Distribuidores Químicos – Investimentos em construção civil decepcionaram

Distribuição: Investimentos em construção civil decepcionaram, mas houve crescimento nas especialidades

O ano de 2013 está acabando, e não vai deixar saudades. Pelo menos para grande parte dos distribuidores químicos nacionais.

As flutuações da taxa cambial, somadas às notórias deficiências de infraestrutura nacional, conspiraram contra o negócio.

Além disso, a perda da competitividade da produção local, especialmente em relação aos produtos norte-americanos, apoiados pelo barato shale gas, dificultou a obtenção de melhores margens. Os players, agora, revisam suas estratégias de atuação para aproveitar oportunidades e alcançar resultados melhores em 2014.

O ano de 2013 está acabando, e não vai deixar saudades. Pelo menos para grande parte dos distribuidores químicos nacionais. As flutuações da taxa cambial, somadas às notórias deficiências de infraestrutura nacional, conspiraram contra o negócio.

Além disso, a perda da competitividade da produção local, especialmente em relação aos produtos norte-americanos, apoiados pelo barato shale gas, dificultou a obtenção de melhores margens.

Os players, agora, revisam suas estratégias de atuação para aproveitar oportunidades e alcançar resultados melhores em 2014.

Química e Derivados, Foresti: excessos burocráticos continuam a prejudicar o setor
Foresti: excessos burocráticos continuam a prejudicar o setor

“Tivemos um ano difícil em 2013”, resumiu Luciano Foresti, diretor comercial da Brenntag Química do Brasil, subsidiária do poderoso grupo alemão, um dos líderes mundiais na distribuição química.

Ele comentou que muitas empresas entraram no mercado nacional em 2013, afetando mais as commodities, cujos preços ficaram em um patamar abaixo do desejável. “Perdemos volume e faturamento de vendas porque não conseguimos acompanhar algumas ofertas que surgiram”, lamentou.

A valorização do dólar ajudou a recompor a margem em alguns produtos.

“Cerca de 75% dos produtos que negociamos têm preços dolarizados e o dólar a R$ 2,20 contribuiu para alcançarmos resultado positivo em moeda nacional”, disse Foresti.

Em dólares, porém, o faturamento deve ficar abaixo do ano anterior.

Segundo Foresti, o desempenho da subsidiária brasileira até o terceiro trimestre foi o melhor da América Latina, região que está apresentando resultados decepcionantes, com exceção da Colômbia. “Neste ano, os Estados Unidos mostraram crescimento firme, a Europa iniciou uma recuperação e a Ásia continua sendo um forte consumidor, mas a nossa região andou de lado”, comentou.

Química e Derivados - Distribuidores - Investimentos em construção civil decepcionaram, mas houve crescimento nas especialidades
Distribuidores Químicos – Investimentos em construção civil decepcionaram, mas houve crescimento nas especialidades

Relatório da Brenntag, comparando o terceiro trimestre de 2013 com o de 2012, apontou um crescimento de vendas de 9,6% na América do Norte, com elevação de 7,2% no EBITDA. As vendas da distribuidora na Europa foram ampliadas em 2%, com EBITDA 17,3% maior, enquanto a Ásia/Pacífico ficou quase estável, com 0,1% de aumento de vendas e EBITDA 8,6% maior. Porém a América Latina registrou recuo de 1,2% nas vendas e de 2,5% no EBITDA. Os números globais da distribuidora indicam a venda de € 2,5 bilhões nesse trimestre, com 4,9% de acréscimo em relação ao terceiro trimestre de 2012, e aumento de 14,7% no EBITDA mundial.

Armando Bighetti, presidente da quantiQ (empresa da Braskem), maior distribuidora química nacional, espera encerrar o ano com aumento de faturamento em reais em relação ao ano anterior.

Química e Derivados, Bighetti: com menos dias úteis, 2014 pode ser pesadelo logístico
Bighetti: com menos dias úteis, 2014 pode ser pesadelo logístico

“Em dólar, nós nem estamos fazendo essa conta ainda”, disse, admitindo que a influência cambial deve ser negativa.

Bighetti atribui esse desempenho à tibieza da atividade industrial brasileira durante todo o ano. Apesar disso, os negócios nas atividades farmacêuticas, de cosméticos, alimentação humana e construção civil registraram evolução notável em 2013. De maneira diversa se comportaram os segmentos de grande volume, como tintas, borracha e energia, que ficaram bem abaixo do planejado no início do ano.

“No cômputo total, a rentabilidade operacional pode ser qualificada como baixa em 2013”, avaliou.

Ao contrário das anteriores, a Química Anastácio conseguiu superar as metas de crescimento estipuladas para o ano. “Quando elaboramos o plano estratégico para 2013, trabalhamos com a média de 20% de crescimento, mas nossa expectativa atual é de encerrar o ano com 23%”, informou Rodrigo D’Amaro, gerente estratégico de vendas da distribuidora. “Atingimos também a meta de lançamento de novos itens em todos os segmentos de atuação, fator decisivo para superarmos as metas estipuladas.”

D’Amaro informou que os segmentos alimentício, de poliuretanos e de cosméticos foram os que apresentaram melhores contribuições à companhia. Já a área de saúde animal, cujos prognósticos para o ano eram muito animadores, decepcionou, a ponto de indicar alteração de rumos no planejamento para 2014.

Também a Makeni-IMCD Group (resultado da compra de participação majoritária da distribuidora nacional pelo grupo holandês) aferiu aumento de 10% em seus negócios durante 2013, segundo estimativas de Reinaldo Medrano, CEO da Makeni-IMCD Group Brasil, com base em números preliminares.

Química e Derivados, Medrano: decisões do governo afetarão o humor dos mercados
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“Os segmentos que apresentaram melhor desempenho foram os destinados a produtos de consumo final, como alimentação, saúde, cuidados pessoais e com o lar, refletindo o aumento do poder de compra dos brasileiros nos últimos anos e o desejo deles por esses itens”, comentou Medrano.

Em contrapartida, os segmentos de tintas e materiais de construção iniciaram o ano com fortes expectativas de crescimento, mas geraram resultados decepcionantes. “Alguns fatores políticos e econômicos contribuíram para esse fraco desempenho”, explicou.

Distribuidores – Ano curto com a realização da Copa do Mundo

Os distribuidores estão se preparando para uma nova rodada de dificuldades em 2014. A previsão é de um ano tumultuado, com a realização da Copa do Mundo de Futebol e de eleições para vários cargos federais e estaduais.

“O número de dias úteis no ano é essencial para o comércio; com essas interferências, com certeza haverá uma distribuição anormal de compras durante o ano”, avaliou Armando Bighetti. A concentração de pedidos, por exemplo, poderá gerar uma grande dor de cabeça para o setor, pois as deficiências de transporte do país são notórias. Caso essa concentração coincida com o escoamento da safra de grãos, a situação será caótica.

Como alternativa, os distribuidores podem ampliar seus estoques para acelerar o atendimento aos clientes mesmo nos picos de demanda. “Estoque se traduz em custos, uma consequência indesejável”, advertiu Bighetti. O controle rígido dos custos é fundamental no trabalho da distribuidora.

Foresti, da Brenntag, também revela preocupação com o andamento da atividade em 2014. “O Brasil vai parar durante a Copa, ou seja, a produção industrial vai cair, o que é muito ruim para nós”, avaliou. A demanda por serviços de hotelaria, alimentação e telecomunicações durante o evento deve crescer significativamente, mas os reflexos disso no setor químico são pífios. “As obras de infraestrutura que foram prometidas para a Copa não foram feitas e isso resultará em dificuldades para o escoamento de produtos”, considerou.

Além dos constrangimentos logísticos, Foresti aponta para a persistência dos entraves burocráticos que conspiram contra a atividade produtiva. “Ainda estamos sujeitos a um número excessivo de fiscalizações e licenças redundantes, não houve ganho significativo nesse campo”, criticou.

Distribuidores – Planos revistos

Com base nesses resultados, as distribuidoras refazem seus planos para o ano seguinte, buscando aproveitar melhor as oportunidades disponíveis. Ao contrário da indústria, que está atrelada a produtos definidos, a distribuição tem grande flexibilidade de atuação. Aproveitar bem essa característica significa gerar mais resultados.

“Já temos todo o planejamento estratégico pronto para 2014, com o intuito de contrabalançar as deficiências dos segmentos que apresentaram resultados abaixo das expectativas em 2013 e reforçar as ações nos campos em que tivemos sucesso”, comentou Rodrigo D’Amaro. A meta para 2014 é novamente superar em 20% as vendas do ano anterior.

“Estamos buscando soluções para sermos mais competitivos nas commodities”, disse Foresti.

Nos solventes hidrocarbonetos, por exemplo, a atuação agressiva da BR Distribuidora, que retomou espaço de mercado em 2013, em detrimento dos demais concorrentes, afetou os resultados. Nos oxigenados, a situação se tornou difícil pela entrada no Brasil de grande volume de produtos importados, de várias origens e com preço baixo. “A proteção tarifária contra importações químicas, que vigorou até outubro, não ajudou os distribuidores, porque os fabricantes locais elevaram seus preços”, afirmou.

Em compensação, as especialidades químicas deram boa contribuição para as vendas da Brenntag no país.

“Durante os próximos anos, devemos ampliar nossa área de novos negócios, com ênfase nas especialidades e nos serviços oferecidos aos clientes”, afirmou Foresti. Esses produtos são direcionados para os setores de tintas e cuidados pessoais, incluindo biocidas.

A quantiQ está perto de concluir seu planejamento quinquenal, que tem por meta alcançar o crescimento sustentável.

“Queremos atuar de forma mais ampla, para satisfazer a todos os interessados, acionistas, clientes, colaboradores e a sociedade toda”, comentou Bighetti. Embora esse planejamento seja informado apenas ao público interno da companhia, ele deverá direcionar todas as suas ações estratégicas até 2018.

Reinaldo Medrano, por sua vez, entende que 2013 projetou um cenário de instabilidades e incertezas para 2014.

“A política econômica do governo terá um peso decisivo no desempenho do mercado para o próximo ano, porém eventos excepcionais, como a Copa do Mundo, as eleições e algumas privatizações no segmento dos portos, aeroportos e rodovias poderão contribuir positivamente no cenário macroeconômico”, apontou.

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