Química

EBDQUIM – Encontro Brasileiro dos Distribuidores Químicos e Petroquímicos

Marcelo Fairbanks
4 de julho de 2016
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    No cômputo geral, apesar dos esforços do campo, o resultado da economia brasileira é desanimador. O PIB afundou em 2015, deixando um rastro de 1,6 milhão de desempregados. As empresas aumentaram seu passivo financeiro e os bancos cortaram o crédito para elas, piorando a situação. “No começo de 2015, os empresários ainda acreditavam que o governo, em seu segundo mandato, poderia implementar as reformas necessárias, mas essa ilusão acabou; em 2016 ninguém mais acredita nessa administração e o ano já está perdido”, criticou. Metade dos estados do país está quebrada, não consegue sequer pagar a folha salarial. “A renda per capita já caiu 4,6% em 2015, caso isso se repita em 2016, teremos 10% em dois anos, isso vai gerar uma revolução”, alertou.

    Mendonça de Barros chamou a atenção para o fato de, pela primeira vez, o país estar em crise, mas com sobra de dólares no mercado. “Isso garante que não há risco de calote para os investidores institucionais”, disse.

    Ele prevê que 2016 será um ano muito difícil para as empresas nacionais. Por isso, recomenda reduzir a alavancagem e preparar suas estruturas para a próxima rodada de crescimento econômico, que certamente virá. Ele citou o caso da hiperinflação de 1989 e a tentativa de controle pelo governo Collor de Mello mediante o choque de liquidez. “Ninguém tinha dinheiro na mão para comprar e os ativos ficaram muito baratos, quem tinha acesso a recursos de fora nadou de braçada”, comentou. Isso pode acontecer novamente, pois quem opera no Brasil tem mais chance de aproveitar as oportunidades, usando recursos de investidores estrangeiros.

    José Augusto de Castro, presidente da Associação dos Exportadores Brasileiros (AEB) ressaltou que a crise atual não tem raízes no exterior. “Estamos vivendo uma crise totalmente interna, temos reservas mais do que suficientes, mas sofremos uma forte desindustrialização”, criticou.

    Ele salientou que a péssima governança pública permite o aumento da corrupção, cuja superação exigirá esforços gigantes de compliance por parte das empresas que atuam no país. “O estado não pode ser gigantesco, precisa ser pequeno e eficiente, vamos demorar uns dez anos para nos recuperarmos dessa crise”, salientou. “Precisamos ter objetivos de longo prazo, com mais liberdade para empreendimentos e para as pessoas.”

    Sucessão – Um tema que mereceu atenção dos participantes foi a questão da sucessão em empresas familiares. Os grandes grupos comerciais não tem esse problema, mas isso pode significar uma ruptura profunda nas distribuidoras cujo capital está em poder do fundador ou de sua família.

    Edgard Normann dirige o grupo Normann, Rassman (NRC), com sede em Hamburgo. Ele pertence à terceira geração da família à testa do grupo, cujas operações abrangem também o grupo Rowa (com várias linhas de produtos químicos e atuação global), a Enorica (ligada a diagnósticos e farmacêuticos) e atividades imobiliárias. Ao todo, o faturamento chega a € 480 milhões por ano, contando com 700 empregados.

    Nordmann comentou que, quando jovem, ao declarar ao pai o desejo de continuar seus estudos na universidade, recebeu a resposta de que a companhia não precisava de doutores. Então, ele assumiu responsabilidades crescentes no grupo. Segundo informou, a cada geração surgem alguns herdeiros com vocação para o negócio. São poucos.

    A forma encontrada para evitar conflitos foi a celebração de um acordo entre todos os familiares, definindo quanto será pago a título de dividendos a cada um e qual o percentual dos lucros a ser reinvestido anualmente na companhia. Apenas os herdeiros interessados e capacitados assumem funções executivas. “Temos cinco potenciais candidatos para posições de liderança na quarta geração, mas nenhum deles quer tocar os negócios”, comentou. A solução é aguardar que surjam talentos na geração seguinte, ou profissionalizar totalmente a gestão. “Esse sistema já está sendo revisto há cinco anos, pensando nessa possibilidade”, afirmou.

    Conclusão – A ICTA, criada em fevereiro, aproveitou o EBDQuim para fazer sua estreia em encontros internacionais. A nova organização foi apresentada por Neville Prior, presidente da FECC – Associação Europeia de Distribuidores Químicos. A formação da ICTA pretende unificar os esforços mundiais do setor, somando as 1.585 companhias associadas da Europa com as 661 originárias das Américas, formando uma entidade representativa de 2.246 empresas vinculadas à entidade, das quais 1.308 são distribuidoras. Isso abrange mais de 90 mil funcionários e um faturamento consolidado de € 62,5 bilhões.

    A formação da ICTA pretende apoiar a harmonização dos regulamentos regionais, de modo a prevenir conflitos e elevação desnecessária de custos para toda a cadeia produtiva. Além disso, poderá conjugar esforços nos programas de qualidade e segurança, como Responsible Care e Distribuição Responsável. A experiência acumulada pela FECC tanto na unificação continental e sua burocracia, quanto no estabelecimento do sistema Reach podem ser de grande valia para outras regiões. Ele também convidou a todos a participar do Congresso Anual da FECC, marcado para 6 a 8 de junho, em Istambul (Turquia).

    Ao final dos trabalhos, o presidente da Associquim, Rubens Medrano, enfatizou a importância de contar com fóruns para a discussão de problemas comuns e avaliar tendências de mercado, como é o caso do EBDQuim.



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