Tratamento de Água

Efluentes: Estações de tratamento compactas ganham adeptos

Fernando C. de Castro
26 de março de 2005
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    Fundada em 1970 com finalidade de construir bombas submersas e de superfície para a captação de água, a empresa gaúcha Hidrosul está no mercado de estações compactas para tratamento de efluentes há dez anos. A idéia surgiu em 1994 quando o enge-nheiro mecânico e administrador de empresas gaúcho Remo Disconzi, pro-prie-tário da firma, passou a enfrentar a concorrência acirrada de equipamentos estrangeiros. Naquela época, começava o processo de abertura às importações de bens de consumo e de capital no país, a partir da diminuição das barreiras alfandegárias, em cenário de moeda brasileira supervalorizada em relação ao dólar, artifício pelo qual o ingresso de produtos no país passou a ocorrer em larga escala. Repentinamente, Disconzi viu entrar no Brasil equipamentos similares aos seus, no caso bombas industriais, a preços mais competitivos.

    Em visitas à Itália, o empresário aproveitou o ensejo para conhecer o segredo do principal concorrente o qual havia atraído a clientela da Hidrosul com equipamentos tão bons quanto os seus, mas com preços muito mais convi-dativos. Ele ficou abismado ao tomar conhecimento que a empresa visitada contava com 50 funcionários, assim como a Hidrosul. No entanto, a empresa italiana fabricava uma razão de 35 unidades para cada uma fabricada pela empresa de Disconzi. De quebra, ex-portava seus produtos a 80 países. “Perguntei ao dono do negócio como ele fazia para vencer a burocracia e a papelada necessária há exportação de bens e serviços com base na experiência brasileira, onde exportador é obrigado a cumprir uma verdadeira via crucis. Ele respondeu: senhor Remo, a Itália explora o mercado exterior há três mil anos.”

    Química e Derivados: Efluentes: Disconzi mostra parte do agitador submerso. ©QD Foto - Fernando de Castro

    Disconzi mostra parte do agitador submerso.

    Ao perceber que vendendo bombas seu negócio quebraria, Disconzi deu uma guinada de 180 graus no foco do negócio ao decidir experimentar o mercado de estações para tratamento de efluentes compactas aos moldes dos sistemas com os quais teve contato na Europa e Ásia. “Visitei uma estação no Japão construída em 1910”, recorda o empresário. O primeiro desafio seria projetar os equipamentos com a mesma capacidade operacional dos similares estrangeiros, mas adequados ao bolso do empresariado brasileiro. “Eu precisava reduzir cus-tos na proporção dos cem mil euros para cem mil reais”, exemplifica Disconzi.

    A primeira decisão foi descartar a montagem dos tanques em aço inox, demasiadamente caros como ocorre no primeiro mundo, ou em aço tratado, material com barreiras físico-químicas de baixa resistência à acidez e com alto poder de oxidação. A decisão final apontou para a construção das estações em polietileno com reforço de fibra de vidro. O empresário decidiu assim aproveitar os moldes de piscinas e caixas d´água já disponíveis no mercado entre 2 mil e 150 mil litros.

    Disconzi colocou no mercado as primeiras unidades de estações compactas de efluentes projetadas a partir de equipamentos com base naqueles com os quais havia tomado conhecimento em feiras industriais na França, Estados Unidos e Alemanha, adaptadas a realidade do País.

    O diferencial atribuído por Remo Disconzi à Hidrosul, com relação às demais estações construídas no Brasil, ocorre pelo fato de a empresa fabricar todas as peças e componentes de uma estação compacta. Trata-se de uma sistemática de atendimento global como ele mesmo define. “O cliente apresenta o problema e nós entramos com a solução completa desde o projeto, produção dos equipamentos e instalação. Posteriormente operamos a partida da estação e treinamos a mão-de-obra local”, explica Disconzi. Antes disso, esclarece, as estações compactas eram concebidas de maneira fragmentada. O empresário diante da necessidade de construir um sistema contratava um engenheiro químico para a etapa do projeto. De-pois passava para uma construtora realizar a obra dos tanques em concreto, muito mais caros e demorados. Posteriormente chamava o engenheiro novamente para preparar o sistema e treinar o pessoal. No entanto, todas as fases ocorriam sem a existência de troca de informações entre os protagonistas.

    Para atender clientes em todo o território nacional o dono da Hidrosul criou também uma sistemática de instalação por terceiros. “Em muitos casos, nós fornecemos os equipamentos e os clientes instalam porque a estação compacta não é nada mais, nada menos do que um kit. A idéia é faça você mesmo, mas com suporte eficiente e sério”, resume. “Quando o dono de um frigorífico sente necessidade de construir uma estação, ele normalmente chama um engenheiro químico para calcular a vazão. Aí ele me manda os números. Eu faço um anteprojeto e envio ao enge-nheiro junto com uma memória de cálculo para justificar as escolhas. A partir daí ele irá concluir o projeto dentro dos padrões do órgão ambiental local e me retorna o projeto final para eu orçar”, esclarece Disconzi.

    Após a instalação, os técnicos da Hidrosul entram em cena. Deslocam-se até a estação para os ajustes finais, colocação do equipamento em funcionamento e treinamento dos operadores do sistema. Conforme Disconzi, a tecnologia de tratamento de efluentes desenvolvida na Hidrosul é a mesma empregada em submarinos e navios. “O nosso sistema se assemelha mais aos das embarcações de luxo”, reforça.


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    1. marco

      Bom dia, a como montar uma estação de tratamento sobre o chassis de uma carreta ou caminhão truque.



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