Embalagem: Reciclagem ampla favorece as latas de aço

Reciclagem ampla e fácil, com estética superior, favorece as latas de aço

As embalagens de fácil e alta reciclabilidade marcarão a tendência de consumo nos próximos anos.

A previsão é da presidente-executiva da Associação Brasileira de Embalagem de Aço (Abeaço) e da Prolata Reciclagem, Thaís Fagury.

Essa é uma boa notícia para o mercado de latas de aço para o segmento de tintas, vernizes e solventes que está inserido, pela sua própria natureza, na tendência moderna de sustentabilidade e logística reversa das embalagens.

Estudo do Mintel Group para a América Latina revela que 61% dos consumidores estão preocupados com o uso de embalagens e as suas relações com a poluição das águas e oceanos.

Um estudo da ONU aponta que a poluição dos oceanos está atrelada ao consumo de plásticos, o que indicaria uma tendência de redução de embalagens desse material, menciona Thaís.

Embalagem: Reciclagem ampla favorece as latas de aço ©QD Foto: iStockPhoto
Thaís: lata proporciona mais segurança para as tintas

“O aço é, certamente, o melhor material para acondicionar tintas, vernizes e solventes. Além de ser a embalagem mais sustentável, já que é 100% e infinitamente reciclável, e possui programa efetivo de logística reversa para reciclagem das latas de aço pós consumo, o Prolata”.

Mas não para por aí, discorre Thaís: “A lata de aço também é uma embalagem que garante maior segurança no transporte e no armazenamento, já que é muito mais resistente, não é inflamável e é inviolável, garantindo menor quantidade de perdas aos lojistas e, consequentemente, às empresas envasadoras”.

Na visão de Thaís, o setor de embalagens de aço está sempre inovando nacional e internacionalmente. “Há novas aplicações para as latas de aço nos mais diferentes e inovadores setores do varejo. A tendência é termos latas que são, ao mesmo tempo, mais leves, com uma maior gama de opções de tamanho, mas que também sejam mais facilmente recicláveis. Além disso, também temos algumas novidades em litografia que devem gerar latas ainda mais bonitas e atraentes para o consumidor final e mais resistentes a choques, quedas e empilhamentos”.

Outra novidade, segundo Thaís, é que “há a possibilidade de comercialização de latas para o setor em baixas tiragens, via impressão digital das folhas de aço. Isso faz com que as latas de aço sejam ideais para mercados de grandes e pequenos volumes”.

“Majoritariamente, a matéria-prima utilizada para produção de latas de aço no Brasil é nacional, feita por uma empresa que detém o monopólio das chapas”, revela Thaís. “Quando falamos somente em custo, os preços praticados no país são similares aos materiais vindos de fornecedores internacionais; porém, há uma reserva de mercado importante, e outros fatores, como uma forte tributação, com altos impostos de importação, fazem com que seja, na maioria das vezes, mais vantajoso usar a matéria-prima nacional”.

João Paulo Brasil, gerente comercial da Litografia Valença, declara que a relação de custo do produto nacional e a concorrência com as embalagens importadas pode ser afetada por três fatores principais: variação no câmbio, impostos e regulamentação.

Embalagem: Reciclagem ampla favorece as latas de aço ©QD Foto: iStockPhoto
Brasil: vedação aprimorada elimina vazamentos nas latas

“Quando esses fatores favorecem os produtos nacionais, eles se tornam mais competitivos”.

Tiago Heleno Forte, CEO da Brasilata, comenta que, “naturalmente, o comércio de aço tem oscilações no preço da matéria-prima que dependem muito do movimento econômico interno e externo. A empresa adquire o produto por meio de importação e por meio da fornecedora Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), de acordo com as sazonalidades e competitividade”.

Com relação à reciclagem, Thaís informa que “há parcerias com lojistas e entidades de classe do segmento da construção civil para recolhimento e revalorização de latas de aço. Atualmente, as lojas de materiais de construção são os principais parceiros nessa ação, já que são nelas que instalamos alguns dos pontos de entrega voluntária (PEV), que permitem o recebimento de latas para destinação correta e revalorização”.

A Prolata dispõe de dados sobre a quantidade de latas de aço que foi reciclada e revalorizada. No entanto, explica Thaís, “não é possível precisar quanto dessas latas se tornaram novamente embalagens de tinta e quanto foi transformado em outros materiais nas siderúrgicas parceiras, visto que qualquer tipo de aço pós-consumo vai para a fabricação de qualquer tipo de novo aço”.

Brasil adiciona que “os fabricantes de latas e baldes associados da Prolata tem uma participação significativa na reciclagem dos mais de 20 bilhões de latas de aço recicladas todos os anos no mundo. Todas as latas são fabricadas com algum percentual de sucata. Isso contribui também para a economia de energia, água, redução de poluentes na água e no ar e a menor geração de resíduos de mineração”.

A diretoria da Litografia Valença acredita que os investimentos na área de reciclagem e sustentabilidade são essenciais para o seu crescimento e sucesso no longo prazo. A empresa é associada fundadora da Prolata/Abeaço, que têm planos para aumentar ainda mais a capacidade de reciclagem com o desenvolvimento de novas tecnologias, visando a redução do impacto ambiental e, por consequência, a redução dos custos.

Adriano Marson, diretor comercial da CMP – Companhia Metalgraphica Paulista, apresenta números.

Embalagem: Reciclagem ampla favorece as latas de aço ©QD Foto: iStockPhoto
Marson: fabricantes investem na atualização da tecnologia

“Hoje, aproximadamente, 50% das embalagens de aço são recicladas, sendo que 100% delas são recicláveis infinitamente. A CMP tem uma solução exclusiva e inovadora que atenderá esta demanda e será apresentada no Abrafati Show”.

Forte, da Brasilata, ressalta que, “dados fornecidos pelo Boston Consulting Group (BCG), um dos três maiores escritórios de consultoria do mundo, mostram que é possível que, até 2050, aproximadamente metade das 2,8 bilhões de toneladas projetadas da produção total global de aço dependa de sucata reciclada. Em outro cenário, as projeções indicam que a sucata reciclada será cada vez mais dominante, constituindo cerca de 70% do total global em 2050”.

Negócios – O mercado de latas para a indústria química, em especial para tintas, vernizes e solventes “está em pleno desenvolvimento e é o segmento carro-chefe da Brasilata”, relata Forte. Brasil, da Litografia Valença, interpreta o movimento comercial como “em constante expansão”, acompanhando a evolução positiva dos negócios de tintas.

Citando informações fornecidas pela Associação Brasileira da Indústria de Tintas (Abrafati), ele destaca que o primeiro trimestre de 2023 já apontava para a continuidade desse crescimento, registrando um aumento de 3,3% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Em 2022, o país produziu aproximadamente 1,6 bilhão de litros de tintas, resultando em um aumento significativo na demanda por latas no ramo”.

Marson salienta que “o negócio de latas tem se modernizado bastante nos últimos anos”. E a CMP “tem investido muito em novas tecnologias e serviços com valor agregado, o que lhe permitiu fortificar as parcerias com os clientes existentes e continuar levando o que há de melhor para o mercado de embalagens de aço”.

Para 2024, Brasil considera que a sustentabilidade é a tendência para as embalagens de tintas e vernizes. “Os consumidores estão cada vez mais preocupados com o impacto ambiental dos produtos que compram, e as empresas de tintas e vernizes estão respondendo a essa demanda com embalagens mais sustentáveis. Acreditamos que esse movimento continuará a se desenvolver nos próximos anos, à medida que os consumidores e as empresas se tornam mais conscientes do impacto ambiental das embalagens”.

Para Marson, o mercado vem sendo direcionado para embalagens cada vez menores, com maior diversidade de rótulos nos pontos de venda: “Acreditamos que, em 2024, essa tendência continue. A CMP está se preparando para este novo modelo de consumo, investindo em impressão digital nas embalagens de aço, permitindo assim uma tiragem menor nas embalagens para maior customização nas gôndolas”.

Embalagem: Reciclagem ampla favorece as latas de aço ©QD Foto: iStockPhoto
Litografia avançada consegue gerar efeito 3D nas latas

Na opinião de Forte, “ações com foco em engajamento, controle de qualidade e segurança deverão nortear as tendências de 2024, além da criação de latas inteligentes e sustentáveis. Um exemplo é o case para a Brahma, no qual foram produzidas 90 milhões de tampas pry-off com QR Codes únicos em uma ação para os consumidores”.

A médio e longo prazos, Brasil estima que o comércio de embalagens metálicas para tintas e vernizes tende a crescer, favorecido pelos mesmos fatores que o estão impulsionando no curto prazo. “As latas metálicas são recicláveis, tornando-se uma escolha atraente para fabricantes de tintas e vernizes preocupados com o meio ambiente. A Litografia Valença é uma das principais fabricantes, com forte presença nacional e capacidade de produção, estando bem posicionada para aproveitar o crescimento dos negócios”.

Marson pondera que “a CMP tem crescido muito nos últimos anos” e que investe cada vez mais para ser competitiva e atender “com excelência”. Recentemente, a empresa inaugurou uma nova unidade de serviços em Barra do Piraí-RJ. Além da contínua modernização das linhas de produção, “estamos investindo na produção de embalagens de 155 mm de diâmetro, podendo ser uma alternativa para os galões de 3,6 litros”.

Forte ressalta que “a Brasilata tem a inovação em seu DNA e busca continuamente trazer novas soluções para os clientes e para o mercado”.

A Litografia Valença investe em inovação para aprimorar a eficiência, segurança e design de suas embalagens, e esses investimentos ajudam a empresa a atender com excelência às necessidades dos clientes, enfatiza Brasil. Isso inclui melhorias na vedação para evitar vazamentos e contaminações, tornando as embalagens mais resistentes a quedas, e o uso de litografia avançada para criar designs mais atraentes, o que pode ajudar os fabricantes a diferenciar seus produtos.

Um exemplo é a lata com efeito 3D. “É um projeto antigo, com um grande diferencial. Dispõe de cores em degradê, realçando ainda mais o efeito, que varia de acordo com o ângulo de visão, tornando a embalagem única”, descreve Brasil.

Forte conta que, neste ano, a Brasilata Labs, spin-off da Brasilata, criou uma tecnologia patenteada de tratamento do metal que permite um processo revolucionário, que reduz em 40% a pegada de carbono em comparação com o uso de revestimentos à base de solvente. A inovação foi uma parceria entre Brasilata e Actega que foi reconhecida na premiação internacional Cans of the Year 2023, da revista The Canmaker.

Embalagem: Reciclagem ampla favorece as latas de aço ©QD Foto: iStockPhoto
Forte: Innocan permite rodar baixas tiragens com economia

“Outro lançamento em conjunto com HP Indigo e Actega é a tecnologia registrada Innocan, que traz a impressão offset digital. Uma solução de alto rendimento e alta qualidade, para tiragens a custo competitivo de até 3 mil folhas-de-flandres. A tecnologia torna a impressão digital offset de alta velocidade uma realidade para a indústria de fabricação de latas e vai beneficiar, além de grandes marcas, os pequenos e médios empreendedores por meio da personalização”, conclui Forte.

“A Litografia Valença é especializada em oferecer serviços de alta qualidade e um sólido acompanhamento pós-venda, visando atender às necessidades específicas de cada cliente. A participação no Abrafati Show 2023 (estande C42) representa uma oportunidade para solidificar a sua posição no mercado, ao mesmo tempo em que destaca as mais recentes tecnologias e soluções. Além disso, buscará fortalecer as relações com clientes e parceiros e desbravar novas oportunidades de negócios”.

Também com presença confirmada no Abrafati Show, a CMP decidiu dobrar o tamanho do estande (A56) devido ao “grande sucesso” da sua última participação. A aposta é que haverá “grande satisfação das empresas fabricantes de tintas ao se depararem com as diversas inovações que lançaremos na feira”, arremata Marson.

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