Química

EBDQUIM – Encontro Brasileiro dos Distribuidores Químicos e Petroquímicos

Marcelo Fairbanks
4 de julho de 2016
    -(reset)+

    Competentes sobrevivem – A consolidação de negócios no setor químico preocupa todos os participantes da cadeia produtiva, mas a distribuição se adaptará facilmente a isso, como avaliou Schneider, da IMCD. “Quando indústrias se fundem, sempre liberam alguns negócios menores e isso abre novas oportunidades pra os distribuidores”, comentou.

    A batida questão da sobrevivência dos distribuidores médios – muito já se disse que eles deveriam crescer para ser gigantes ou encolher para atuar em nichos – é considerada superada pelo executivo. “Não interessa o tamanho do distribuidor, interessa saber se ele é bom naquilo que ele faz, no relacionamento com sua clientela, nos serviços oferecidos”, comentou.

    Schneider salienta que os pequenos clientes ainda tem receio de negociar com distribuidores de grande porte. “Há um desconforto, pois o pequeno cliente não se sente no mesmo patamar desse fornecedor, o relacionamento não evolui”, disse.

    A diversificação de atividades, na direção de promover mix de produtos com mais itens de alto valor, como insumos farmacêuticos, não é uma saída para todos. “Mercados como farma, cosméticos e alimentos são muito regulados, exigem uma estrutura grande que é mais adequada para empresas maiores”, afirmou.

    O mercado de produtos químicos industriais é mais aberto, permite mais opções de trabalho para a distribuição. Schneider recomenda que o distribuidor defina precisamente seus objetivos. “No caso das especialidades, elas podem acabar se commoditizando com o passar do tempo, é preciso saber lidar com isso”, comentou.

    Em resumo, para ter sucesso, um distribuidor precisa ter produtos, bons preços e serviços, todos esses fatores adequados às necessidades dos seus clientes.

    Amargando a crise – As palestras do dia 11 foram menos agradáveis, embora de conteúdo elevado. O economista e diretor da MB Associados José Roberto Mendonça de Barros traçou um panorama nacional e internacional do ambiente de negócios. “O modelo de crescimento adotado pelo governo federal está esgotado, a China brecou, os juros baixos no exterior acabaram, a demanda interna esfriou, estamos em uma crise fiscal violenta e as tais campeãs nacionais acabaram”, apontou.

    Ele recomenda às empresas adotar posturas cautelosas, com ênfase em práticas que elevem sua eficiência. Para isso é fundamental fortalecer a área de inteligência de mercado, conter os gastos, preparar-se para atender a demanda cada vez mais fragmentada, e adotar estratégias regionalizadas. “Os profissionais devem ser treinados para aumentar a produtividade constantemente”, salientou.

    Na sua avaliação, o mercado global está em fase de esfriamento, aumentando o temor quanto a uma recessão mundial. “O crescimento dos EUA está desacelerando e não há espaço por lá para aumentar os juros primários”, avaliou Mendonça de Barros. A Europa segue com problemas gigantes, o Japão ainda está em estagnação e a China, antes considerado o segundo motor da economia mundial, apresenta dúvidas quanto ao seu potencial efetivo de crescimento.

    O especialista comentou a situação americana, na qual houve uma queda vertiginosa no desemprego, porém o salário real dos trabalhadores despencou. “O impacto tecnológico só beneficiou a 10% da população, e não a 30%, como se divulgou, os demais perderam renda. Aliás, a concentração de renda nos EUA é um dos problemas atuais mais importantes que se refletirá na campanha eleitoral deste ano”, comentou. Donald Trump e Bernie Sanders têm discursos voltados para os 90% (ou 70%) prejudicados, segundo informou.

    Nesse quadro, a população americana está descontente. A maioria acredita que as gerações futuras terão uma vida pior do que a atual. “Isso é péssimo, indica falta de perspectivas”, disse.

    A China fala em crescimento anual do PIB de 6%, mas poucos analistas ainda acreditam nas estatísticas oficiais. O país pretende mudar seu modelo de negócios, priorizando o mercado interno, reduzindo suas exportações. “Essa é uma transição traumática, com efeitos globais”, considerou. O crescimento do setor de serviços chinês é acompanhado da redução da atividade da indústria pesada, por exemplo, a siderurgia apresenta uma ociosidade gigantesca. Em 2015, a China perdeu US$ 1 trilhão em reservas (ainda tem US$ 3 trilhões), parte disso reflete a saída de empresas do país.

    A América Latina apresenta diferentes desempenhos. Em geral, os países com saída para o Pacífico estão crescendo. Do lado Atlântico, a Argentina aparece como boa novidade, aproveitando a popularidade de seu novo presidente Maurício Macri, que está atraindo investimentos estrangeiros. “Esperamos que exista o tal efeito Orloff e, assim, nós seremos amanhã o que eles são hoje”, brincou o economista.

    Nesse quadro, o Brasil vai muito mal, superando apenas a trágica situação da Venezuela. Esta perdeu totalmente o rumo com a queda do preço do petróleo. “Existe uma expectativa de recuperação das cotações internacionais de petróleo daqui a um ou dois anos, mas elas nunca mais voltarão a ficar acima de US$ 100 por barril”, afirmou. A explicação está no lado da demanda, pois a oferta é abundante. O consumo mundial de derivados de petróleo está caindo, como explicou. No Brasil, a Petrobras sofre com os efeitos da má gestão e ainda precisará de uns cinco anos para melhorar seus resultados. “Nunca mais vai ser a mesma”, vaticinou, com tristeza.

    O lado bom da economia brasileira está no agronegócio. “O cenário para esse setor é excelente, mesmo com preços internacionais mais baixos”, afirmou Mendonça de Barros. Ele explicou: o setor agrícola está habituado a competir internacionalmente desde há muito tempo, e ainda carrega nas costas o peso das deficiências da infraestrutura brasileira. A elevação continuada da produtividade permite produzir com baixíssimo custo, conseguindo atender com vantagens o aumento da demanda chinesa por comida. “O preço do milho na China é três vezes maior que o da Bolsa de Chicago”, comparou.

    A maior produtividade agropecuária também resultou no barateamento da comida para os brasileiros e isso permitiu o crescimento da demanda por bens de consumo como motocicletas e celulares. Essa foi a gênese do boom de consumo nos anos de governo petista.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *