do setor.

Olhar estrangeiro – O reconhecimento do aperfeiçoamento do mercado nacional de embalagens metálicas também vem de fora. O diretor-superintendente da Brasilata, também de São Paulo, Antonio Carlos Teixeira, ministrou palestra técnica sobre “Inovações em Fechamentos de Embalagens de Aço”, em congresso internacional promovido pela APEAL – Association of European Producers of Steel for Packaging, realizado no início do ano, em Düsseldorf, Alemanha. Na ocasião, Teixeira apresentou os novos sistemas de fechamento plus e biplus, para latas de tintas, lançados pela Brasilata.

Química e Derivados: Embalagem: Teixeira - fechamento por trava mecânica em latas.
Teixeira – fechamento por trava mecânica em latas.

O sistema de fechamento plus para vasilhames de aço acaba de conquistar o selo Brasil Premium. O produto foi analisado e avaliado por técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo e outros profissionais, sendo depois julgado por um conselho deliberativo, com apoio da Câmara de Comércio Exterior e da Apex – Agência de Promoção de Exportações.

Patenteado nos Estados Unidos e Europa, o produto quebrou um paradigma de mais de 90 anos, ao substituir o fechamento convencional, por atrito, por uma trava mecânica, oferecendo como vantagens, além da resistência três vezes maior à pressão interna, maior performance ante as quedas e facilidade de manuseio nas operações de abertura e fechamento.

Com mais de 180 milhões de latas plus vendidas desde 1994, o produto, na opinião de Teixeira, oferece melhor desempenho e produtividade nas linhas de enchimento das indústrias de tintas e produtos químicos. “Com esta inovação, o Brasil pode exportar tecnologia na produção de latas, invertendo a rota usual da globalização”, afirmou.

Para Teixeira, a Brasilata não atua sozinha no quesito lançamentos. Por isso, esta movimentação da indústria brasileira de embalagens metálicas demonstra fortes indícios de que o País tem potencial para tornar-se referência no setor, em pouco tempo.

Na avaliação do diretor da Raft Embalagens, Sérgio Nunes, de cinco anos para cá o mercado de tambores metálicos manteve-se estabilizado, sem perdas para o aumento de consumo das bombonas plásticas, suas principais concorrentes. Estas sim, no entanto, vêm perdendo mercado para os contêineres plásticos e enfrentado forte concorrência do material recuperado.

O diretor comercial José Carlos Thompson acentua ainda que a indústria brasileira busca estar em perfeita sintonia com as tendências mundiais, devendo acompanhar os lançamentos apresentados na última edição da Interpack, Feira de Embalagens, realizada na Alemanha, em abril. A idéia é desenvolver embalagens de 30 litros a 150 litros, com alças de suporte e diâmetro padrão, facilitando a logística de armazenamento.

Química e Derivados: Embalagem: Latas de tintas fechadas com sistema Biplus.
Latas de tintas fechadas com sistema Biplus.

A Raft utiliza um processo de produção integrado e verticalizado, iniciado direto com a bobina de aço (forma original de fornecimento do insumo), tanto para a fabricação do corpo da embalagem, quanto para as peças como tampo e aro. Os vários sistemas de acondicionamento de líquidos e sólidos estão contemplando, como nunca, aspectos logísticos e economia nos custos, a exemplo das soluções disponibilizadas pela Van Leer, de São Paulo, ao mercado brasileiro.

Nem os tradicionais tambores de aço cilíndricos de 200 litros, que chegam a movimentar demanda anual estimada em torno de 5 milhões de unidades, escaparam à regra salutar de incorporar melhorias e inovações para beneficiar empilhamentos, movimentação e transporte, com o propósito de aproveitar ao máximo os espaços e diminuir custos.

Desde 2001 sob o controle do grupo americano Greif Bros, a Van Leer hoje representa um conglomerado de 200 indústrias dedicadas ao segmento de embalagens industriais e que estão instaladas em 40 países. Entre uma infinidade de acondicionamentos, fabrica embalagens metálicas, como tambores de 200 litros e baldes de aço, e também plásticas, como tambores e bombonas desde 12 até 60 litros, tendo ainda forte atuação no segmento do papelão reforçado e papel kraft em várias gramaturas, utilizados na confecção de caixas, sistema de acondicionamento muito difundido na Europa e nos Estados Unidos. Participa ainda do segmento dos IBC – Intermediate Bulk Containers, com três fábricas em operação no mundo.

Química e Derivados: Embalagem: Thompson planeja lançar embalagens de 30 a 150 l.
Thompson planeja lançar embalagens de 30 a 150 l.

A extensão do portfólio é grande, mas a busca da eficiência abrange detalhes milimétricos. Para beneficiar as exportações, via transporte marítimo de tambores de aço de 200 litros por contêiner, a empresa remodelou designs de produtos e reduziu o diâmetro da linha de tampas removíveis em 12 milímetros, o que resultou em aumento da capacidade para acondicionamento. Dessa forma, cada contêiner de 20 pés poderá transportar 80 tambores de 200 litros, ao invés dos 72 antes acondicionados.

Outra inovação introduzida no design das tampas das embalagens metálicas gerou ganhos às operações de desenvase, diminuindo a retenção de produtos líquidos que se acumulavam no fundo dos tambores. Com isso, a empresa passou a produzir uma nova família de tambores da linha O.D.D. (Optimol Draining Drum), que facilita a drenagem de líquidos. “Além de reduzir custos e evitar a perda de produtos químicos, detalhes desse tipo geram benefícios também para o meio ambiente, havendo maior controle sobre os resíduos químicos”, considerou o gerente geral da Van Leer do Brasil, Cláudio Parelli.

Prevendo a possibilidade de encaixar um tambor dentro do outro, para tornar mais eficiente o transporte e a estocagem, a empresa também projetou, além da tradicional forma cilíndrica, tambores em formato cônico que comportam 200 litros, e permitem dobrar a quantidade a ser transportada.

Outras linhas que têm obtido grande penetração no mercado de defensivos agrícolas, tintas, vernizes e óleos lubrificantes são as de baldes de aço de 10 litros, 20 litros, 22 litros e 24 litros, e a de tambores de 230 litros e 250 litros, confeccionados com chapas de aço zincadas, desenvolvidos para acondicionar produtos que sofrem resfriamento e solidificação, como massa asfáltica.

Química e Derivados: Embalagem: Tampa aumenta capacidade de acondicionamento.
Tampa aumenta capacidade de acondicionamento.

Recuperados – O mercado de tambores de aço recuperados, cujo avanço dentro da indústria de embalagens metálicas vem sendo significativo, não entusiasma os profissionais do setor. Na opinião do diretor da Tam Fust, Francesco Pugliese, nos últimos 20 anos a demanda do produto caiu cerca de 50%. Pugliese atribui ao surgimento de novas alternativas para o setor de embalagens industriais a responsabilidade pela queda do consumo:

“Pode-se dizer que houve um aumento de vendas no segmento dos tambores usados. Mas o fato é que o setor como um todo vem sofrendo muito devido às novas alternativas de embalagens voltadas para a indústria”, comentou. O contêiner plástico de mil litros é apontado como o principal concorrente do tambor de aço. “O plástico está dominando, por causa do preço, no caso, mais barato”, comentou.

Pugliese considerou que os fabricantes e os recuperadores dos tambores de aço só sobrevivem graças a algumas características inerentes ao produto. Uma delas refere-se ao fato de atender, com propriedade, as exigências do transporte de cargas perigosas. Além dessa vantagem, o tambor de aço é duplamente aproveitado. Ele suporta até sete recuperações (dependendo de sua aplicação) e ainda serve como sucata.

Tendo como grande alicerce a possibilidade de ser recuperado, o tambor usado tem avançado seu consumo em relação ao novo, o que representa um impasse dentro do próprio setor, pois os fabricantes de tambores de aço, além de concorrerem com materiais substitutos, como o plástico, acabam perdendo fatias do mercado para as recuperadoras.

O grande entrave da indústria de tambores de aço, no entanto, não é a concorrência, pois há espaço para todos os tipos de materiais. Na opinião de Pugliese, a tributação elevada representa hoje o principal problema do industrial brasileiro. “Se o governo colaborasse, o mercado de embalagens teria um crescimento absurdo, porque potencial sabemos que há”, concluiu.

Evolução dos plásticos – Os mais recentes desenvolvimentos em tambores e bombonas plásticas sopradas trouxeram ganhos de performance associados à diminuição da espessura das paredes e deverão continuar centrados nessa direção, segundo considerou Flávio R.Carneiro, supervisor de vendas e marketing da Van Leer do Brasil. Cinco anos atrás, cada tambor plástico de 200 litros pesava dez quilos, ao passo que, hoje, cada um pesa 8,5 kg. Dotar as embalagens de maior leveza tornou-se possível pelo melhor balanceamento das propriedades do PEAD, e pela nova concepção de canais e programação do tempo de resfriamento dos moldes.

Química e Derivados: Embalagem: Parelli - tambores ODD facilitam drenagem.
Parelli – tambores ODD facilitam drenagem.

A opção por bombonas retangulares, ao invés de cilíndricas, também está-se consagrando na preferência dos usuários, principalmente visando o melhor aproveitamento das áreas para estocagem ou os arranjos feitos para o transporte. Um palete de 1,00 m x 1,20 m é capaz de comportar 16 bombonas retangulares de 20 litros, ao passo que, em formato cilíndrico, só poderia acondicionar 12 bombonas com a mesma capacidade.

Facilidades para a movimentação manual estão levando as bombonas de menor capacidade volumétrica, como de 25 litros ou 30 litros, e com uma única alça, a terem maior aceitação no mercado, e pelos mesmos motivos operações mecanizadas estão exigindo embalagens de maior capacidade, que comportem 200 litros ou 1.000 litros, com o desaquecimento nas vendas das soluções intermediárias, representadas por bombonas de 50 litros ou 60 litros.

Especializada na idealização de projetos dedicados, envolvendo maior proximidade aos clientes, e menores custos logísticos, a Van Leer inaugurou no ano passado em Manaus-AM mais um empreendimento no segmento de bombonas sopradas de 12 litros, 20 litros e 50 litros, para atender ao pólo de fabricação de concentrados, formado pelas indústrias de bebidas, em franca expansão.

Em 1984, a empresa já inaugurava a fábrica de embalagens metálicas de Esteio-RS, para atender ao pólo petroquímico do Sul e, em 1977, deu partida à fábrica de tambores metálicos de Aratu-BA, para atender a produção do pólo petroquímico de Camaçari-BA.

Química e Derivados: Embalagem: Pugliese - contêiner plástico tomou mercado dos recuperados.
Pugliese – contêiner plástico tomou mercado dos recuperados.

Soluções para o envase de agroquímicos, como as embalagens twin-pack, desenvolvidas com exclusividade para acondicionar duas substâncias distintas (inseticida e fungicida) a serem misturadas somente no momento da aplicação dos produtos, compõem parte do elenco de inovações introduzidas nas várias linhas de produtos da Unipac, de Pompéia-SP, precursora no segmento de bombonas lançadas em 1969, três anos após o lançamento dos seus pulverizadores para agroquímicos.

Outra novidade são as tampas autolacráveis para evitar a adulteração dos produtos envasados nas bombonas de 20 e 40 litros. Há três anos, porém, a empresa resolveu encarar um novo desafio no setor de embalagens industriais, promovendo investimentos na compra de dois sistemas de coextrusão para poder fabricar frascos de 1 litro e bombonas, de 5 litros, 10 litros e 20 litros, resistentes ao acondicionamento de produtos à base de solventes, visando atender clientes que queriam substituir embalagens metálicas, revestidas com epóxi, de 5 litros e 20 litros. “Em monocamada, a embalagem não resiste ao solvente, sofre colapso e fica com a aparência chupada, ao passo que, em três camadas, envolvendo EVOH internamente, mais o adesivo na camada intermediária e o PE na parte externa, torna-se totalmente segura e adequada”, informou Geraldo Cassiano, gerente de negócios da Unipac.

Como etapa precedente ao controle das embalagens manufaturadas, a Unipac também exerce rígido controle sobre as matérias-primas, empregando PEAD cem por cento virgem, como forma de garantir a qualidade das embalagens e a validade dos produtos acondicionados durante no mínimo três anos.

Sobre o aspecto qualidade, Cassiano chamou a atenção para o fato de que o transporte de químicos perigosos só poderá ser feito, em futuro próximo, se as embalagens plásticas estiverem homologadas de acordo com a norma UN, da ONU– Organização das Nações Unidas, cujas exigências serão mais rigorosas quanto às resistências mecânica e física, de acordo com portaria que deverá ser baixada no âmbito do Ministério da Agricultura.

Química e Derivados: Embalagem: Bombona retangular aproveita área no transporte.
Bombona retangular aproveita área no transporte.

A aprovação dessa portaria trará várias implicações. Em alguns casos, a espessura das paredes de uma bombona terá de aumentar, visando elevar a sua resistência. Bombonas de 20 litros deverão comprovar maior resistência ao empilhamento, seguindo novo padrão de espessura de paredes, o que de certa forma levará ao maior consumo de matérias-primas virgens, colocando por terra embalagens fabricadas com materiais reciclados.

Mas, entre os mais recentes desenvolvimentos idealizados para atender ao mercado de agroquímicos, a Unipac vem colocando no mercado bombonas sopradas de 20 litros em formato retangular e que são autoempilháveis.

Com essa concepção, a nova família de embalagens possibilita ganhos em logística e armazenagem, com o aproveitamento de 98% do espaço dos paletes. “Somos os únicos a fornecer bombonas nesse formato, embalagens que estão conquistando a preferência dos clientes, e estão ocupando o espaço das bombonas cilíndricas”, considerou Cassiano.

In-houses vantajosas – Ainda neste ano, a Unipac deverá selar mais um acordo para a instalação de uma nova unidade in house dentro do segmento de sua atuação, representando o terceiro negócio a ser efetivado no gênero pela companhia e sobre o qual ainda conserva sigilo.

Química e Derivados: Embalagem: Twin-pack acondiciona duas substâncias separadas.
Twin-pack acondiciona duas substâncias separadas.

O primeiro empreendimento in-house da Unipac foi instalado junto à fábrica da Kodak, de São José dos Campos-SP, em 1994, onde são produzidos dezoito diferentes tipos de embalagem, variedade que envolve frascos de 60 ml até bombonas de 10 litros, utilizados para acondicionar reveladores e fixadores para fotografias e raios-x hospitalares. A segunda in-house foi instalada em Presidente Prudente, no interior paulista, em 2.000, junto à fábrica de Bebidas Wilson, para produzir bombonas de 3,2 litros, utilizadas no envase de catchups e mostardas.

Segundo avalia Cassiano, os negócios no gênero são promissores e interessantes para ambos os lados, principalmente para as indústrias focadas na produção de matérias-primas e produtos, que chegam a economizar entre 15% a 18%, desobrigando-se de produzir e administrar os negócios com embalagens, uma vez que a Unipac arca com os custos de instalação de máquinas, contrata e administra o pessoal, colocando todas as tecnologias a serviço da produção. Caem ainda os custos com logística, economizam-se os gastos com frete e transporte de recipientes vazios, eliminam-se os altos estoques e a necessidade de armazenagem, ou seja, todos os custos de operação e administração e o planejamento das atividades estará integrado à produção do cliente.

Para instalar uma in-house desse gênero, no entanto, é necessário apresentar níveis de processamento de matérias-primas superiores a 900 toneladas/ano. “A partir desses volumes, e projetando-se as operações de forma compatível com a capacidade das máquinas, torna-se aconselhável instalar um empreendimento desse tipo, mas é preciso lembrar a importância de ter como parceira uma empresa com sistema de produção e gestão já testados, com certificação ISO 9001(versão 2000), ISO 14001 e QS 9000, como é o nosso caso”, informou Cassiano.

Preferência por laminados – Mudanças também estão previstas nas sacarias, largamente utilizadas para embalar resinas plásticas, fertilizantes, defensivos e vasta gama de produtos agrícolas, como cereais, açúcar, farinha de trigo e sementes.

O gerente de desenvolvimento da Zaraplast, Marcos Hatum, identifica uma nova tendência que já está se manifestando no segmento de embalagens para acondicionar pet foods, no sentido de dar preferência às estruturas laminadas, em lugar das monocamadas.

Química e Derivados: Embalagem: Cassiano - investimento em multicamadas.
Cassiano – investimento em multicamadas.

“Gradativamente, as sacarias de 10kg, 15kg e 25 kg, confeccionadas em PEBDL monocamada, darão lugar às embalagens laminadas produzidas por coextrusão em PEBDL/PEBDL, que, além de conferir melhor resistência no transporte, resultam na melhor apresentação visual do produto, atraindo mais vendas”, afirmou. Isso também está ocorrendo com as estruturas laminadas em PE/PE, que, externamente começam a ser confeccionadas em poliéster, com a finalidade de não só elevar a resistência da embalagem, como também de propiciar maior qualidade nas impressões destacando informações sobre o produto.

Já o acondicionamento de produtos químicos tem demandado outros requisitos técnicos. O segmento de fertilizantes, por exemplo, tem buscado reduções na espessura dos filmes, sem prejuízo da resistência. As reduções chegam a ser de 8%, em se tratando da substituição do PEBDL em monocamada por laminados em PEBDL/PEBDL que apresentam melhor resistência mecânica e ao impacto, melhor selabilidade e bom desempenho no empilhamento.

As embalagens para argamassa, segundo Hatum, também sofreram alterações em processos e matérias-primas. De polietileno em monocamada, a embalagem passa a ser confeccionada em estrutura laminada, envolvendo o BOPP (polipropileno biorientado) e o polietileno, com ganhos no sentido de impor maior barreira à umidade.

“Todas essas mudanças não implicam estar ocorrendo um processo de canibalização entre os mercados, e sim, adequações de acordo com as necessidades de cada produto”, interpretou Hatum.

Química e Derivados: Embalagem: Embalagens para agroquímicos da Unipac.
Embalagens para agroquímicos da Unipac.

Dessa forma, segundo ele, as resinas plásticas deverão continuar sendo embaladas em sacarias de 25 kg confeccionadas em PE, e as sacarias em ráfia de PP continuarão trazendo benefícios para uma série de produtos agrícolas, como açúcar e graõs.

Mas, segundo recomenda, a escolha da embalagem deve ser feita com base na melhor relação custo-benefício, sendo importante analisar qual é o requisito de proteção, ou o melhor parâmetro a ser adotado para impor barreira contra a umidade, ou contra a luz, para só depois definir-se qual será a matéria-prima mais indicada.

Para Hatum, ninguém deixa de comprar sacarias em ráfia, com inegáveis propriedades mecânicas no transporte, empilhamento e armazenagem, para acondicionar grãos de milho ou de café, pela simples razão de que a impressão não está cem por cento. Mas há vários casos, segundo ele, envolvendo o acondicionamento de pet foods, onde a aparência prevalece.

Existem ainda várias mudanças acontecendo em outros países que irão se refletir sobre o mercado brasileiro. Uma delas refere-se à substituição das sacarias em papel por sacarias em polietileno, que já acontece na Europa, visando acondicionar vários insumos e matérias-primas. Isso ocorre, segundo Hatum, em razão da embalagem em PE oferecer abertura mais eficiente, isentando o produto de ser contaminado por pedaços de papel rompidos da embalagem.

Dessa forma, ele argumenta: “Uma embalagem não pode ser concebida como algo isolado, e sim levar em conta todas as etapas envolvidas na cadeia, como a logística, a distribuição, o transporte, as matérias-primas, os equipamentos para envase, as linhas de selagem”. mas, para ele, é inegável que os sistemas de fácil abertura e filmes de maior resistência e menor espessura deverão ser cada vez mais requisitados como as próximas exigências do segmento de embalagens flexíveis.

Na opinião do diretor-presidente da Embaquim, Ronaldo Canteiro, o mercado de produtos químicos líquidos, e mesmo os clientes que operam com menores volumes, estão adotando cada vez mais embalagens de l.000 litros, viabilizadas por bolsas plásticas flexíveis, colocadas dentro de caixas, confeccionadas em papelão (fibras longas), madeira ou ferro, e que trazem vantagens de acondicionamento e facilidades de movimentação, representando ainda soluções mais econômicas e que podem ser retornáveis.

Já as vendas de contentores flexíveis, conhecidos como big-bags confeccionados em ráfia de PP, no ano passado foram em grande parte sustentadas pelo consumo do mercado alimentício, segundo relato de tradicional fabricante do segmento, como é o caso da Sanwey.

Para o gerente nacional da empresa, Yoshito Suzuki, açúcar, farinha de trigo, fécula de mandioca, sementes, soja, entre outros produtos agrícolas, demandaram mais bags do que as resinas petroquímicas, minérios de ferro e produtos químicos, compradores habituais desse setor. Só as cinco grandes usinas de açúcar consumiram mais de 400 mil bags, comportando até 1.250 quilos de produto.

No segmento de big-bags reforçados em PVC, área de atuação da Sansuy, as vendas no ano passado comportaram-se aquém das projeções, mas neste está havendo recuperação, principalmente puxada por produtos de alta densidade do setor da mineração, e dos setores alimentício e de higiene, que preservam a total pureza das matérias-primas acondicionadas.

“Nosso mercado está sendo ativado pela maior procura de bags em PVC para acondicionar, por exemplo, carbonato de cálcio e cal virgem, segmentos que não abrem mão da resistência e durabilidade oferecidos por nossos contentores para até 2 toneladas, com vida útil de sete anos, que isentam os produtos de contaminações causadas por fragmentos da própria embalagem e por sua degradação devida aos raios-UV”, informou o diretor da Sansuy Angelo Ciro Iguchi.

Segundo ele, há três anos a empresa promoveu fortes investimentos na ampliação de sua capacidade produtiva, estando preparada para dobrar sua produção a qualquer momento, para atender à demanda. Mas, além dos big-bags tradicinais que acondicionam pós e grãos, a empresa está investindo no desenvolvimento de novos produtos e na venda de máquinas de soldagem por alta freqüência, outra área de sua atuação.

Química e Derivados: Embalagem: Metálicas - livres das oscilações de custo.
Metálicas – livres das oscilações de custo.

Acondicionar toneladas – A joint venture Nordenia Plusbag, firmada em janeiro de 2.000 entre o grupo nacional Tavares de Melo, que atua na produção de cana-de-açúcar, álcool e ráfia, e o grupo alemão Nordênia International, responsável pela operação de 23 fábricas de transformação de poliolefinas na Europa, Ásia e EUA., está trazendo ao Brasil novas tecnologias em contentores em ráfia de PP.

“Esses sistemas de acondicionamento, com capacidade entre 500 quilos e 2 toneladas, estão tomando o lugar das sacarias de 25 quilos, a exemplo do que já vem ocorrendo com o açúcar, hoje acondicionado em bags entre uma tonelada e l,25 tonelada”, considerou o diretor da Nordenia Plusbag, Klaus Richter. A finalidade do novo tamanho das embalagens é maximizar a ocupação dos armazéns e dos porões dos navios.

Estimado atualmente em 3,5 milhões de unidades/ano, o mercado de contentores dessa forma inspira a possibilidade de vir a crescer bem mais nos próximos anos, estimulando a fabricação local de novos big-bags em formato cúbico, no lugar dos perfis arredondados, visando promover a melhor distribuição dos produtos mesmo após o enchimento, com até 30% de otimização dos espaços. “Em formato cúbico, a embalagem está mais adequada ao transporte por caminhões ou barcos e há ainda maior estabilidade no empilhamento, que pode chegar até a 18 camadas”, complementou Richter.

Outro novo desenvolvimento para o mercado brasileiro é o big-bag capaz de dissipar cargas eletrostáticas. Confeccionado em multifilamentos de ráfia de PP, esse contentor é trançado com fitas condutivas de eletricidade estática, aditivadas com carga mineral, devendo estar conectado nas operações de carga e descarga a sistemas aterrados.

“Esse tipo de acondicionamento diminui a probabilidade de ocorrer acidente em ambiente com risco de explosão, sendo particularmente recomendado para acondicionar produtos químicos perigosos, inflamáveis ou explosivos, PS expansível, dióxido de titânio e pigmentos minerais utilizados nas indústrias de tintas, onde é detectada a presença de gases e vapores na atmosfera de trabalho”, sugeriu.

Na fábrica instalada em Parnamirim–RN, são produzidos também contentores para acondicionar produtos com diferentes granulometrias e sensíveis à umidade. Nessa categoria, incluem-se produtos como negro-de-fumo ou óxido de alumínio, que exigem contentores em ráfia revestida com película de PP.

Para produtos higroscópicos, como poliamidas, são fabricados contentores com liner em PE e, para acondicionar produtos que necessitam de barreira a gases, como sais de cianeto, há disponibilidade de incluir liners com estrutura laminada, envolvendo poliéster, alumínio e polietileno.

Para evitar que os liners fiquem soltos dentro dos contentores, podendo comprometer a estabilidade desse tipo de embalagem, a tecnologia alemã preocupou-se em desenvolver um sistema de colagem dos liners via hot-melt nas paredes do big-bag. E, para permitir o acondicionamento em big-bags de produtos líquidos ou pastosos, incluindo-se nesse rol alimentos, aditivos e até colas à base de água, a empresa também está comercializando contentores montados sobre paletes de madeira, que podem ser empilhados, utilizando-se armações metálicas.

Ao todo, são produzidos 15 diferentes tipos de ráfia, com gramatura e resistência determinadas a partir do peso do produto a ser acondicionado, fator de segurança e níveis de empilhamento. Há tecidos aditivados com proteção contra raios-UV e corantes, na cor preta, no caso do acondicionamento de negro-de-fumo. De acordo com o novo projeto de norma tratando dos requisitos para contentores flexíveis e que está em trâmite junto à ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, a aditivação da ráfia deverá tornar-se obrigatória para evitar a degradação das fibras de PP à presença de luz UV.

São ainda disponibilizadas pela Nordenia Plusbag soluções em ráfia revestida em prolipropileno extrudado quando for preciso diminuir a porosidade natural da ráfia trançada, evitando-se vazamentos ou contaminações.

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