Embalagens de polpa moldada eliminam PFAS com inovação

Embalagens plásticas de uso único servem como proteções leves, baratas e versáteis para alimentos para take away ou take-out, coloquialmente denominadas “embalagens para fast-food”. No entanto, o uso dessas embalagens tem sido questionado, não somente quanto ao impacto ambiental, mas também quando em contato direto com alimentos e os riscos de contaminação química a eles, devido à migração de substâncias nocivas aos produtos que deveriam estar protegidos.

Sobre o impacto ambiental, estima-se que 300 milhões de toneladas de resíduos plásticos são produzidos por ano, sendo que uma pequena parte é recicladas e o restante acaba em aterros ou incineradores. Alguns estudos sobre o uso de embalagens plásticas recicladas mostram que elas são problemáticas, pois podem conter compostos de diferentes origens, tais como aditivos químicos, produtos de degradação e contaminantes das embalagens de origem, além de outras substâncias não intencionais adicionadas durante o processo de limpeza e reciclagem.

De acordo com um estudo sobre a análise das substâncias contidas em 23 embalagens de poliolefinas recicladas, publicado este ano no periódico Heliyon, realizado por Tumu e colaboradores, as embalagens recicladas contém maiores quantidades de substâncias químicas do que os plásticos virgens (52 e 9, respectivamente). Além disso, o estudo concluiu que algumas substâncias preocupantes, especificamente ftalatos e as per e polifluoroalquiladas (PFAS), foram detectadas apenas nas embalagens recicladas.

Potenciais substitutos às embalagens plásticas para contato direto com alimentos são os fabricados a partir de polpa de celulose e moldados em formatos adequados a esse uso, denominados embalagens de polpa moldada, já difundidas em muitos países. Assim como o nome sugere, o processo consiste em moldar uma pasta de polpa de celulose de baixa consistência para a obtenção de embalagens. Com essa técnica é possível substituir artigos feitos com plásticos por outros formados por polímeros biodegradáveis e de fonte renovável, normalmente de celulose obtida a partir de madeiras ou até mesmo não-madeiras, por exemplo, obtidas por processos de extração a partir de biomassa, como trigo, milho, entre outros. As vantagens são inúmeras, a começar pela compostabilidade, na qual esses artigos são rapidamente degradados, decompondo-se em CO2, H2O e biomassa residual, enquanto os plásticos sintéticos podem ser reciclados ou ficam por muitos anos no ambiente até serem decompostos.

Dentre as necessidades típicas para fabricação das embalagens para contato com alimentos a partir de polpa moldada está a necessidade do uso de aditivos funcionais para providenciar uma proteção à água e óleos. Nesse caso, as substâncias PFAS são utilizadas há muitos anos, pois são versáteis, bem como por suportarem altas temperaturas em razão da grande estabilidade das ligações C-F.

Mesmo assim, o uso de PFAS tem sido debatido nas comunidades científicas e pela população em geral devido aos impactos à saúde humana. A alta persistência destas espécies no ambiente rendeu a elas a alcunha de forever chemicals. Em 2015, alguns PFAS de cadeia longa começaram a ser regulamentados ou até mesmo banidos, devido à comprovação de risco à saúde, por serem considerados disruptores endócrinos, além de serem associados ao câncer e outros malefícios. Com base nessas informações, algumas agências reguladoras internacionais impuseram limitações ao uso de PFAS. Por exemplo, o FDA dos Estados Unidos, anunciou neste ano o fim da comercialização de embalagens para alimentos contendo PFAS, quatro anos depois da proposição da agência em descontinuar voluntariamente uma das PFAS. Portanto, alterativas biodegradáveis e viáveis para a substituição dessas substâncias estão sendo procuradas.

Em 20 de fevereiro, durante a mesa redonda “Substituição de PFAS nos materiais para contato com alimentos”, promovida pela Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP), foi apresentada por Katiane Sagantini, cientista de P&D da Solenis, de Paulínia-SP, a tecnologia Contour, livre de PFAS e resistente a óleos e gorduras. Essa tecnologia foi desenvolvida pela Solenis em parceria com a empresa de tecnologia Zume, gerando um artigo para contato direto com alimentos que foi premiado como uma das melhores invenções de 2022 pela revista Time.

Essa tecnologia multicomponente consiste na aplicação direta, durante o processo de fabricação, no estoque de polpa, do produto Topscreen MF300, isento de PFAS, cujo principal ingrediente é obtido de fonte renovável. Segundo Katiane, as embalagens assim produzidas conseguem suportar água e óleos quentes, por um longo tempo. De acordo com um case publicado pela Solenis, as embalagens tratadas com a solução em questão conseguiram suportar água a 95°C e óleo a 40°C por pelo menos 30 minutos, sem que estes permeiem a embalagem, algo suficiente para embalagens para a modalidade de fast-food. Outros dados relevantes: a aplicação dos produtos livres de PFAS não afeta a repolpabilidade e compostabilidade do material, diferentemente das aplicações com PFAS ou até mesmo outros agentes de barreira derivados do petróleo, como o polietileno.

Durante o evento, segundo Katiane, como o Brasil é um dos maiores produtores de celulose a partir de madeiras, é previsto um crescimento nos negócios de polpa moldada no Brasil.

Para cada sistema, para cada tipo de fibra, entre outros aspectos, é necessária uma avaliação crítica. A Solenis, com uma visão holística, além da técnica, poderá fornecer ao cliente as melhores soluções para se obter o melhor resultado, bem como avaliar quais são as melhores aplicações, tanto para processos com celulose típica produzida no Brasil (processo kraft) ou até mesmo em processos que queiram recuperar a biomassa ou até mesmo utilizar 100% das fibras a partir de uma fonte não-madeira.

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