Embalagens: Entidades discutem com governo detalhes para implantar a PNRS

Química e Derivados, Unidade de compactação de embalagens de aço do Prolata
Unidade de compactação de embalagens de aço do Prolata

Restam algumas indefinições nas negociações com as quais iniciativa privada e governo buscam definir os mecanismos de logística reversa das embalagens pós-consumo, concebidos para atender aos preceitos da política nacional de resíduos sólidos, que exige a redução, até o final do próximo ano, de 22% do volume de embalagens destinadas a aterros sanitários (tal meta não inclui embalagens de lubrificantes e de medicamentos, alvos de projetos específicos).

Três propostas foram apresentadas ao MMA (Ministério do Meio Ambiente): pela Abeaço (Associação Brasileira de Embalagem de Aço), pela Abividro (Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro), e pela chamada Coalizão Empresarial, composta por representantes de mais de vinte setores de atividade. Coordenada pelo Cempre (Compromisso Empresarial Para Reciclagem), essa última envolve embalagens confeccionadas com materiais como papel, alumínio e plástico, e já foi aprovada pelo comitê interministerial estabelecido pela legislação para tal tarefa.

Mas, nas propostas dos setores de embalagens de aço e de vidro, seguem sendo negociados alguns ajustes, afirma Sabrina Gimenes de Andrade, gerente de resíduos perigosos do MMA: “Ainda não há consenso em quesitos como o engajamento do varejo na disponibilização de locais onde as embalagens usadas possam ser entregues”, exemplifica.

Química e Derivados, Thais: parceria com Anamaco abriu cem mil pontos de coleta
Thais: parceria com Anamaco abriu cem mil pontos de coleta

Thais Fagury, gerente executiva da Abeaço, afirma porém que a solicitação de mais pontos para coleta de embalagens de aço já foi atendida com a inclusão na proposta do setor – já informada ao governo –, dos associados da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), que se comprometeram a disponibilizar cerca de cem mil locais para tal finalidade. “Agora, aguardamos a minuta que deve ser enviada pelo ministério”, afirma Thais.

Segundo ela, também depende dessa resposta governamental o início da implementação de um projeto que será desenvolvido em parceria com a Abrafati (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas), dedicado não apenas à reciclagem das embalagens, mas também à recuperação dos resíduos de tintas nela remanescentes.

Atualmente, estima Gisele Bonfim, gerente técnica e de assuntos ambientais da Abrafati, o aço é a matéria-prima das embalagens de aproximadamente 95% das tintas vendidas para consumidores finais e, por isso, essa indústria está entre as signatárias e as patrocinadoras do Prolata (nome do programa de reciclagem coordenado pela Abeaço).

A Abrafati participa ainda do programa da Coalizão Empresarial, pois tintas são acondicionadas também em plásticos (e em escala menor também em papel). Para ampliar o reaproveitamento desse plástico, a entidade recentemente estabeleceu um acordo com a petroquímica Braskem, que resultará em programas de qualificação e fortalecimento de centros de reciclagem. “A indústria de tintas está seguindo as determinações da política nacional de resíduos sólidos”, afirma Gisele.

Primeiros projetos – Antes mesmo da decisão final do governo sobre sua proposta, a Abeaço já executa algumas das ações previstas em seu programa de logística reversa de embalagens de aço. Entre elas, inclui-se a inauguração, em outubro último, na cidade de São Paulo, de um centro de reciclagem com capacidade para processar cerca de duas mil toneladas de metal por mês. Por enquanto, ali está sendo mensalmente reciclada uma média de onze toneladas. “Se considerarmos que ainda não houve nenhuma divulgação do projeto, esse é um número significativo”, avalia Thais. “Em setembro, deveremos iniciar algumas ações de divulgação.”

No total, o programa da Abeaço prevê a criação de centros de reciclagem nas doze cidades que sediaram jogos da última Copa do Mundo (a vinculação a esse evento, já encerrado, indica que esse processo deveria estar em estágio mais adiantado); cada um desses centros poderá reciclar pelo menos 500 t de metal por mês.

Também consta do projeto o credenciamento, até o final de 2015, de cooperativas de catadores de material reciclável em onze dessas doze cidades (nesse caso, Manaus ficará de fora). Credenciadas, essas cooperativas recebem treinamento, estabelecem contatos diretos com siderúrgicas interessadas no aço colhido por elas e podem ganhar algumas melhorias em sua estrutura física. “Mesmo sem a minuta do Ministério do Meio Ambiente, já estamos iniciando esse credenciamento que deverá estar concluído até o final de agosto”, conta Thais.

Química e Derivados, Gisele: setor de tintas apoia reciclagem de latas e plásticos
Gisele: setor de tintas apoia reciclagem de latas e plásticos

Segundo ela, este ano o orçamento do Prolata somará R$ 1 milhão: 50% desse valor virá da Abeaço, 15% da Abrafati, e o restante de outros associados do programa. E, embora esse gênero de embalagens seja alvo de regulamentações específicas, ele também está precisando lidar com algumas embalagens industriais: “Em alguns meses, o centro de reciclagem inaugurado em São Paulo recebeu cerca de duas toneladas de tambores de aço por mês”, conta Thais.

Nesse caso das embalagens industriais, o Cempre, diz o diretor executivo André Vilhena, recomenda às empresas como caminho interessante para o descarte, a atuação nas chamadas Bolsas de Resíduos. Mantidas por algumas federações de indústrias, essas bolsas possibilitam a comercialização desses e de outros gêneros de resíduos.

Fundado em 1992, o Cempre, afirma Vilhena, já qualificou mais de quinhentas cooperativas de catadores e, desde 2012, desenvolve um projeto destinado a triplicar a capacidade de reciclagem já existente nas doze cidades que sediaram a última Copa: “Esse objetivo deve ser alcançado logo após o encerramento dessa competição”, afirma.

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