Química

EBDQUIM – Associquim comemora 50 anos reunindo a indústria e a distribuição química para fortalecer a cadeia de produção

Marcelo Fairbanks
15 de abril de 2010
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    Lopes comentou que a companhia espera dos seus parceiros a capilaridade de atuação, amplitude de portfólio, logística diferenciada, gerenciamento de riscos financeiros ajustado, respeito aos princípios de SMS (saúde, segurança e meio ambiente), além de prover informações aos clientes. “Nossos princípios e valores precisam ter um alinhamento perfeito, para gerar sinergias e apoiar a busca por melhorias contínuas”, comentou Lopes.

    Química e Derivados, Pedro Suarez, presidente da companhia para a América Latina, EBDQUIM - Associquim comemora 50 anos reunindo a indústria e a distribuição química para fortalecer a cadeia de produção

    Suarez: reformulação da rede na região alcançou bons resultados

    Ao mesmo tempo, a companhia promove uma aproximação constante entre os distribuidores e os departamentos internos de vendas, marketing e tecnologia. São realizadas reuniões mensais com cada distribuidor, além de reuniões trimestrais, mais profundas. Visitas conjuntas aos clientes são frequentes, assim como os treinamentos para distribuidores e clientes na Oxiteno, que também participa com eles de feiras e eventos relevantes. “Auditamos a satisfação dos clientes e exigimos excelência operacional, com o suporte do Prodir”, comentou.

    Visão mundial – Bruce Schechinger, presidente da Associação dos Distribuidores Químicos dos EUA (NACD) e também proprietário da distribuidora BHS Marketing, ao contrário de edições anteriores do EBDQuim, não apresentou palestra, mas participou do encontro. Ele comentou que a crise foi muito sentida nos Estados Unidos, principalmente por ter ocorrido no melhor ano em vendas do setor. “Tivemos um 2008 excepcional, mas a queda ocorrida com a crise se prolongou durante 2009, com redução acentuada de vendas”, afirmou.

    A empresa dele registrou perda de faturamento de 14% em relação a 2008. Considerando apenas as commodities, a redução chegou a 30%. “Por incrível que pareça, mesmo assim, conseguimos manter boas margens de lucro”, disse Schechinger. Como os preços de produtos despencaram violentamente, ele pôde conceder descontos muito atrativos para seus clientes, sem comprometer a rentabilidade.

    Química e Derivados, Marc Fermont, consultor internacional, EBDQUIM - Associquim comemora 50 anos reunindo a indústria e a distribuição química para fortalecer a cadeia de produção

    Fermont: investidores locais devem liderar a consolidação do setor

    A redução de atividade também variou muito por setores da economia americana. A produção de óleo e gás, por exemplo, sofreu um corte de volumes da ordem de 40%. Alguns negócios, ao contrário, até cresceram. “Foi o caso do tratamento de água municipal, para o qual suprimos o flúor, um negócio que não sofreu nada com a crise”, avaliou.

    Outra presença ilustre, mas sem palestra, foi a do vice-presidente de energia da Exxon, Paul Galasso. Ele confirmou o acerto da visão estratégica da companhia de petróleo de se desfazer dos negócios petroquímicos e de outras atividades de menor capacidade de agregação de valor, como a distribuição de combustíveis e lubrificantes no Brasil. Isso permitiu concentrar investimentos e atenções na exploração e produção de petróleo e gás natural, muito mais rentáveis.

    O atual cenário norte-americano de hidrocarbonetos está muito diferente do que era há três anos. “As descobertas de gás em águas rasas no Golfo do México (shale gas) e das técnicas de recuperação avançada de gás em campos maduros on shore nos Estados Unidos (tight gas) geraram um grande volume, capaz de suprir uma parte maior da demanda”, explicou Galasso. Além disso, ainda há a possibilidade de ampliar os trabalhos em áreas antes vedadas, como o Alasca. Segundo o executivo, os preços do gás natural no mercado americano caíram muito e mudaram algumas perspectivas. “Não creio que esses preços devam ficar tão baixos, perto de US$ 6 por milhão de BTUs, durante muito tempo, mas também não devem voltar ao patamar de antes da crise de 2008”, avaliou. Isso se explica pelo fato de os americanos preferirem o uso do gás ao óleo combustível para reduzir as emissões de poluentes atmosféricos.

    Química e Derivados, Paul Galasso, vice-presidente de energia da Exxon, EBDQUIM - Associquim comemora 50 anos reunindo a indústria e a distribuição química para fortalecer a cadeia de produção

    Galasso: inovações ampliaram oferta de gás nos EUA

    Apesar da maior disponibilidade de gás, Galasso não aposta numa redenção da petroquímica norte-americana. “Os países do Oriente Médio já têm unidades de produção maiores e o preço do gás natural lá é muito mais barato”, explicou. “Além disso, corremos o risco de não haver novos projetos petroquímicos nos Estados Unidos por conta da insegurança quanto aos impostos e às restrições ambientais, cujas mudanças legais estão sendo incentivadas pelo governo Obama.”

    Essa preocupação foi compartilhada por James Rogers, CEO mundial da Eastman. Para ele, a economia americana dá sinais evidentes de recuperação, mas investimentos em novas capacidades produtivas devem demorar um pouco. “O congresso está discutindo mudanças na legislação tributária e na parte ambiental”, afirmou. “Ainda não é possível saber qual será o resultado e isso é um risco para novos investimentos industriais.”

    Fusões e aquisições – O respeitado consultor internacional Marc Fermont compareceu pela terceira vez ao EBDQuim, apresentando concorrida palestra sobre a situação da distribuição química e a possibilidade de novos movimentos globais de fusões e aquisições. Antes de iniciar a palestra, ele anunciou sua aposentadoria e a venda da sua empresa DistriConsult para Gunther Eberhard, que dará continuidade ao trabalho. Fermont iniciou sua participação correlacionando o desenvolvimento econômico dos países com a pujança de sua indústria em geral e da distribuição química, com destaque para a Alemanha, o atual país mais próspero da Europa. Essa informação é um alento para o Brasil, que está ampliando sua indústria e abrindo caminho para o crescimento dos distribuidores químicos.

    Nesse quadro, ele apontou uma forte redução no número de fusões e aquisições na distribuição química mundial desde 2006. Ele explicou a redução pela falta de investidores capazes e disponíveis para liderar as operações e pelo sumiço dos fundos de Private Equity, que ficaram comprometidos pelos efeitos da crise de 2008, com falta de liquidez. “Esses fundos estão em uma fase de geração de caixa, não podem investir, ainda que os resultados financeiros das distribuidoras sejam sólidos e contínuos”, afirmou.



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