Logística, Transporte e Embalagens

Embalagens – Abre projeto crescimento tímido em 2004

Marcio Azevedo
26 de fevereiro de 2004
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    Embalagens – Motivos para otimismo em relação à economia brasileira nesse início de ano existem. As vendas do comércio varejista diminuem o ritmo de queda, a produção industrial cresce, a utilização da capacidade instalada aumenta, mas apostar que 2004 será o ano da propalada recuperação da atividade econômica ainda não é seguro, conforme demonstrou o coordenador de análises econômicas da Fundação Ge­túlio Vargas Salomão Quadros, em palestra pro­movida pela Associação Brasileira de Embalagem (Abre).

    Não que a recuperação seja improvável, pelo contrário. Mas a análise dos dados mostra que o ritmo do crescimento ainda será menor que o almejado pelos empresários mais otimistas.

    Quadros iniciou suas explanações abordando o desempenho do setor de embalagens em 2003. O crescimento da taxa de desemprego e a queda do rendimento real e do consumo, no ano passado, impactaram a produção de bens não-duráveis, tipicamente produtos essenciais (como alimentos) com vendas fortemente atreladas às oscilações da massa salarial. E, como bem sabia a platéia presente, o freio na produção de bens não-duráveis também breca o consumo de embalagens a produção brasileira, entre janeiro e dezembro de 2003 encolheu 6,65%, principalmente devido à retração das embalagens de papel e papelão (-4,93%), plásticas (-8,52%) e metálicas (-13,30%), que representam algo como 90% desse universo. Vidro (crescimento de 3,97%) e madeira (12,26%) lograram bom desempenho, mas respondem por fatia menor que 10% do mercado de embalagens.

    Química e Derivados: Embalagens - Salomâo crê em recuperação lenta e vacilante.

    Embalagens – Salomâo crê em recuperação lenta e vacilante.

    O número global, por si só, não é catastrófico. Desde 1990, o setor experimentou quedas muito mais drásticas, sucedidas, entretanto, por algumas recuperações vigorosas. A partir de meados de 1996, porém, as variações na produção de embalagens têm sido muito mais suaves, revelando menor capacidade de reação do setor. “Hoje existem mais tributos, os juros estão mais altos, e com o poder aquisitivo em queda ocorre uma certa fadiga econômica. Por isso, a possibilidade de um salto de recuperação do setor em 2004 é improvável. Será necessário um tempo maior para que se recuperem os níveis de produção de 2002”, disse Quadros.

    A receita líquida das vendas de embalagens, numa aparente contradição, cresceram 16% em 2003, chegando a R$ 23,7 bilhões. Mas, segundo Quadros, o motivo do crescimento foram os repasses de preços – os preços da maior parte das matérias-primas para embalagens foram reajustados no ano passado – e não o crescimento relativo das vendas. Para o presidente da Abre Fabio Mestriner, outros dois fatos também explicam o aumento da receita. Um é o novo padrão de mercado que aponta para o uso de embalagens de menor volume e maior qualidade (ou seja, mais embalagens, e mais caras, são necessárias para o empacotamento das mesmas quantidades); o outro, o bom desempenho das exportações, alternativa para a queda de renda do consumidor doméstico.

    Mesmo o aumento da produção industrial, a partir de setembro de 2003, não pode ser tomado como indicativo firme de recuperação. Segundo Quadros, já no fim do ano a indústria começou a andar de lado, mantendo o nível de produção. “A recuperação de setembro não pode ser extrapolada, não serve co­mo indicação de tendência futura, pois foi muito reticente e localizada em alguns setores, devido principalmente à falta de perspectiva de aumento da renda”, observou.

    Para 2004, Mestriner, da Abre, aposta no crescimento das exportações. O presidente da Associação anunciou a meta de ex­portar 20% da produção nacional de embalagens no ano. Em 2002, esse percentual foi de 7%; em 2003, subiu para 13%. A previsão seria baseada na boa competitividade das embalagens brasileiras – o País produz as matérias-primas e possui produtos de boa qualidade – e na percepção de que as exportações agrícolas devem manter o bom desempenho. Um fato novo, que também deve impulsionar as vendas ao exterior, segundo Mestriner, é a entrada de competidores nacionais em negócios do tipo global sourcing, em que empresas nacionais podem tornar-se fornecedoras das matrizes de multinacionais instaladas no País.

    Salvos pela exportação — Os números decepcionantes da indústria brasileira de embalagens, em 2003, só não foram piores porque, segundo o presidente Fábio Mestriner, o setor já havia iniciado em 2002 processo de desenvolvimento de exportações. Até esse ano, a participação da Abre em feiras inter­nacionais era mar­cada por visitantes interessados em exportar para o Brasil, instalarse ou em encontrar representantes locais. O perfil mudou a partir de 2003, com o início da demanda por embalagens brasileiras. A Abre detectou a mudança e verificou entre seus associados o crescimento das exportações.

    De fato, as exportações brasileiras de embalagens praticamente dobraram em 2003, mas não por acaso, pois a Abre criara comitê de exportação com dois propósitos: inserir a embalagem na pauta de exportação do País (é importante que o Estado saiba que as embalagens nacionais podem competir internacionalmente) e estimular e ajudar associados a exportar.

    Embora o aumento das exportações tenha sido forjado principalmente pela mudança do câmbio, outros fatos criaram ambiente favorável às exportações. As trocas de informações entre filiais de empresas multinacionais, com presença no Brasil, e as compras globais de matérias-primas (global sourcing) revelaram que a embalagem aqui produzida tem qualidade, tecnologia e preço muito competitivo.



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