Meio Ambiente (água, ar e solo)

Efluentes: Saneamento procura o caminho da universalização

Marcelo Furtado
24 de fevereiro de 2003
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    O tipo de aposta da Clariant em entrar no mercado de serviços tem sido muito discutida mundialmente, por representar uma tendência identificada em outras indústrias químicas. Na área de especialidades, o fenômeno se explica pela chamada commoditização. Com o tempo, ao aumentar a demanda mundial e com a caducidade ou o surgimento de produtos concorrentes, as especialidades químicas acabam tornando-se mercadoria comum. Seus preços caem e deixam de cobrir o alto custo de produção das indústrias. A saída é usar o velho chavão do mundo administrativo: agregar valor ao produto.

    O problema é a tendência começar a ser questionada. Em 2002, a associação da indústria química americana (ACC) encomendou à consultoria Accenture um estudo para avaliar a onda de migração para a área de serviços na indústria química. A pesquisa identificou alguns problemas na tendência. Ao consultar vários dirigentes industriais, foram constatados alguns entraves para vender os novos pacotes aos clientes. Em primeiro lugar, boa parte dos consultados afirmou que os clientes foram mal acostumados, ou seja, eles esperam receber o serviço de assistência e aplicação gratuitamente. Outra dificuldade apontada é evitar a cópia do serviço oferecido pelos concorrentes, levando a uma nova guerra de preços.

    Gestão completa – Apesar das dúvidas levantadas pela pesquisa a tendência de agregar novos serviços não deixa de ser implementada por mais empresas. Ainda no Brasil, há outro exemplo. A Kurita, uma das líderes locais em tratamento de água e efluentes industriais, uniu-se a uma consultoria ambiental – a AES Consulting – para oferecer soluções integradas de gestão de água industrial para clientes médios e pequenos.

    A idéia é oferecer o serviço, a partir deste ano, a todos os novos clientes. O acordo entre as duas empresas engloba, pelo lado da Kurita, toda a aplicação e projeto de equipamentos e produtos químicos. Já a AES entra com a parte da gestão ambiental, com trabalhos de normatização, adequação à legislação e documentação. “Fazemos o mapeamento de todo o uso de recursos hídricos da empresa e propomos soluções para racionalizar a gestão”, explicou a consultora da AES, Ana Elisa Caravetti.

    A AES pode ainda estender o serviço à implantação das normas ISO 14000 na empresa. A consultora Ana Elisa, com MBA em gestão ambiental, coordena a implantação da norma ambiental na Kurita, cuja auditoria de certificação será em novembro deste ano. “Queremos que as empresas nos permitam cuidar da água desde o descarte até o efluente ou o seu reuso”, disse José Aguiar Jr., superintendente da Kurita. O foco principal da nova estratégia será nas indústrias química, farmacêutica, metalúrgica, bebidas, alimentos e de autopeças.



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