Química

Distribuidores Químicos – Investimentos em construção civil decepcionaram

Marcelo Fairbanks
10 de fevereiro de 2014
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    “Os segmentos que apresentaram melhor desempenho foram os destinados a produtos de consumo final, como alimentação, saúde, cuidados pessoais e com o lar, refletindo o aumento do poder de compra dos brasileiros nos últimos anos e o desejo deles por esses itens”, comentou Medrano.

    Em contrapartida, os segmentos de tintas e materiais de construção iniciaram o ano com fortes expectativas de crescimento, mas geraram resultados decepcionantes. “Alguns fatores políticos e econômicos contribuíram para esse fraco desempenho”, explicou.

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    Distribuidores – Ano curto com a realização da Copa do Mundo

    Os distribuidores estão se preparando para uma nova rodada de dificuldades em 2014. A previsão é de um ano tumultuado, com a realização da Copa do Mundo de Futebol e de eleições para vários cargos federais e estaduais.

    “O número de dias úteis no ano é essencial para o comércio; com essas interferências, com certeza haverá uma distribuição anormal de compras durante o ano”, avaliou Armando Bighetti. A concentração de pedidos, por exemplo, poderá gerar uma grande dor de cabeça para o setor, pois as deficiências de transporte do país são notórias. Caso essa concentração coincida com o escoamento da safra de grãos, a situação será caótica.

    Como alternativa, os distribuidores podem ampliar seus estoques para acelerar o atendimento aos clientes mesmo nos picos de demanda. “Estoque se traduz em custos, uma consequência indesejável”, advertiu Bighetti. O controle rígido dos custos é fundamental no trabalho da distribuidora.

    Foresti, da Brenntag, também revela preocupação com o andamento da atividade em 2014. “O Brasil vai parar durante a Copa, ou seja, a produção industrial vai cair, o que é muito ruim para nós”, avaliou. A demanda por serviços de hotelaria, alimentação e telecomunicações durante o evento deve crescer significativamente, mas os reflexos disso no setor químico são pífios. “As obras de infraestrutura que foram prometidas para a Copa não foram feitas e isso resultará em dificuldades para o escoamento de produtos”, considerou.

    Além dos constrangimentos logísticos, Foresti aponta para a persistência dos entraves burocráticos que conspiram contra a atividade produtiva. “Ainda estamos sujeitos a um número excessivo de fiscalizações e licenças redundantes, não houve ganho significativo nesse campo”, criticou.

    Distribuidores – Planos revistos

    Com base nesses resultados, as distribuidoras refazem seus planos para o ano seguinte, buscando aproveitar melhor as oportunidades disponíveis. Ao contrário da indústria, que está atrelada a produtos definidos, a distribuição tem grande flexibilidade de atuação. Aproveitar bem essa característica significa gerar mais resultados.

    “Já temos todo o planejamento estratégico pronto para 2014, com o intuito de contrabalançar as deficiências dos segmentos que apresentaram resultados abaixo das expectativas em 2013 e reforçar as ações nos campos em que tivemos sucesso”, comentou Rodrigo D’Amaro. A meta para 2014 é novamente superar em 20% as vendas do ano anterior.

    “Estamos buscando soluções para sermos mais competitivos nas commodities”, disse Foresti.

    Nos solventes hidrocarbonetos, por exemplo, a atuação agressiva da BR Distribuidora, que retomou espaço de mercado em 2013, em detrimento dos demais concorrentes, afetou os resultados. Nos oxigenados, a situação se tornou difícil pela entrada no Brasil de grande volume de produtos importados, de várias origens e com preço baixo. “A proteção tarifária contra importações químicas, que vigorou até outubro, não ajudou os distribuidores, porque os fabricantes locais elevaram seus preços”, afirmou.

    Em compensação, as especialidades químicas deram boa contribuição para as vendas da Brenntag no país.

    “Durante os próximos anos, devemos ampliar nossa área de novos negócios, com ênfase nas especialidades e nos serviços oferecidos aos clientes”, afirmou Foresti. Esses produtos são direcionados para os setores de tintas e cuidados pessoais, incluindo biocidas.

    A quantiQ está perto de concluir seu planejamento quinquenal, que tem por meta alcançar o crescimento sustentável.

    “Queremos atuar de forma mais ampla, para satisfazer a todos os interessados, acionistas, clientes, colaboradores e a sociedade toda”, comentou Bighetti. Embora esse planejamento seja informado apenas ao público interno da companhia, ele deverá direcionar todas as suas ações estratégicas até 2018.

    Reinaldo Medrano, por sua vez, entende que 2013 projetou um cenário de instabilidades e incertezas para 2014.

    “A política econômica do governo terá um peso decisivo no desempenho do mercado para o próximo ano, porém eventos excepcionais, como a Copa do Mundo, as eleições e algumas privatizações no segmento dos portos, aeroportos e rodovias poderão contribuir positivamente no cenário macroeconômico”, apontou.



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