Domissanitários – Consumidor fica mais sofisticado e demanda produtos inovadores e sustentáveis

química e derivados, domissanitáriosO aumento de renda da população brasileira está gerando um forte impacto na produção de domissanitários. Além dos negócios estarem em alta, o consumidor se sofistica e busca produtos capazes, mais do que apenas cumprir as funções de limpar e desinfetar, de agregar funções ligadas ao bem-estar, proporcionando um clima mais agradável. “A praticidade é outro item que conta muito para o consumidor brasileiro. Daí o destaque nos últimos anos de categorias como os limpadores multiuso e os purificadores de ar”, comenta Maria Eugênia Saldanha, presidente executiva da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins (Abipla).

“O consumidor amadureceu e o aumento de renda leva à aquisição de produtos de melhor qualidade”, observa Rogério da Costa Silva, gerente comercial da Carbocloro. Na opinião de Marcelo Amaral, gerente de marketing da Basf, o mercado brasileiro de limpeza passa por um período de muitas transformações: “O lançamento de produtos concentrados e versões líquidas são evidências marcantes do processo de maior diversificação de produtos.”

Amaral compartilha a ideia de que os consumidores estão mais exigentes, principalmente os oriundos das classes B e C. “Como consequência do aumento da renda disponível, há uma maior demanda por produtos inovadores e diferenciados. Vale também destacar o forte crescimento orgânico de algumas plataformas, com destaque para lava-roupas. O baixo consumo per capita no Brasil, comparado a países desenvolvidos, e a crescente participação dos líquidos são sinais de grande potencial de crescimento para os próximos anos”, raciocina, otimista.

Maria Eugênia também destaca a inovação como outro fator importante e que leva à disponibilidade de produtos diferenciados no mercado, para atender a um número cada vez maior de pessoas. “Entre os diferenciais dos produtos de limpeza nacionais estão fatores como o uso de componentes e fragrâncias ligados à biodiversidade brasileira; o desenvolvimento de novos formatos e fórmulas; o dinamismo para criar produtos que tragam agilidade, rapidez e facilidade; a adequação dos produtos aos hábitos de consumo da população local, além da alta qualidade com preços competitivos, com um portfólio suficiente para atender aos diferentes perfis de consumidores”, sintetiza a presidente executiva da Abipla.

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Lopes: detergente líquido abre novas opções para formuladores

O gerente do negócio de Home & Personal Care da Oxiteno, Maurício Lopes, completa que, para esse mercado, inovação significa dispor de produtos de qualidade. “Cada vez mais, os brasileiros enfrentam a dupla jornada ao trabalhar dentro e fora de casa. Por isso, precisam contar com produtos eficientes e práticos para cuidar da casa.”

Por essa razão, Lopes diz existir uma tendência muito forte em relação à mudança do detergente lava-roupa em pó para a forma líquida, como se dá na maioria dos outros produtos. E se trata de uma mudança bastante significativa, pois essa é uma das categorias mais representativas de domissanitários. “A grande vantagem é que a forma líquida proporciona mais condições para que o formulador desenvolva experiências sensoriais para o consumidor final: alterações na consistência, na cor, perfume, entre outras”, observa.

A migração do detergente lava-roupa em pó para o líquido coincide com uma tendência já observada nos mercados americano e europeu. A adoção dessa nova tecnologia implica na mudança do tensoativo aniônico, que é o principal tensoativo da formulação. Lopes explica que o detergente líquido faz com que haja uma redução no consumo do LAS, ou alquilbenzeno sulfonato linear, e um aumento no consumo do LESS, ou lauril-éter sulfato de sódio.

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Tabela 1: Importações avançam nos domissanitários - Clique para ampliar

“A Oxiteno já apresenta a sua linha Alkopon, com o LESS, que facilita bastante a produção dos detergentes por parte dos fabricantes, uma vez que o LESS é mais compatível com enzimas, melhorando o desempenho final do detergente. Em relação aos chamados tensoativos não-iônicos, que são representados principalmente pelos álcoois graxos etoxilados, a Oxiteno tem a linha Alkonat L, já bem conhecida no mercado”, afirma o executivo.

Tendências – Outro movimento interessante, como aponta Lopes, é o uso de produtos mais suaves para o consumidor e menos agressivos ao meio ambiente. “Sem dúvida, a questão da sustentabilidade não é moda e chega ao mercado de domissanitários para elevar os padrões de qualidade.”

Nesse campo, o gerente de pesquisa e desenvolvimento de Home & Personal Care da Oxiteno, Adão Mattos, revela que a empresa está desenvolvendo novas formulações, mais eficientes, para a remoção de manchas típicas do Brasil e, ainda, com insumos oriundos de fontes renováveis. Também se trabalha em outra frente: em novos solventes e tensoativos para multiuso e novos coalescentes para ceras.

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Amaral: embora tenha crescido, consumo per capita ainda é baixo

“Esses novos solventes e tensoativos são fundamentais para a limpeza doméstica, pois proporcionarão a facilidade de limpar superfícies distintas com formulações sustentáveis e mais eficientes, que não exigirão mais força para remover manchas ou a sujeira. Já as inovações em coalescentes para as ceras farão, literalmente, os olhos dos consumidores brilharem, pois, além de serem compostos por carbonos renováveis, proporcionarão um brilho maior às superfícies”, declara Mattos.

Recentemente, a Basf lançou no mercado uma resina álcali solúvel para tratamento de pisos: Poligen ASR 3000. Foi, de acordo com Amaral, desenvolvida especialmente para a obtenção de filmes claros e transparentes, de elevado brilho e baixo índice de refração da luz: “Proporciona um ótimo nivelamento, tem superior resistência à água e é mais segura ao tráfego. É indicada para formulações de ceras domésticas e institucionais.”

A Basf vai lançar também um novo opalescente: Poliblanc AC 5. “Esta nova versão continua com o já conhecido excelente poder de opalescência, mas agora mais versátil. Pode ser utilizada em diversas aplicações, inclusive em sistemas críticos, como lava-roupas líquidos concentrados, por exemplo.” Outra inovação, prossegue o gerente de marketing, é o Lutropur MAS (ácido metanossulfônico), um ácido de limpeza biodegradável, sem cheiro e não volátil. Ele possui alto poder de limpeza e não agride as superfícies, podendo ser utilizado para remoção de ferrugem, limpadores sanitários e de metais, e na remoção de rejuntes.

Sem entrar em maiores detalhes, por enquanto, Amaral declara que a Basf tem um “cronograma extenso” de lançamentos previstos para 2012. Quanto à possibilidade de substituição de componentes, ele pondera: “Acreditamos que os principais desencadeadores de substituição ocorram devido a medidas regulatórias e restritivas. Os mercados dos Estados Unidos e da Europa, por exemplo, já possuem uma série de restrições para alguns componentes utilizados no mercado de produtos domissanitários.”

Transnacional de origem alemã, fundada em 1865, com sede em Ludwigshafen, e há 101 anos no Brasil, a Basf oferece ao mercado, por meio de sua unidade de negócio de Limpeza Doméstica e Profissional, polímeros solúveis em água, aditivos para detergentes, como, por exemplo, inibidores de transferência de cor, surfactantes não iônicos, surfactantes aniônicos, antiespumantes, agentes quelantes, ceras e emulsões de ceras, biocidas, dispersantes, branqueadores ópticos, modificadores reológicos e agentes opalescentes, entre outros.

Empresa química brasileira com atuação global e líder na produção de tensoativos e produtos químicos especializados na América Latina, para aplicações nos mercados de cuidados pessoais, domissanitários, tintas e vernizes, agroquímicos, óleo e gás, a Oxiteno continua em expansão. Lopes relata que, recentemente, a empresa fez duas aquisições, uma delas no Uruguai. “Buscamos atender à demanda corrente do segmento, seja por investimentos em nossas unidades ou mediante aquisições. No que tange à inovação, a Oxiteno tem planos audaciosos e os próximos lançamentos serão anunciados na feira HouseHold deste ano”, afirma.

A Oxiteno produz toda a linha de tensoativos utilizada em domissanitários. Destaque para os tensoativos aniônicos, amplamente utilizados como o principal agente de limpeza e formação de es-puma nas formulações de lava-roupas, lava-louças, limpadores de superfície e produtos para toaletes. Também produz os cotensoativos, como as betaínas, que, quando associadas ao tensoativo aniônico, melhoram o desempenho da formulação e reduzem a irritabilidade, e ainda melhoram a espuma e a viscosidade.

A Oxiteno também fabrica emulsionantes, que podem ser utilizados em formulações de inseticidas à base de água e os óleos minerais, utilizados como solventes em formulações de inseticidas e também em ceras de chão. Segundo Lopes, os tensoativos aniônicos são amplamente utilizados em formulações de lava-roupas e lava-louças e são fundamentais para a remoção da sujeira e a formação de espuma. Os cotensoativos, como as betaínas e as amidas, agregam suavidade e maior espessamento para as formulações.

“Dentro do seu conceito Greenformance de entregar performance com sustentabilidade, a Oxiteno adota práticas de processo de modo que seus insumos atendam aos mais rigorosos requisitos de qualidade da indústria cosmética e esse rigor é integralmente transferido para o mercado de domissanitários”, assegura Lopes.

Hipoclorito de sódio – Maior fabricante do produto mais usado para desinfecção doméstica, o hipoclorito de sódio (água de lavadeira ou cândida), a Carbocloro tem uma capacidade instalada de 400 mil toneladas/ano, a 12% de concentração, e considera esse produto “imbatível” nessa aplicação. Estatísticas da Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados (Abiclor) indicam que, no ano passado, a produção no país de hipoclorito de sódio foi de 67.600 toneladas (66 mil t em 2010).

“Não há como competir com o hipoclorito de sódio em termos de custo e poder bactericida”, garante Silva. Ele não acredita que haja uma reversão dessa tendência nem a médio prazo. O que há no mercado são os novos alvejantes isentos de cloro.

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Silva: hipoclorito alia poder bactericida com baixo custo

Silva ressalta que a Carbocloro é um player “muito importante” no mercado de domissanitários, capaz de atender em qualquer região do Brasil. “Tratamos o hipoclorito como core business, pois esse segmento representa 20% das nossas vendas”, adiciona. Ele considera que, nesse mercado, a Carbocloro leva vantagem porque os clientes buscam qualidade e garantia de fornecimento.

Com quase 50 anos no mercado, resultado de joint-venture entre a brasileira Unipar com a OxyChem, maior fornecedora de cloro-soda dos Estados Unidos, a Carbocloro quer manter a sua forte posição no mercado nacional e, para tanto, não deixa de investir na produção. Silva conta que, em 2008, a empresa iniciou a operação de uma nova eletrólise, com tecnologia de membrana, disponibilizando mais soda cáustica para atender ao crescimento da demanda deste produto em vários outros setores (químicos, celulose, alimento, metais, entre outros).

“Como este produto tem teor residual um pouco mais baixo de metais, acabamos por direcionar parte de sua produção para a fabricação do hipoclorito de sódio. Com isso, o hipoclorito de sódio ficou com a sua qualidade, já reconhecida pelo mercado, ainda melhor.” Ele garante que o hipoclorito da Carbocloro tem qualidade padrão no mercado. “Vale ressaltar que todos os tipos de soda fabricados pela Carbocloro são também reconhecidos por sua qualidade em mercados similares, como fabricação de sabões e outros produtos domissanitários”, destaca Silva.

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Maria Eugenia: setor estimula inovação ao buscar diferenciais

Mercado – A presidente executiva da Abipla, Maria Eugênia Saldanha, está otimista com relação ao desempenho do setor em 2012, que deve repetir a performance dos últimos anos, com indicadores acima da taxa de expansão do PIB. “A expectativa de crescimento é de dois a três pontos percentuais acima do aumento do PIB, em razão da importância dos produtos de limpeza na cesta de compras do brasileiro, que vem buscando cada vez mais produtos diferenciados, ligados à praticidade e ao bem-estar”, declara.

Pelos dados da Abipla, o setor, que em 2003 movimentava R$ 9 bilhões, deve fechar 2012 com negócios da ordem de R$ 15 bilhões (R$ 14,4 bilhões em 2011, ano em que o crescimento foi de 6,7% em comparação com o exercício anterior).

Silva, da Carbocloro, é ainda mais otimista que Maria Eugênia. Ele dispõe de indicadores que mostram que houve um crescimento de 5% no período de um ano até fevereiro de 2012. Para os 12 meses deste ano, ele espera um salto de 7%, em relação a 2011. Nos anos seguintes, ele prevê que as taxas de crescimento variem de 5% a 7% ao ano.

Denominados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como saneantes, os produtos de limpeza englobam todos aqueles destinados à limpeza de superfícies, desinfecção, desinfestação, higienização, sanitização, desodorização e odorização de ambientes, além de produtos para tratamento de água para consumo humano, hortifrutícolas e piscinas.

Maria Eugênia explica que, antes de serem comercializados, os produtos saneantes devem ser regularizados perante a Anvisa, ou seja, devem ser registrados ou notificados, conforme o grau de risco de cada um. Existem duas classificações de risco: 1 e 2. Os produtos de risco 1 devem ser notificados. São aqueles de menor risco para a saúde do consumidor e não precisam de laudos para comprovação de eficácia, como detergentes, limpadores, amaciantes, entre outros.

Já os produtos de risco 2 apresentam maior risco para a saúde humana, caso dos produtos limpa-fornos, ácidos ou alcalinos, ou que precisam de comprovação de eficácia, como é o caso dos desinfetantes. Nesse caso, os produtos devem ser registrados antes de chegar ao mercado.

Desde 2009 está em vigor o Sistema de Notificação Online, procedimento que facilita a comercialização dos produtos de risco 1. Sem custo para o empresário, o produto pode ser comercializado 24 horas depois do envio da petição eletrônica de notificação. A Abipla teve intensa participação no processo de negociação com a Anvisa para a implementação do sistema, uma vez que representa um fator de contribuição a mais no combate à informalidade. “Antes disso, a autorização para uma notificação podia levar até 30 dias”, informa a presidente executiva da Abipla.

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Tabela 2: Mercado nacional em expansão - Clique para ampliar

Além da regularização do produto, as empresas fabricantes também devem ser regularizadas. O funcionamento exige a obtenção de licenças ambientais e sanitárias, garantindo a qualidade do produto utilizado pelo consumidor e o controle ambiental, a fim de diminuir a poluição que pode ser causada por um processo produtivo sem controle.

O setor também conta com atualizações no que se refere à regulamentação. Em 2010, por exemplo, a Anvisa revisou a portaria 89/94, referente à água sanitária, alvejante à base de hipoclorito e alvejante concentrado à base de hipoclorito. “A revisão reconheceu a água sanitária como ferramenta de combate às larvas do mosquito da dengue, o Aedes aegypti. A resolução mantém algumas regras para os dizeres do modo de uso da água sanitária em cada situação: produto destinado à desinfecção de água para consumo humano e desinfecção de caixas-d’água e de hortifrutícolas, por exemplo. Além disso, cria uma nova categoria de produtos, a de alvejantes concentrados, que são comercializados em forma de sachê, com teor de 3,9% a 5,6% de cloro”, conclui Maria Eugênia.

Um Comentário

  1. Bom Dia.
    Sou Farmaceutico-Bioquimico e estou auxiliando a empresa Inset-Disque na montagem de surfactantes para aplicações com produtos contra pragas, tais como cupins, etc. Nos USA encontrei o produto Pro Foam Platinum e estou interessado em saber se a Oxiteno tem como nos auxiliar na montagem deste projeto com formulações ou com o produto já pronto com surfactantes para utilização em aplicações.
    Desde já agradeço a atenção.
    Nilton.

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