Química

Drones atacam Aramco e atingem petroquímica global

Quimica e Derivados
19 de setembro de 2019
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    Ataque de drones contra a Saudi Aramco interromperá severamente o suprimento de GNL e petroquímicos, mais que o de petróleo, com forte impacto sobre a economia global e a dinâmica geopolítica.

    Danos às instalações de Abqaiq

    Foto divulgada pelo governo dos EUA mostra os pontos atacados na unidade de processamento

    por Joseph Chang*

    O ataque de drones contra instalações da Saudi Aramco e sua infraestrutura básica terá amplos efeitos nos mercados globais de energia e petroquímica, bem como na economia mundial, com a elevação dos preços do petróleo e a interrupção da oferta de gás natural. Os ataques de 14 de setembro atingiram o campo de Khurais e o site de Abqaiq, a maior unidade de processamento de petróleo e gás natural do mundo.

    A Aramco suspendeu inicialmente metade de sua produção de petróleo, ou seja 5,7 milhões de barris diários. Em 17 de setembro, anunciou oficialmente que a instalação retomou o processamento de 2 milhões de bpd de óleo e que a companhia prevê voltar ao ritmo normal de operação até o fim do mesmo mês. A mensagem oficial não fez menção alguma ao estado atual da produção de etano ou de gás natural liquefeito (GNL). No entanto, o problema com o gás natural deve ser o maior.

    “Enquanto a Aramco deve retomar a produção total de óleo em poucos dias ou em uma semana, ela continuará a queimar nos flares o gás associado no campo de Gawar, produzindo apenas o tanto que as unidades ainda intactas em Abqaiq consigam processar”, afirmou Dan Lippe, gerente associado da Petral Consulting, em 16 de setembro. “Sem informações definitivas, podemos dizer com alguma certeza que o suprimento de GNL permanecerá reduzido por alguns ou mesmo vários meses.”

    Os preços dos crus subiram no dia 16, com os contratos futuros de Brent atingindo pico de US$ 69,02, alta de 15%, e o WTI dos EUA também registrou 15% de alta, indo a US$ 62,90. As cotações do Brent recuaram 7% e o WTI 6% no dia seguinte, após a divulgação do rápido reestabelecimento da oferta.

    “O valor do cru tem uma correlação positiva de 80% ao Icis Petrochemical Index (Ipex). Um aumento de US$ 10/bbl no Brent geralmente provoca elevação de 5,5% nos preços de mercado dos petroquímicos do Ipex”, disse James Ray, consultor sênior da Icis. “Quanto mais adiante na cadeia de valor petroquímica está um produto, menor será o impacto do preço do óleo, porém quase todos os produtos sofrerão pressão de alta em algum grau.”

    Uma oscilação de US$ 10/bbl no preço do petróleo repercutirá em 5,5 centavos de dólar por libra de etileno/polietileno (ou US$ 121/t) e em US$ 67/t no preço do metanol, estimou Hassan Ahmed, analista da Alembic Global Advisors.

    Impacto direto – Há um impacto direto nas operações químicas da Saudi Aramco. Em 14 de setembro, o novo ministro da energia saudita Abdulaziz bin Salman apontou o corte de 50% na produção de etano e GNL. Os ataques ameaçaram 10% do suprimento global de etileno, conforme análises do banco de dados da Icis Supply&Demand.

    A Sabic ressaltou interrupção de 49%, em média, no fornecimento de matéria-prima para seus sites de produção espalhados pelo reino.
    Possuem operações em Jubail a Sabic e suas afiliadas, Tasnee, Sipchem e Advanced Petrochemical, bem como as joint ventures da Saudi Aramco com Chevron (S-Chem) e Dow (Sadara), apontou Ahmed, da Alembic.

    A Arábia Saudita é o maior exportador de petroquímicos e polímeros para a Ásia e Europa, também exporta óleo cru para refinarias e unidades petroquímicas asiáticas, para as quais a interrupção de suprimento pode inibir a produção local. O aumento do preço do petróleo atingirá a indústria petroquímica europeia e asiática, ambas dependentes de cargas de nafta derivadas de petróleo.

    Competitividade dos EUA aumenta – O aumento de preço do petróleo eleva a competitividade e as margens dos produtores americanos de produtos petroquímicos, os quais geralmente consomem etano de gás natural, além de propano e butano. Quando o petróleo fica mais caro, ele puxa para cima os preços das resinas e dos derivados petroquímicos. As margens americanas de petroquímicos, apoiadas pelo abundante etano obtido do shale gas, ficarão mais dilatadas.
    O preço das ações das indústrias químicas de commodities disparou em 16 de setembro, com notáveis avanços nos ganhos da LyondellBasell (+4%), Westlake Chemical (+5%) e Methanex (+8,9%). Dow subiu 1,6%.

    “Podemos ver três impactos principais: os produtores americanos aumentarão sua vantagem nos custos; eles também aumentarão sua participação nas exportações, bem como sua margem de lucro pelo aumento global dos preços dos petroquímicos”, avaliou Ahmed, da Alembic.

    Caso a produção de GNL saudita fique severamente limitada por meses, isso terá profundo impacto nas importações de propano e petroquímicos da China, ao ponto de poder provocar mudanças na sua política comercial, como avalia Lippe, da Petral. “O corte nas exportações de propano de Ras Tanura (Arábia Saudita) é suficiente para desequilibrar o balanço de oferta e demanda na Ásia. Muito provavelmente, a China deverá suspender as tarifas sobre importações de propano dos Estados Unidos”, disse o especialista. “Uma vez que está curto o suprimento de etano para a produção de etileno da Sabic, as suas exportações de polietileno serão reduzidas e a China deverá suspender também as tarifas de importação de resinas com origem nos EUA”, aduziu.
    Mesmo que a China não suspenda as tarifas sobre propano e polietileno americanos, o país ficará mais propenso a buscar um acordo comercial com os EUA.



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