Embalagens: Demanda firme anima a ampliar produção e desenvolver linhas

Química e Derivados, Embalagens: Demanda firme anima a ampliar produção e desenvolver linhas
Verdadeira a teoria que qualifica a indústria de embalagens como uma espécie de termômetro capaz de indicar quão aquecido está o conjunto da atividade produtiva – ou, ao menos, a probabilidade de se tornar mais agitado –, talvez seja possível olhar de maneira um pouco mais otimista para o futuro próximo da indústria brasileira. Afinal, apesar das inúmeras incertezas colocadas no horizonte, os fornecedores de embalagens industriais estão, em maior ou menor grau, realizando algum investimento em novos produtos, em tecnologias mais modernas, e mesmo na ampliação de sua capacidade de produção.

A Schütz Vasitex, por exemplo, este ano já instalou em sua fábrica duas novas sopradoras dedicadas à produção de bombonas para conter de 20 a 60 litros. Importados da Alemanha e totalmente robotizados, esses equipamentos consumiram recursos de R$ 10 milhões. E, de acordo com Luiz Francisco da Cunha, CEO da Schütz Vasitex, além de ampliarem significativamente sua capacidade de produção desse gênero de embalagens, trazem tecnologias inovadoras, como um sistema que confere maior precisão ao controle da distribuição de massa na embalagem moldada a sopro e, assim, reduz seu peso.

Agora, a Schütz Vasitex está alocando outros R$ 20 milhões na ampliação de sua planta de prestação de serviços, na qual realiza, entre outras atividades, a recepção das embalagens utilizadas, cuida de sua limpeza, recicla o material plástico para reaproveitamento em outros produtos, e trata os efluentes. Essa unidade se situa, como também a fábrica da empresa, em Guarulhos-SP. Concluída tal obra, essa planta, atualmente com 25 mil metros quadrados, passará a 47 mil m². “Parte dessa ampliação começará a ser utilizada já no final deste ano e o projeto todo estará concluído em meados de 2015”, adianta Cunha.

Por sua vez, a Mauser está instalando em Suzano-SP oito novas máquinas, destinadas a reforçar sua capacidade de produção de bombonas com capacidade entre 20 e 25 litros. Dois desses novos equipamentos permitirão o ingresso da empresa no mercado das bombonas adequadas para o Arla-32, uma solução de ureia destinada a reduzir a emissão de poluentes gerados por motores a diesel, cujo transporte, quando em pequenas quantidades, requer embalagens dotadas de um encaixe específico para mangueiras. Em grandes volumes, são usados os IBCs (Intermediate Bulk Containers), conhecidos também como contentores.

Por enquanto, observa Edson Rossi, vice-presidente de vendas e marketing da Mauser, o mercado das embalagens para Arla ainda está em estágio inicial, porque ainda é recente a legislação que exige seu uso. “Mas ele deve ter crescimento significativo nos próximos cinco anos”, destaca Rossi. “Em julho lançaremos também bombonas de 220 litros: denominadas El-Ring, elas podem ser utilizadas no transporte de Arla, químicos, essências e fragrâncias, entre outros produtos”, acrescenta.

A Greif está ampliando seu portfólio com a bombona de 10 litros DoubleGreen CoEx: focada no mercado agropecuário, é fabricada com a tecnologia multicamadas para poder transportar produtos classificados. Mas além disso, ressalta Gustavo Melo, gerente de inteligência de mercado da Greif na América Latina, pode ser confeccionada com polietileno verde – derivado do etanol de cana-de-açúcar –, e seu design elimina a necessidade das caixas de papelão muitas vezes utilizadas para acondicionar embalagens de defensivos agrícolas. “Essa bombona já vem com a certificação da Organização das Nações Unidas para o transporte de produtos perigosos”, diz Melo. Em 2012, a Greif já havia inaugurado uma fábrica em Itu-SP, uma de suas onze unidades brasileiras, onde produz bombonas e IBCs plásticos.

A Topack obteve do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a aprovação para um financiamento de R$ 12 milhões, valor correspondente a dois terços do orçamento do projeto de ampliação de sua unidade de produção de big bags – também chamados de IBCs flexíveis –, localizada nas proximidades do polo petroquímico de Suape-PE (a empresa produz essas embalagens também em Americana-SP).

Essa ampliação já está em andamento. “Deve estar concluída em aproximadamente 1,5 ano, e praticamente dobrará a capacidade de produção da planta de Pernambuco, que chegará a algo entre 60 mil e 70 mil embalagens por mês”, adianta José Maddaloni, diretor-geral da Topack.

Química e Derivados, Sacos plásticos aumentam valor de revenda dos tambores usados
Sacos plásticos aumentam valor de revenda dos tambores usados

Novos produtos, mais serviços – Investimentos acontecem também na Embaquim, empresa dedicada à produção de bolsas plásticas até mil litros, próprias para serem acondicionadas em tambores, invólucros de papelão e bombonas. Feitas em materiais como PE, PET metalizado e coextrudados de alta barreira, entre vários outros, essas bolsas são muito utilizadas no transporte de diversos gêneros de produtos, como resinas acrílicas, adesivos, tintas, glicóis, tensoativos e óleos minerais.

De acordo com o gerente comercial Eduardo Casali, este ano a Embaquim investiu R$ 1,5 milhão em uma nova extrusora, com a qual ampliou a capacidade de produção das bolsas, e também adquiriu novas injetoras e moldes para a fabricação de seus bocais e tampas. Em 2015, instalará outro equipamento automático para a produção de bolsas pequenas, entre um e 30 litros, para acondicionamento em caixas de papelão. Essas bolsas, conta Casali, são muito empregadas na agropecuária e nas indústrias de alimentos e de cosméticos. “Temos, porém, notado que também a indústria química cada vez mais usa essas embalagens menores para substituir bombonas”, afirma Casali.

A Bomix, segundo o gerente comercial André Rosário, no ano passado ampliou em 40% a capacidade produtiva de sua unidade de Salvador-BA, onde produz baldes, e em 20% a capacidade da planta de Jundiaí-SP, produtora de bombonas. “Também lançamos baldes de 14 litros, muito direcionados para embalar texturas”, diz Rosário. “Cada vez mais a indústria de tintas usa, no produto dirigido ao consumidor final, o balde em substituição à lata, até porque, ele hoje permite uma impressão tão boa quanto aquela do metal”, acrescenta.

Química e Derivados,Picchio: GPS permite monitorar com facilidade a frota de IBCs
Picchio: GPS permite monitorar com facilidade a frota de IBCs

Evolui também o portfolio de serviços das provedoras de embalagens industriais, hoje imprescindível no pacote comercial dessas empresas. Na Intertank, desde o final do ano passado esse portfolio inclui o monitoramento por GPS dos IBCs e tanques metálicos locados para os clientes. Atualmente, diz Sandro Picchio, CEO da Intertank, cerca de quatrocentas das aproximadamente 13 mil embalagens componentes da frota da empresa são acompanhadas via GPS. “Esse monitoramento permite, entre outras coisas, avaliar melhor a eficácia da roteirização das embalagens, informação importante à medida que elas são utilizadas mediante o pagamento de diárias”, diz Picchio.

Segundo ele, o uso de serviços já é muito difundido entre os clientes da Intertank no segmento offshore (a cadeia de produção de óleo e gás, para a qual a empresa fornece embalagens com características específicas, e capacidades situadas na faixa que vai de mil a 5,2 mil litros). No segmento chamado onshore, compreendendo vários ramos, com destaque para o industrial químico, alimentício e de cosméticos, entre outros, esse índice é porém menor, e quase metade dos clientes cuida diretamente da realização dessas atividades. “Mas, cada vez mais eles querem se ver livres da tarefa de manutenção e logística das embalagens, e recorrem a empresas especializadas, como a nossa”, diz Picchio.

Desmontáveis e antiestáticos – Serviços fazem parte também da oferta da Mauser, que mantém na cidade paulista de Taubaté uma unidade dedicada especificamente a essa vertente de atuação. Denominada Tankpool, ela realiza, entre outras coisas, a troca da chamada ‘garrafa’ dos IBCs plásticos, e recicla o plástico de embalagens utilizadas por seus clientes. De acordo com Rossi, “vem crescendo bastante a demanda por esses serviços”.

Química e Derivados, Linha da Mauser vai crescer com bombonas para Arla-32
Linha da Mauser vai crescer com bombonas para Arla-32

Porém, segundo ele, de maneira geral os negócios do mercado brasileiro de embalagens industriais estiveram pouco aquecidos na primeira metade deste ano, especialmente no segmento dos produtos químicos e nas tintas automobilísticas. “Esperamos melhoria no segundo semestre, especialmente no segmento dos agronegócios”, complementa Rossi.

A Chep registrou, no primeiro semestre, crescimento de negócios superior a 6% (comparativamente ao mesmo período de 2013), afirma Leonardo Galera, executivo de vendas da empresa. Segundo ele, parte dessa expansão deve ser creditada à consolidação de um produto lançado há cerca de dois anos: um IBC comercialmente identificado como Caps, para 1,2 mil litros e posicionado para a indústria alimentícia (antes, a Chep atuava no mercado brasileiro de embalagens industriais apenas com o IBC Unicom, com capacidade de 1.040 litros).

Mas deve-se também considerar, prossegue Galera, a crescente aceitação do modelo de embalagens disponibilizado por sua empresa, que atua nesse mercado com IBCs do gênero colapsível, ou desmontável. Em linhas gerais, estruturas rígidas articuláveis aptas a receber bolsas descartáveis. Segundo Galera, essas embalagens apresentam diferenciais bastante favoráveis em quesitos associados à sustentabilidade e aos custos de sua operação: “Elas retêm muito menos resíduos que os IBCs plásticos, enquanto os IBCs de aço, em seu processo de limpeza, exigem muita água, e geram muitos efluentes”.

Química e Derivados,Tecnologia multicamadas da Schütz Vasitex amplia utilização dos IBCs
Tecnologia multicamadas da Schütz Vasitex amplia utilização dos IBCs

Além disso, prossegue o executivo de vendas da empresa, contribui para a expansão da Greif, hoje detentora de uma frota de aproximadamente 6 mil embalagens, o seu modelo de negócios, fundamentado na locação dos produtos e na responsabilidade por sua logística.

De acordo com Cunha, da Schütz Vasitex, também se expande o uso dos IBCs plásticos antiestáticos que, construídos com tecnologia multicamadas, há três ou quatro anos posicionam-se como alternativas ao aço no transporte de produtos inflamáveis (até determinado ponto de fulgor). “A indústria de tintas automotivas já adotou essa tecnologia”, especifica Cunha. “E os IBCs, de maneira geral, vêm ganhando espaço de outras embalagens, como bombonas e tambores de 200 litros”, complementa.

Ainda segundo o CEO da Schütz Vasitex, no primeiro semestre deste ano, embora tenham se fortalecido novos nichos como o transporte de Arla, houve “uma estagnada em todos os segmentos do mercado brasileiro de embalagens industriais”.

Na Greif, relata Melo, no segmento composto pela indústria química não deve haver incremento dos negócios no decorrer deste ano. “Mas o segmento agro está apresentando bom ritmo de negócios e, assim, deveremos registrar expansão”, complementa o gerente da Greif, empresa que também oferece o IBC antiestático, nesse caso com a marca IBC Elektron GCube, dentro do seu amplo portfolio de embalagens industriais, proveniente de uma estrutura que, somente no Brasil, inclui onze unidades produtivas.

Química e Derivados, IBC antiestático da Greif tem encontrado usos no setor agro
IBC antiestático da Greif tem encontrado usos no setor agro

Aço e bags – Assim como há quem veja nos IBCs antiestáticos um símbolo do avanço do plástico em segmentos do mercado das embalagens industriais antes cativos do aço, existe também quem relate expansão do interesse pelos contêineres feitos desse metal. É o caso de Picchio, da Intertank, para quem, por ter resistência superior, o aço aumenta sua presença nos contentores destinados ao transporte de produtos classificados como perigosos.

Além disso, prossegue Picchio, “a maior durabilidade também gera o aumento da demanda por embalagens em aço, pois evita o problema gerado pela disposição das embalagens plásticas quando do final de sua vida útil”. Tal fator se torna ainda mais relevante com o avanço do cronograma de exigências constantes da PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos), conjunto de dispositivos legais apresentado pelo governo federal em 2010, responsável por discussões já bem adiantadas, visando a redução do descarte das chamadas “embalagens pós-consumo”.

Este ano, projeta Picchio, relativamente a 2013 a Intertank obterá crescimento nos negócios com o mercado offshore, mas no segmento onshore deverá registrar uma queda situada na faixa que vai de 5% a 8%. “Nesse segmento a única indústria que apresenta algum crescimento é a de cosméticos e higiene pessoal”, especifica.

No segmento dos big bags, afirma Maddaloni, da Topack, há expansão da demanda porque as empresas multinacionais que aqui se instalam em setores como medicamentos, petroquímica e química fina já trazem a cultura de uso desse tipo de embalagem. “Esse mercado cresce também pelo maior uso na mineração e na agricultura; hoje, boa parte da soja produzida no Brasil, por exemplo, é armazenada em big bags, com os quais é possível reduzir significativamente as perdas”, ressalta.

Química e Derivados,Bulkliner para grãos, da Topack
Bulkliner para grãos, da Topack

Paralelamente, evoluíram a concepção e a construção dos big bags, hoje fornecidos pela própria Topack em modalidades como o Ecobulk – desenvolvido para armazenar efluentes –, e o chamado ‘big bag circular travado’, dotado de um cordão vedante e de uma estrutura destinada a impedir sua deformação. “Além de evitar vazamentos, esse modelo mantém o formato da embalagem, evitando que ela se expanda e forme as características barrigas”, diz Maddaloni. “Com isso, é possível carregar as carretas com mais embalagens e com mais estabilidade”. Produtos petroquímicos e negro de fumo, especifica Maddaloni, utilizam intensivamente o ‘big bag circular travado’.

Na Bomix, diz o diretor comercial Marcus Zippinotti, no segmento das bombonas, o incremento de negócios no decorrer deste ano deverá superar a marca dos 15%. Os IBCs, ele reconhece, terão avanço nesse mercado das embalagens menores; porém, cresce também o uso das bombonas em segmentos como o dos agronegócios. “Esse segmento exige bombonas homologadas e nós temos todas as certificações”, destaca Zippinotti.

Química e Derivados, Big bag travado, da Topack
Big bag travado, da Topack

Na Embaquim, afirma Casali , a expansão dos negócios na primeira metade do ano até superou as expectativas iniciais, especialmente pelo aquecimento da demanda proveniente da indústria química. “No total de ano, prevemos um crescimento real em nossos negócios de pelo menos 6%”, calcula.

A PNRS, destaca Casali, ampliou a demanda pelas embalagens fornecidas pela Embaquim, pois empresas que antes envasavam diretamente seus produtos em tambores e bombonas, agora se valem da intermediação de sacos plásticos (liners), até mesmo porque assim terão embalagens mais valorizadas no momento do descarte. Afinal, quando vendidos para serem recuperados ou reciclados, tambores e bombonas limpos, porque utilizados com sacos internos, obtêm valor superior ao dos contaminados. “Também fatores associados à segurança, por exemplo, em empresas que utilizam tambores recuperados e precisam ter a garantia de não haver nenhuma contaminação do produto, ampliam continuamente o uso dos bags”, finaliza Casali.

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