EBDQUIM – Associquim comemora 50 anos reunindo a indústria e a distribuição química para fortalecer a cadeia de produção

Ao saudar o ilustre palestrante, Medrano observou que a tendência de concentração da indústria química mundial levou à formação de gigantes, distanciados dos usuários pequenos e médios. “A distribuição é o canal para atingir esses consumidores tão diversificados como espalhados geograficamente”, afirmou. Além disso, o presidente da Associquim salientou que a distribuição química não se beneficia dos incentivos oficiais concedidos às indústrias locais, especialmente em termos de comércio exterior e financiamentos, embora seja parte integrante e relevante da cadeia de produção.

Aberta a seção de perguntas, coube ao diretor-comercial da Carbono Química, Eduardo Barrella, apresentar a Gradin a questão latente na cabeça de todos os presentes: como a Braskem, atual proprietária da quantiQ (ex-Ipiranga Química), a maior distribuidora nacional, receberá as operações da antiga Unipar Distribuidora, braço da Quattor para solventes e resinas. Gradin saiu pela tangente: com as atenções totalmente voltadas para a integração da Quattor, a companhia apenas profissionalizou a gestão da quantiQ, concedendo a ela uma ampla autonomia (mediante o atingimento de metas). A Unipar Distribuidora sequer foi avaliada e não há planos definidos para ela. “Queremos criar valor para todos”, disse.

Posições históricas – O título de sócio número um da Associquim pertence à Dow Química, cujo presidente da filial brasileira há cinquenta anos, Paul Oreffice, foi um dos mentores e maiores entusiastas do plano de criar uma associação química. A Dow, então, era apenas uma importadora de produtos químicos, sem fabricação local. O atual presidente da companhia para a América Latina, Pedro Suarez, relatou a situação da companhia na região, na qual 86 distribuidores realizam vendas anuais da ordem de US$ 890 milhões. “Há cinco anos, tínhamos mais de duzentos distribuidores que vendiam menos de US$ 400 milhões por ano, situação que nos obrigou a uma profunda reformulação”, comentou.

Química e Derivados, Bernardo Gradin, presidente da Braskem e do conselho diretor da Abiquim, EBDQUIM - Associquim comemora 50 anos reunindo a indústria e a distribuição química para fortalecer a cadeia de produção
Gradin: sem decisão final sobre as distribuidoras da Braskem

Suarez salientou a importância da distribuição para o crescimento de qualquer indústria química no Brasil, recomendando enfocar o crescimento contínuo para alavancar a operação, priorizar o cliente, oferecendo alternativas de produtos e serviços, gerar e fortalecer parcerias na cadeia produtiva, apoiar o desenvolvimento tecnológico, promover a troca de experiências entre clientes e indústria e atuar de forma sustentável. “Precisamos ser mais ousados em relação aos produtos, à sociedade e ao meio ambiente, buscando aprimoramento constante”, afirmou. “Investimentos nisso sempre geram lucros.”

De forma semelhante se manifestou Juan Parodi, presidente da Eastman na América Latina, região que apresenta taxas de crescimento em torno de 20% ao ano, liderada pelo Brasil. “Só conseguimos gerar valor na nossa cadeia de produção por meio da distribuição”, afirmou. A Eastman vende US$ 8 bilhões por ano em todo o mundo, sendo 55% desse valor referente aos Estados Unidos. A América Latina responde por apenas 7% do total, mas está crescendo. A companhia conta com 6.480 distribuidores em todo o mundo, dos quais 2.659 atuam na Europa e 533 na América do Sul.

A avaliação de Parodi para a situação atual, pós-crise, é a de um novo equilíbrio. O ponto mais importante da gestão dos negócios está em manter positivo o fluxo de caixa, com eficiente manejo da volatilidade dos preços. “Precisamos dar respostas rápidas para todos os movimentos de mercado para ganhar valor”, salientou. As operações devem ser sustentáveis e estão sendo direcionadas para os mercados emergentes.

Em escala global, antes da crise, a ênfase em aspectos regulatórios era dominante, situação ainda mantida, embora os custos sejam considerados exagerados. Os movimentos de consolidação geraram distribuidores de porte gigante e atuação global, pouco visíveis no Brasil, ainda orientado por empresas regionais. A participação dos investidores em fundos de Private Equity era crescente, impondo uma visão de resultados a curto prazo. Segundo Parodi, a consolidação e a globalização da distribuição mudam muito a cultura e o planejamento dessas empresas. Nesse cenário sempre havia espaço para a otimização de portfólio.

No caso brasileiro, ele afirma que o país precisa melhorar sua infraestrutura e suas operações logísticas para poder crescer a um ritmo constante por um período longo. Ele também sente a necessidade de reduzir os entraves burocráticos, especialmente os exigidos para o recolhimento de tributos. “Quem quiser crescer deverá contar com parceiros fortes”, afirmou.

A segunda maior etoxiladora do mundo, a Oxiteno, com suas dez fábricas espalhadas pelo Brasil, México e Venezuela, também aposta no fortalecimento dos distribuidores para atingir maior número de clientes. “Investimos muito na gestão do canal de distribuição”, comentou Maurício Lopes, gerente-comercial da Oxiteno. Ele se refere à criação de estratégias e políticas específicas entre a produtora e seus sete distribuidores, dos quais três de alcance nacional (Agroquímica Maringá, Brenntag e M.Cassab) e quatro regionais (Morais de Castro, GAP, Produquim e Nordesquim). A rede responde por R$ 90 milhões em vendas, equivalentes a quase 12% das vendas totais da Oxiteno, ou 20%, quando excluídas as exportações. Esse canal atende a mais de cinco mil clientes e obtém crescimento médio de negócios de 10% ao ano nos últimos exercícios.

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