Meio Ambiente (água, ar e solo)

Efluentes: Saneamento procura o caminho da universalização

Marcelo Furtado
24 de fevereiro de 2003
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    A Prolagos realizou investimentos de R$ 100 milhões, com captação portuguesa junto à Caixa Geral de Depósitos e ao Banco Espírito Santo, para ampliar o abastecimento, a rede de coleta e o tratamento de esgoto das cidades cobertas (Cabo Frio, Búzios, São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo e Iguaba). Mas o retorno era o pior possível, segundo Castro, não só por ser da natureza do investimento de capital intensivo. Havia também alta inadimplência no pagamento das tarifas, de até 70% na região.

    Mesmo com um programa intensivo de cobrança, cujo resultado foi reduzir o calote popular para 30% na atualidade, o grupo Monteiro Aranha decidiu em 2000 mudar-se para o ramo privado. “Em vez de desistir do mercado da água, resolvemos capitalizar a experiência adquirida em operação, construção e de engenharia financeira para outro negócio mais confiável”, explica o presidente da AquaPlus.

    A estratégia da empresa, com escritórios em São Paulo e no Rio, é oferecer contratos do tipo BOT (build, operate and transfer) com prazos de 8 a 10 anos e com pagamento mediante o volume de água tratada. Os aportes para os BOTs têm origem nas linhas do Finame e do BNDES automático.

    A AquaPlus já negociou grandes contratos. Um foi com a indústria de vidro Cisper, em suas unidades no Rio e em São Paulo, sob financiamento de R$ 1,2 milhão do BNDES. Na fábrica carioca, foram instaladas uma rede de captação de poços para fornecimento de água desmineralizada e tratamento físico-químico para reuso de 100% dos efluentes. “Ao deixar de pagar à Cedae para tratar o rejeito, a empresa obteve economia superior a 30%”, lembra Castro. Em São Paulo, o projeto também contemplou reuso de efluentes.

    Além da Cisper, a AquaPlus já fechou contratos com a indústria têxtil catarinense Lancaster e está em negociação adiantada com uma unidade da Coca Cola. Segundo Vlamir de Castro, a previsão para 2003 é colocar mais oito BOTs em operação pelo País, principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Para manter sua confiança, o executivo acredita na disposição da indústria em transferir as preocupações de novas obras para terceiros. Mesmo se o objetivo não for inteiramente atingido, tendo em vista as dúvidas sobre o desempenho da economia neste ano, pelo menos agora ele pisa em um terreno um pouco mais firme do que o saneamento básico.

    Químicos agregam serviços nas ofertas

    Química e Derivados: Efluentes: Campos - Clariant inicia serviços em água.

    Campos – Clariant inicia serviços em água.

    Há uma nova tendência em curso no segmento de fornecedores químicos para tratamento de água e efluentes. Motivadas pela forte concorrência, algumas empresas do ramo estão procurando acrescentar serviços às suas ofertas comerciais, para estreitar o relacionamento com seus clientes e, logicamente, aumentar as margens de lucro.

    Um caso emblemático ocorre no setor de especialidades químicas. A suíça Clariant, oriunda de ativos remanescentes das antigas Hoechst e Sandoz, estréia no mercado de prestação de serviços em tratamento de águas e efluentes industriais, deixando de ser apenas uma importante fornecedora de aditivos químicos (dispersantes, inibidores de corrosão, de incrustação, aminas, etc) para os especialistas da água.

    Química e Derivados: Efluentes: Mônica - Brasil será experiência piloto.

    Mônica – Brasil será experiência piloto.

    De acordo com o gerente de negócios, Dimas Carlos de Campos, a Clariant pretende vender o serviço de tratamento de água de forma diferenciada. Por ser tradicional no fornecimento de aditivos para processos químicos, a intenção é vender soluções para evitar a geração de residuais, seguindo o conceito da tecnologia limpa. “Propomos alterações na produção, para minimizar as perdas e a geração de efluentes, por sua vez também tratados por nós”, afirma. Além de efetuar as alterações, a Clariant oferece tratamento de água para resfriamento, caldeiras, efluentes e reuso.

    A idéia de entrar no mercado de serviços nasceu de uma aquisição na área de petróleo: a empresa escocesa Tros Oil, especializada em soluções integradas de água e processo para o setor. Com o novo know-how, a Clariant passou a vender também no Brasil, para a Petrobrás, na qual já possui, segundo Campos, negócios em mais da metade de suas plataformas de petróleo.

    Química e Derivados: Efluentes: Ana - consultoria ambiental com a Kurita.

    Ana – consultoria ambiental com a Kurita.

    Os negócios no processo de petróleo, cujo princípio será replicado nas outras áreas, englobam desde o serviço de engenharia de equipamentos, para controle e dosagens, até testes laboratoriais de corrosão e incrustação, por exemplo. “A nossa proposta é completamente diferente dos outros tratadores de água, pois ajudamos a empresa a tornar seu processo químico mais eficiente e menos poluente”, explica o responsável técnico de tratamento de água, Magno Meliauskas, contratado pela Clariant por sua experiência no mercado de água, com passagens pela extinta Aquatec e a BetzDearborn.

    A proposta da Clariant partiu da filial brasileira. “Levamos a idéia para o board na Alemanha, que gostou da proposta e sugeriu ao Brasil ser a experiência piloto”, afirmou a coordenadora de negócios, Mônica Ferreira. A estruturação da nova oferta levou cerca de um ano. Além do pessoal próprio, a filial conta com a parceria técnica da empresa norte-americana Aqua Process, especializada em tratamento de água para petroquímica.

    Neste primeiro ano, o foco é trabalhar nos setores de petróleo, açúcar e álcool e mineração. Mas faz parte dos planos migrar para os demais mercados. A nova frente de trabalho tem empolgado a empresa. Por enquanto, o grupo já trata a água de suas próprias unidades fabris de São Paulo e Resende-RJ. O complexo de Suzano-SP passará a ser tratado cativamente em breve. Na seqüência, a intenção será ganhar uma boa fatia do mercado de água industrial avaliado na América Latina em US$ 260 milhões, sendo o Brasil 57% do total, cerca de US$ 150 milhões.



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