Química

EBDQUIM – Encontro Brasileiro dos Distribuidores Químicos e Petroquímicos

Marcelo Fairbanks
4 de julho de 2016
    -(reset)+

    Fusões e aquisições – Os participantes do EBDQuim mostraram grande interesse pelos movimentos globais de fusões e aquisições (M&A). O especialista Eberhard apontou um paralelo com a situação econômica mundial. “Quando a economia vai bem, as M&A avançam muito, quando a economia esfria, o medo de negociar participações aumenta nos dois lados do balcão”, comentou.

    Schneider, do IMCD Group, observou que os movimentos de M&A seguem firmes no exterior, mas perderam a força no Brasil nos últimos anos. O grupo adquiriu a Makeni Chemicals em 2013, iniciando suas operações diretas no país.

    Pugh, da Univar, salientou que a distribuidora comprou duas companhias brasileiras nos últimos cinco anos (Arinos e D’Altomare), mas o momento atual é de buscar crescimento orgânico. “Com a queda dos preços dos produtos químicos, tornou-se mais importante direcionar o foco das atenções para os negócios, buscando aumentar a eficiência”, explicou.

    Embora os palestrantes não tenham dito isso claramente, a situação econômica cambaleante do Brasil introduziu um elevado grau de incerteza quanto aos resultados de eventuais investimentos locais, desestimulando-os, ao menos por enquanto.

    As empresas de grande porte já recorreram ao auxílio financeiro de fundos de investimento (private equities) para fazer deslanchar projetos de longo curso, a exemplo da expansão geográfica de atuação. “Pudemos contar com o apoio financeiro desses fundos durante dez anos e eles sempre contribuíram para o nosso crescimento”, afirmou Pugh. A abertura do capital da distribuidora foi a porta de saída desses investidores.

    Ebrhard considera saudável contar com apoio desses fundos, não apenas pelo reforço de capital, mas pelo fato de serem muito capacitados, conseguindo facilitar processos de transição, realinhamento de negócios e aumento de disciplina financeira, além de contribuir criticamente para elaborar estratégias empresariais. “É preciso observar, porém, que esses fundos são sócios temporários, em algum momento eles deverão sair e isso significa algum risco”, afirmou.

    Nordmann, por sua vez, entende que a distribuição química é um negócio interessante para investidores financeiros convencionais. “É um setor que não flutua nos ciclos econômicos, é estável, ou seja, é bom para guardar no portfólio durante um bom tempo”, avaliou. Isso permite bons resultados com a abertura do capital social ao mercado. Grandes companhias já se capitalizaram mediante ofertas públicas (IPO, em inglês), mas isso exige mudanças de mentalidade, por em vez de prestar contas a apenas um limitado grupo de investidores, a companhia passa a ter de se explicar para milhares de interessados, além de se submeter aos controles dos órgãos oficiais.

    Comércio eletrônico – A evolução dos sistemas de informática e da rede mundial de computadores (internet) trouxe evidente ajuda para todas as atividades empresariais. Mas não é uma panaceia. “Sem dúvida, a tecnologia da informação nos permitiu avançar muito na prática das operações, mas não dá para fazer tudo pela rede”, considerou Frank Schnider.

    Há alguns anos, houve tentativas de trazer para o comércio químico modelos de negócio parecidos com os usados no varejo de bens de consumo, mas tiveram resultados pífios. “Não sabemos como fazer isso, é um desafio aberto para o setor, talvez a resposta venha daqui a dez ou vinte anos, por enquanto pensamos em aprimorar nossas atividades”, afirmou. Ele também salientou que os meios eletrônicos não garantem a entrega dos produtos aos compradores. Atualmente, os distribuidores informam em tempo real onde a mercadoria adquirida está e quando vai chegar ao destino. “E os prazos são respeitados”, disse.

    Martin Pugh aponta a evolução da internet como estímulo aos movimentos de desintermediação que estão sendo promovidos em todo o mundo. A geração atualmente no comando das companhias tem entre 30 e 40 anos de idade e já possui a mentalidade compatível com o sistema eletrônico. “Porém, os negócios químicos são muito regulamentados, não é fácil montar um sistema adequado para isso; então, olhamos de longe, esperando alguma resposta melhor no futuro”, afirmou.

    Nordmann é mais incisivo. “O modelo Amazon não consegue agregar serviços, está mais voltado para baixar preços”, criticou. Para ele, o distribuidor precisa ser inovador, esse é o único caminho para ser competitivo.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *