Edulcorantes conseguem manter a doçura desejada

Química e Derivados - Miriam: refrigerantes têm pH ideal para o uso do aspartame
Miriam: refrigerantes têm pH ideal para o uso do aspartame

Aspartame – Considerado um dos três edulcorantes mais consumidos do país, o aspartame, na divisão Food Ingredients da Ajinomoto, atende pelo nome comercial AminoSweet. Produzido no Japão, começou a ser comercializado no Brasil em meados de 1995.

Esse aditivo tem como apelo principal a promoção do gosto doce sem fornecer calorias significativas e sem aumentar o índice glicêmico sanguíneo das pessoas que o consomem nos alimentos. “AminoSweet também tem a capacidade de melhorar ou intensificar o aroma dos alimentos, principalmente os cítricos ou frutais, além de reduzir o residual ou after taste de notas específicas indesejáveis”, afirmou Miriam Higuchi, gerente do departamento de Food Ingredients da Ajinomoto do Brasil.

O mercado de refrigerantes é um dos principais consumidores desse edulcorante. Miriam destacou entre os motivos para isso o fato de o pH dos refrigerantes ser ideal para o uso do AminoSweet, que se mantém solúvel e estável ao longo da vida útil da bebida. “Sensorialmente, ele confere dulçor similar ao dulçor do açúcar, sem residual amargo, metálico ou artificial de muitos outros edulcorantes”, completou.

Segundo Miriam, é crescente a demanda por alimentos menos calóricos, não só para diabéticos – o público alvo tradicional dos edulcorantes –, mas para pessoas que têm se preocupado mais com a saúde e a estética. Porém observou que sobre esses aditivos há muita desinformação. Ela ressaltou a inverdade na afirmação de que os edulcorantes artificias são passíveis de malefícios às pessoas enquanto os considerados naturais são benéficos ou inertes. “Não existem edulcorantes naturais, e sim edulcorantes de origem natural, pois todos os edulcorantes sofrem processamento e industrialização. E sobre a segurança, os edulcorantes artificiais, se consumidos de acordo com a IDA (ingestão diária aceitável), são cientificamente seguros para a nossa saúde, no curto e no longo prazo”, finalizou.

Química e Derivados - Kathia: adoçantes ampliam as opções para os consumidores
Kathia: adoçantes ampliam as opções para os consumidores

Fiscalização – No quesito segurança, a nutricionista Kathia Schmider, coordenadora técnica do Abiad, garante que os edulcorantes são alguns dos constituintes alimentares mais estudados e extensivamente avaliados por organismos internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que através do Jecfa (Joint Expert Committee on Food Additives), que é um comitê científico de especialistas administrado conjuntamente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela OMS, tem a responsabilidade de determinar a IDA para cada edulcorante e realizar avaliações de risco. “Então, para a população em geral, não há preocupação especial em relação ao uso de edulcorantes, desde que a IDA seja respeitada”, enfatizou.

Aliás, a definição da IDA faz parte do processo de aprovação para cada adoçante não nutritivo. Kathia disse que o gerenciamento de risco feito pela Anvisa, quando determina o limite autorizado para ingestão, considera até mesmo os potenciais consumidores das misturas de edulcorantes, não somente os aditivos, individualmente, pois reconhece que estes, muitas vezes, são combinados pela indústria, a fim de criar um sabor mais harmônico.

“Uma revisão da literatura mundial, publicada em 2018, sobre os edulcorantes mais utilizados, mostrou que, em geral, os estudos realizados para determinar as exposições a adoçantes ao longo da última década não demonstram preocupações referentes a ultrapassar os valores das IDAs individuais na população geral ao redor do mundo”, afirmou.

Química e Derivados - Bebidas frias são um grande mercado para edulcorantes
Bebidas frias são um grande mercado para edulcorantes

O uso dos edulcorantes em alimentos é autorizado desde 1988. No Brasil, a sua regulamentação é de responsabilidade do Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com base em normas internacionais sobre o uso de aditivos em alimentos. Segundo Kathia, esses aditivos somente devem ser utilizados nos alimentos em que se faz necessária a substituição parcial ou total do açúcar, a fim de atender ao regulamento técnico da Anvisa, que dispõe sobre as categorias de alimentos e bebidas, no caso para: controle de peso, dietas com ingestão controlada de açúcares e para dietas com restrição de açúcares.

Para Kathia, um dos motivos pelos quais o consumo dos adoçantes cresce é o fato de oferecem às pessoas com diabetes escolhas alimentares mais amplas, proporcionando o prazer do sabor, sem aumentar a quantidade de glicose no sangue, e ainda, sem fornecer calorias. “Fato esse que os torna aliados também na manutenção e perda de peso, contribuindo para o controle da obesidade”, disse.

Segundo projeções da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estarão com sobrepeso e mais de 700 milhões, obesos. E o brasileiro é um dos povos que mais engorda esses números, pois consome 50% a mais de açúcar do que o recomendado pela própria OMS.

Atento a esses dados, o Ministério da Saúde assinou um acordo no final do ano passado para reduzir, até 2022, 144 mil toneladas de sacarose de alguns produtos industrializados como bolos, misturas para bolos, produtos lácteos, achocolatados, bebidas açucaradas e biscoitos recheados. Esse cenário mais o know-how das fabricantes de edulcorantes fazem deste aditivo um dos mais promissores da atualidade.

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