Embalagens: Clientes buscam alternativas mais seguras e econômicas

Química e Derivados, IBCs ampliam presença no mercado químico
IBCs ampliam presença no mercado químico

Difícil cobrar avanços acentuados de uma tecnologia já tradicional e sujeita a padrões bem disseminados nos processos com os quais seus usuários envasam, desenvasam, armazenam e transportam produtos. Porém, devendo se adequar a normas e regulamentações a cada dia mais rígidas e, simultaneamente, precisando atender às demandas de seus clientes por processos logísticos que também contribuam com suas necessidades financeiras, a indústria de embalagens para produtos químicos segue abrindo novas possibilidades, enquanto busca gerar negócios agregando a eles uma crescente oferta de serviços.

Química e Derivados, Tambor para 50 l, da Greif
Tambor para 50 l, da Greif

Um dos mais recentes movimentos desse processo de desenvolvimento é o uso da versão plástica do IBC (Intermediate Bulk Container, ou contentor intermediário para granéis), em atividades nas quais antes eram obrigatórias as embalagens metálicas. “A indústria de tintas, especialmente para o transporte de produtos com solventes, hoje substitui os IBCs de aço por equivalentes de polietileno”, exemplifica Fabiano Morita, gerente de marketing da Schütz Vasitex.

A substituição é possível porque os IBCs de polietileno da Schütz Vasitex são produzidos com tecnologia multicamadas, podendo apresentar características antiestáticas que possibilitem o transporte de produtos inflamáveis (até determinado índice de fulgor), que anteriormente exigiam o uso do aço. Com essa tecnologia, a Schütz Vasitex também produz IBCs que evitam a chamada permeação, ou seja, a penetração dos produtos nas paredes das embalagens e dos gases externos para seu interior, sendo por isso adequados para acondicionar produtos mais sensíveis, a exemplo de alguns tipos de ingredientes alimentícios.

Nesse mesmo segmento dos IBCs plásticos antiestáticos começou a atuar no ano passado o grupo Greif, conhecido pelo amplo portfólio de embalagens produzidas no Brasil. Esse tipo de IBC está sendo fabricado na unidade do grupo em Itu-SP, com a marca Fustiplast. Na Greif, o IBC antiestático tem a marca IBC Elektron: “Ele já é produzido nas fábricas europeias da Fustiplast, e está em fase inicial de fabricação em Itu”, conta Gustavo Melo, gerente de inteligência de mercado da Greif na América Latina.

Química e Derivados, Glória: reaproveitamento e volume maior impulsionam o uso dos IBCs
Glória: reaproveitamento e volume maior impulsionam o uso dos IBCs

Mas a expansão do uso dos IBCs para o transporte de químicos não se manifesta apenas na vertente de substituição, em determinadas aplicações, das versões metálicas pelas plásticas. Geralmente feitos de aço ou plástico e com capacidade para mil litros, esses contentores também são cada dia mais utilizados em detrimento de outros de menor tamanho, porém muito comuns, como tambores e bombonas. Afinal, embora com custo inicial mais elevado, os IBCs proporcionam vantagens econômicas no transporte e no armazenamento, reduzem descartes, podem ser locados (em vez de adquiridos) e, assim, permitem a agregação de serviços adicionais. Muitas vezes, os seus fabricantes se responsabilizam por operações logísticas.

“Está havendo uma migração para a aquisição de produtos químicos em geral com embalagens maiores, por exemplo, IBCs de mil litros”, observa Glória Benazzi, responsável pela assessoria nas áreas de meio ambiente e transporte da Associquim (Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos). Os IBCs, lembra Glória, diminuem até mesmo os gastos necessários à limpeza de embalagens que serão reaproveitadas, pois geralmente têm uso dedicado, são utilizados sempre para conter os mesmos produtos.

Os mercados jovens surgem já fundamentados no uso de IBCs. “No ano passado, consolidou-se no Brasil o mercado do Arla-32, uma solução de ureia capaz de reduzir a emissão de poluentes em motores diesel, que muitas vezes é transportado nesse gênero de embalagem”, destaca Edson Rossi, vice-presidente de vendas e marketing da Mauser (empresa que no Brasil produz tambores metálicos, bombonas, IBCs e embalagens específicas para lubrificantes fabricadas em uma unidade do Rio de Janeiro). “No Brasil, o IBC ganha maior espaço a cada ano”, acrescenta Rossi.

Química e Derivados, Armazém da quantiQ, em Guarulhos-SP, exibe variedade de embalagens
Armazém da quantiQ, em Guarulhos-SP, exibe variedade de embalagens

Opções diversas – Embora haja novas possibilidades de uso para IBCs de plástico, seguem em evolução os negócios dos produtores das versões feitas de aço dessas embalagens, como a Intertank, fabricante de tanques e IBCs de inox com capacidades situadas na faixa de 500 a 1.500 litros, destinados às indústrias química, alimentícia, farmacêutica e de cosméticos (batizado internamente como mercado onshore). Na primeira metade deste ano, afirma o CEO Sandro Picchio, nesse segmento do mercado onshore, a empresa realizou volume superior de negócios em relação ao mesmo período do ano passado. “Mas, nesse segmento, cresceu basicamente nosso share, especialmente por nossa oferta de serviços, pois esse mercado parece não ter apresentado expansão”, ressalta.

Mas a Intertank produz tanques também para o chamado mercado offshore: em linhas gerais, indústria de óleo e gás. E nesse mercado, afirma Picchio, na primeira metade deste ano, a quantidade de embalagens com as quais a empresa trabalha cresceu 38%. A frota soma quase 12,7 mil unidades, divididas de maneira praticamente igualitária entre os segmentos onshore e offshore.

Química e Derivados, Picchio: rastreamento por GPS acelera operações logísticas
Picchio: rastreamento por GPS acelera operações logísticas

Como explica Simone Vanin, gerente comercial da Rentank, mesmo quando o plástico é tecnicamente viável, o inox mantém diferenciais favoráveis: “Tem maior resistência mecânica, por exemplo, contra um impacto de um garfo de empilhadeira, e também pode suportar incêndios na área”, especifica a gerente da Rentank, empresa que tem nos IBCs de aço a sua mais importante linha de embalagens industriais, mas produz também, entre outros itens, contentores do tipo bag in box, em versões de aço e de plástico: articulados, para poderem ser dobrados e, assim, diminuírem de tamanho – esses equipamentos recebem em seus interiores bolsas descartáveis.

Os IBCs compostos nesse modelo da caixa rígida articulada e apta a receber bolsas – neste caso, de polipropileno, tanto o box quanto o bag –, constituem a oferta com a qual disputa o mercado brasileiro de embalagens industriais a Chep (que aqui produz também pallets e caixas). Na Chep – que traz esses contentores dos Estados Unidos e seus bags da Argentina –, esse gênero de embalagem é designado como “colapsável”, ou “desmontável”. Este ano, afirma Clayton Bastos, gerente comercial da empresa, “os negócios da Chep no mercado brasileiro de embalagens crescerão algo entre 25% e 30%”.

De acordo com Bastos, o IBC desmontável apresenta vantagens nos aspectos logístico, operacional e ambiental. Ele promove redução dos volumes de transporte das embalagens vazias, permite melhor aproveitamento de espaço de armazenagem, e reduz a geração de resíduos, pois gera apenas uma bolsa descartável em lugar de um grande volume de efluentes provenientes de lavagem.

Química e Derivados, Tanque offshore para 5.200 litros, da Intertank
Tanque offshore para 5.200 litros, da Intertank

Segundo ele, IBCs desmontáveis com bags especificamente desenvolvidos para essa finalidade, em outros países, começam a ser utilizados também para transporte de produtos qualificados como perigosos. “No exterior, a Chep já trabalha com embalagens para produtos perigosos, principalmente nos segmentos de petróleo e solventes”, relata Bastos.

Tambores, bombonas, big bags – A ampliação do uso de IBCs, sejam eles de aço inox ou de plástico, é afirmada não apenas por fabricantes, mas também por usuários de embalagens, como a distribuidora quantiQ. “A preocupação com o meio ambiente e as melhores práticas em saúde e segurança reforçam nossas iniciativas no sentido de aumentar a geração de negócios com este tipo de embalagem, que nos últimos dois anos cresceram cerca de 20%”, relata Fábio de Lima Silva, gerente de logística da quantiQ.

Embalagens industriais para produtos químicos, lembra Silva, são muito padronizadas e regulamentadas, e a tecnologia não muda muito rapidamente. “Parece, porém, haver uma evolução mais acentuada nos contentores de polietileno rígido, hoje já considerados para outros usos, como produtos inflamáveis. Mas é preciso avaliar essa evolução em várias vertentes, como regulamentação, validação e custos”, ressalva o gerente da quantiQ.

Há evoluções também nas embalagens menores, mesmo nas tradicionais bombonas: “Melhoram as resinas, e isso propicia embalagens plásticas com peso menor: uma bombona de polietileno de 50 litros, que há algum tempo pesava cerca de 2,5 kg, hoje pode pesar 2,1 kg”, conta Rossi, da Mauser

Química e Derivados, Contêiner tipo tanque cilíndrico, da Rentank
Contêiner tipo tanque cilíndrico, da Rentank

E há espaço para essas embalagens mais tradicionais, como as próprias bombonas, além dos tambores (aliás, gêneros de embalagens também utilizadas pela própria quantiQ). Para Melo, da Greif, “o consumo de tambores e bombonas crescerá no mesmo ritmo de expansão do mercado de químicos, particularmente em especialidades químicas e nichos de mercado”. Mas Melo também observa: “Existe atualmente uma tendência na utilização de embalagens cada vez maiores para otimização de custos; entretanto, as linhas de envase de clientes e as necessidades específicas dos usuários finais é que determinam o tipo de embalagem a ser utilizada.”

Atenta a esse movimento de expansão das embalagens maiores, a Greif passou a produzir no ano passado IBCs plásticos (mesmo ano em que inaugurou uma fábrica de embalagens plásticas para o mercado alimentício, localizada em Manaus). Atualmente, esse grupo mantém no Brasil onze plantas, com as quais pode atender o mercado químico com um grande portfólio de embalagens: de aço, tem tambores médios e pequenos (38 a 120 litros), e grandes (de 200 a 230 litros); de plásticos, frascos de 250 ml até 1 litro, bombonas de 5 a 60 litros, tambores grandes de plástico (200 litros), além dos IBCs, incluindo os chamados IBCs flexíveis, mais conhecidos como big bags.

Nesse segmento específico dos big bags, os negócios no primeiro semestre parecem ter sido bastante satisfatórios. Pelo menos na Topack, que tem nesse produto o carro-chefe de sua linha de embalagens. “Para nós, o primeiro semestre foi surpreendentemente bom”, comemora José Maddaloni, diretor-geral da Topack. Ele credita parte significativa do bom desempenho ao crescente uso desse gênero de embalagens no transporte de produtos agropecuários, como a soja; mas os big bags – como o próprio nome revela, algo como grandes sacos confeccionados com polipropileno – também são muito empregados para a movimentação de produtos químicos e petroquímicos, como ácido tereftálico e resinas termoplásticas.

Química e Derivados, Topack quer ampliar a produção de big bags em Suape
Topack quer ampliar a produção
de big bags em Suape

É exatamente esse segundo segmento um dos grandes alvos do projeto, no qual trabalha agora a Topack, de ampliação de uma planta já mantida pela empresa nas proximidades do polo de Suape. “Estamos pleiteando ao BNDES recursos para ampliar essa filial,
que passará a ter uma área de 17 mil metros quadrados, e dobrará nossa capacidade de produção”, diz Maddaloni. “Esse projeto está orçado em R$ 14 milhões, e pretendemos implementá-lo em aproximadamente um ano, já temos até algumas máquinas para essa nova planta”, detalha.

Os produtos da Topack, afirma Maddaloni, são customizados para as necessidades dos usuários: o transporte de ácido ascórbico para alimentos e na indústria farmacêutica, por exemplo, exige bags extremamente limpos, com proteção interna, que minimizem qualquer risco de contaminação do produto.

Produtos mais serviços – Agregar serviços à tradicional oferta de produtos é prática hoje comum entre os grandes fabricantes de embalagens industriais; prática, ressalta Picchio, hoje responsável por boa parte do mérito pela expansão dos negócios de sua empresa no mercado onshore. Ela cita como exemplo de serviço recentemente incluído no portfólio de sua empresa o rastreamento da frota por localizadores do tipo GPS, lançado no final do ano passado. “Havia grande demanda reprimida por esse serviço de GPS: uma empresa que está pagando por locação de tanques – por exemplo, fornecedores de tintas para montadoras – precisa otimizar o tempo de ida e volta, e de permanência no cliente; o GPS ajuda muito nessa tarefa”, pondera.

Serviços compõem também a oferta da Chep, que disponibiliza um sistema denominado pooling: “É mais que a logística reversa da embalagem, pois realizamos a entrega na hora e no local definido, e coletamos o material no cliente desse cliente, cuidando depois da higienização e do condicionamento das embalagens, para depois disponibilizá-las novamente no mercado”, detalha Bastos. A Chep, ele comenta, não vende embalagens, apenas as aluga. “No Brasil, temos hoje cerca de 4,5 mil embalagens e dezessete centros de serviços”, diz.

Química e Derivados, IBC multicamadas, fabricado pela Schütz-Vasitex

IBC multicamadas, fabricado pela Schütz-Vasitex

A Rentank também entrega as embalagens nos locais de envase e as retira no desenvase, realizando ainda as ações necessárias para recolocá-las em circulação. “Procuramos agregar a cada dia novos serviços ao nosso portfólio”, diz Simone.

E a Schütz Vasitex, detalha Morita, oferece a seus clientes uma vasta gama de serviços: logística reversa em território nacional; lavagem e recuperação, com destinação correta e certificada dos resíduos; recertificação do Inmetro de embalagens recuperadas (no caso de IBCs); troca por componentes novos, para os casos de reutilização com produtos sensíveis (também em IBCs); software para o monitoramento da frota de IBCs; e estação de reciclagem própria para o processamento de embalagens inutilizadas. “Pouquíssimos fabricantes de embalagens oferecem nosso pacote de soluções”, afirma Morita.

Além de IBCs de mil litros, ele salienta que a Schütz Vasitex fabrica também tambores em material virgem de 200 e 220 litros, tambores de 200 litros de material reciclado proveniente de sua própria estação de reciclagem, e bombonas de 20, 25, 30 e 50 litros. “Os segmentos atendidos por nós são: químico, petroquímico, agroquímico, adesivos, tintas e alimentício”, detalha Morita.

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