Logística, Transporte e Embalagens

Embalagens – Abre projeto crescimento tímido em 2004

Marcio Azevedo
26 de fevereiro de 2004
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    Os preços competitivos devem-se principalmente à disponibilidade de quase todas as matérias-primas; além do mais, a energia brasileira não é cara em comparação aos países desenvolvidos, e a mão-de-obra ainda é barata. Por isso, o câmbio favorável criou situação, somada aos fatores anteriores, altamente competitiva. A indústria do vidro, a de melhor desempenho em 2003, foi impulsionada pela exportação. Trata-se de indústria pesada, intensiva em capital, com grandes capacidades e produções. Grande parte dos países não tem indústria de vidro de porte e o aumento de consumo interno dos principais produtores mundiais precisa ser suprido por importações, já que não há mobilidade para repentinos aumentos de capacidade – nessa brecha atua o País. O Brasil também tem exportado muitas tampas (inclusive com o desenvolvimento de patentes), principalmente de aço, com destaque para o PET.

    Química e Derivados: Embalagem: Mestriner quer ver setor exportar 20% da produção.

    Mestriner quer ver setor exportar 20% da produção.

    A globalização do mercado brasileiro também colaborou. Dentre as 23 principais indústrias mundiais de embalagens, 22 operam no País. As empresas nacionais se beneficiam da presença dessas concorrentes estrangeiras, pois há intercâmbio de funcionários qualificados e com alto nível técnico, que circulam no mercado e ajudam na disseminação de conhecimentos no País. “Esse é um setor em que o Brasil não está atrasado, pois já alcançamos o nível internacional, com as principais tecnologias e tipos de embalagens usados no mundo disponíveis por aqui”, garante Mestriner.

    As embalagens brasileiras também se benificiaram do crescimento do comércio exterior brasileiro em geral. No caso do agronegócio, aumentou o percentual da produção agrícola exportada já embalada, embora o valor absoluto ainda seja baixo, e o País, um grande exportador de commodities agrícolas sem qualquer valor agre­gado. “A agroindústria cresceu 7,5% ano passado e deve repetir a dose este ano. Quanto menos exportarmos a granel, e mais se exportar produto embalado, agregaremos valor e geraremos emprego no Brasil. Vendemos um produto a 120 dólares que depois é vendido por 15 mil dólares na ponta.

    O Brasil precisa acordar para isso”, disse o presidente da Abre. Ainda mais, muitas das restrições fitos­sanitárias a produtos brasileiros inexistem no caso de produtos em­balados. A carne enlatada, esterilizada, não enfrenta essas barreiras. Os produtos embalados se beneficiam de uma longa tradição de circulação mundial – enlatados, por exemplo, circulam há cerca de cem anos, e não há restrição.

    Para agarrar essas oportunidades, no entanto, é preciso cultura empresarial voltada à exportação, algo novo entre o empresariado nacional. O conceito de global sourcing também é recente no mundo, resultado da globalização. Na busca por competitividade , o custo da embalagem, um dos mais importantes do produto, merece atenção. Há produtos em que a embalagem chega a ser mais cara que o conteúdo, caso da água mineral, de cosméticos e perfumaria, e produtos sujeitos à deterioração, como carne e o leite longa vida. Numa lata de ervilha, mais de 50% do custo final do produto é a embalagem. Por outro lado, embalar é a maneira mais simples de agregar valor a essas commodities agrícolas.

    O peso da embalagem na com­posição do custo de um produto e a busca de maior competitividade impeliram as empresas às compras globais. Como as principais multis do planeta estão instaladas no Brasil (em todos os setores produtivos), é possível o acesso das matrizes às condições de fornecimento de embalagem no País. Além disso, é mais fácil para um fornecedor já credenciado em uma filial brasileira tornar-se fornecedor também em outras filiais.

    Mas a Abre descobriu que o empresário brasileiro não sabe vender para o global sourcing, não há posição ativa em relação à oportunidade de negócios, e as ações em curso derivam de solicitações dos clientes multinacionais aqui instalados. Esse fornecimento requer adequação a normas, padrões e garantias inter­nacionais (ausência de trabalho infantil e certificações ISO 14000 e 9000, por exemplo). Há também questões logísticas relacionadas a prazos rigorosos de entrega. “Mas não são demandas às quais empresas brasileiras não podem se adequar, é apenas algo novo, uma cultura nova”, crê Mestriner.

    Detectados a oportunidade e os entraves, a Abre decidiu agir. A idéia é trazer alguns gerentes de compras e de global sourcing dessas multinacionais para a discussão com o comitê de exportação da Abre, que atua em questões semelhantes. O comitê está criando portal de exportação na inter­net (já existe modelo simples, que será melhorado) e mudou o enfoque dos estandes da Abre em feiras inter­nacionais. Antes, o foco era realizar a presença institucional da embalagem brasileira nas feiras e apoiar os brasileiros que delas participavam, mas agora é vender a embalagem brasileira.

    Além da participação em feiras internacionais de negócios, a associação formou um grupo ex­porta­dor, composto por seis produtores de embalagens flexíveis (plásticos), incluindo Dixie Toga, Alcoa, Alcan, Embalagens Diadema, Converplast e Empax. Também foi assinado projeto de colaboração com a Agência de Promoção às Exportações, a Apex. E ainda há o objetivo de se atuar em todas as câmaras de comércio instaladas no País, bem como em consulados e embaixadas brasileiras, por meio dos adidos comerciais em todo o mundo.

    A oportunidade do global sour­cing contempla o mercado de embalagens em geral, pois há grandes indústrias de todos os setores aderindo ao procedimento. “O Brasil efetivamente tem chance de ser um player nesse negócio. Oportunidades surgem o tempo todo, mas a empresa brasileira precisa estar preparada para atuar nessas ocasiões”, enfatiza Mestriner. Afinal, não se pode ignorar um merca­do internacional da ordem de US$ 500 bilhões.



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