Logística, Transporte e Embalagens

Embalagem industrial – Setor investe no meio ambiente

Antonio C. Santomauro
26 de abril de 2020
    -(reset)+

    Discussões normativas – Faz parte do processo de revisão normativa, ao qual se refere Cunha, da Schütz-Vasitex, a publicação de uma norma técnica, já em discussão, com a qual a ABNT estabelecerá os requisitos para uso, armazenagem, manipulação, manuseio e transporte de IBCs que acondicionam líquidos inflamáveis, com ponto de fulgor igual ou inferior a 60ºC.

    Química e Derivados - Glória: ABNT discute uso de IBC plástico para inflamáveis

    Glória: ABNT discute uso de IBC plástico para inflamáveis

    Inicialmente, previa-se a publicação dessa norma no final do ano passado. Mas a complexidade do tema, e os trâmites que ele envolve, levaram à prorrogação desse prazo. “Ela deve entrar em consulta pública em meados do ano e pode estar pronta no final de 2020”, prevê Glória Benazzi, coordenadora do Processo Distribuição Responsável – Prodir, da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim), entidade participante do grupo que elabora o documento.

    Sem a nova norma, mantêm-se alguns focos de divergências. Uma delas: enquanto a ANP veda o uso de IBCs de plástico rígido ou compostos – nos quais uma estrutura externa reforça o recipiente plástico – para armazenagem de líquidos inflamáveis com ponto de fulgor igual ou inferior a 37,8°C, a ANTT permite seu uso no transporte de líquidos com ponto de fulgor até 60ºC, desde que eles tenham características antiestáticas certificadas. “Esse é um ponto importante, pois é a característica antiestática dos IBCs compostos que garante a possibilidade de armazenamento, manipulação e manuseio desses líquidos, e não só o transporte”, pondera Glória.

    E já se discute uma norma para IBCs recondicionados, refabricados e reutilizados para o transporte de produtos perigosos, tema que ainda não tem norma própria. “Sem ela, há o risco de aparecer algo conhecido vulgarmente como ‘IBC Frankenstein’ – com uma grade oriunda de um, uma bolha de outro, e por aí vai –, e assim não estaremos usando um IBC certificado”, observa Glória.

    Acontecem também discussões preliminares, visando sanar problemas referentes à validade das embalagens, bem como à ocorrência de vazamentos em embalagens de vários tipos, inclusive tambores, após o transporte por rodovias. Atualmente, relata Glória, há embalagens com validade de apenas um mês, independentemente de seu tipo e do material utilizado. E quem reclama de vazamentos após o transporte pode ouvir do fabricante que a embalagem não deveria ter viajado por tamanha distância. “Oras, a garantia é por tempo, não por quilometragem máxima. Ou os fabricantes passam a informar essa quilometragem, ou as embalagens deverão passar por testes de vibração, item hoje exigido apenas para IBCs”, pondera.

    A especialista da Associquim cita ainda um impasse referente à informação da data da realização da inspeção nos IBCs que transportam produtos classificados como perigosos: o Inmetro emitiu um comunicado exigindo, a partir de 30 de março próximo, somente placas removíveis para informar essa data, tanto para IBCs plásticos quanto metálicos, embora os últimos tenham vida útil muito maior e deveriam, portanto, ter um sistema diferenciado de informação da data. “Devido a conflitos com a portaria do Inmetro, atualmente não há essa informação da data, e isso pode gerar problemas para transportadores e exportadores no momento de uma fiscalização”, aponta Glória

    Ela vê problemas também em uma exigência da Marinha que, a partir de junho próximo, quer validar as embalagens homologadas em outros países, mesmo as que estejam conformes às normas internacionais, caso sejam transportados por via marítima pelo território após a internação. “Tudo bem exigir que as embalagens sejam homologadas em seus países de origem, ou que estejam dentro dos padrões internacionais as embalagens importadas para envasar produtos perigosos. Mas exigir a validação de uma embalagem, já homologada, com o produto já envasado, aqui no Brasil? Isso não existe, é apenas mais custo e mais burocracia”, finaliza Glória.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *