Distribuição – Vendas crescem, superando os efeitos da pandemia

Alta capacidade de adaptação aos momentos de crise, apesar dos entraves logísticos

No período da pandemia, Tarantino observou uma alteração do tíquete médio dos pedidos, atribuindo-a aos aumentos nos preços das matérias-primas importadas e nacionais, devido ao transporte de mercadorias provenientes da Ásia e à falta de fatores de produção para alguns segmentos. Isso fez com que mercados aparentemente normais sofressem com a escassez de produtos básicos para a produção.

“Os mercados industriais em geral têm representado o maior crescimento durante este período”, informou.

Nesse sentido, ele considera importante para os clientes contar com a parceria com um distribuidor especializado, como o grupo IMCD.

“Não somos apenas um distribuidor, estamos no negócio para fornecer apoio técnico e soluções como um parceiro fiável aos nossos clientes, mantemos ligações estreitas com fornecedores e clientes para coordenar o planejamento avançado de longo prazo”, disse.

O grupo mantém produtos armazenados em armazéns estrategicamente localizados para servir as necessidades dos clientes.

“Isso é um benefício para os clientes, quando ocorrem exigências inesperadas, ter um fornecedor local como nós constitui uma rede de segurança na entrega rápida de produtos”, afirmou.

Segundo Tarantino, por manter uma política de parceria e transparência total com os principais fornecedores, o grupo é pouco afetado mesmo em momentos de crise, como o atual.

“Tivemos alguns atrasos ocasionais devido a navios, embalagens e paradas de produção, mas nossos níveis de estoques foram planejados para suprir nossos clientes, asseguramo-nos que nenhum deles fosse prejudicado ou paralisado”, ressaltou.

A forte elevação de demanda por produtos de higiene e limpeza provocou uma alteração no perfil de demanda. Tarantino não vê, até o momento, sinais de um regresso aos níveis pré-pandêmnicos.

“O que vemos são novos artigos e novas marcas que entraram no mercado com perfil inovador, utilizando produtos alternativos aos tradicionais; há um novo perfil de consumidor e também novas formas de aquisição de produtos que devem continuar com exigências elevadas”, ponderou.

BandeiranteBrazmo – A pandemia desencadeou um processo de mudança comportamental não só do mercado químico, mas dos consumidores em geral, na avaliação de Carlos Marin, diretor da Bandeirante Brazmo.

Química e Derivados - Distribuição - Vendas crescem, superando os efeitos da pandemia ©QD Foto: iStockPhoto
Carlos Marin, diretor da Bandeirante Brazmo

“Em um espaço muito curto de tempo, a Covid-19 afetou a dinâmica de vida de toda a população mundial e, por consequência, provocou fortes impactos no perfil de consumo das indústrias de transformação”, comentou Marin.

“A insegurança da população no que tange às condições sanitárias e ao gerenciamento político desta crise sem precedentes na história moderna potencializou as incertezas e os questionamentos futuros, gerando uma desconfiguração da ordem tradicional, cenário amplamente favorável ao aparecimento de oportunidades em alguns mercados e graves crises em outros.”

Para o diretor, o efeito gerado no mercado de distribuição de químicos pode ser percebido com o incremento de demanda de segmentos alavancados pela pandemia, acentuando o consumo de clientes inseridos nos segmentos do agronegócio, domissanitários e embalagens (neste caso, favorecidos pelo aumento das vendas online).

Além disso, Marin informou que, na retomada do consumo, grandes clientes que tradicionalmente realizam suas aquisições diretamente dos fabricantes recorreram às empresas de distribuição para reabastecer os seus estoques locais, devido à grande incerteza de planejamento de demanda futura, bem como às incertezas de logística, por exemplo, a indisponibilidade de contêineres.

No caso dos insumos para domissanitários e itens de higiene, Marin verifica uma acomodação após o boom inicial de consumo, mas em um patamar superior ao tradicional antes da pandemia.

“A nova cultura e a conscientização de grande parte da população na busca da segurança sanitária proporcionou esta elevação do patamar de consumo e é um caminho sem volta, pois os efeitos psicológicos gerados pela pandemia, bem como a percepção que eventos desta natureza não são apenas de ficção científica, mas existem na vida real, alteraram sustentavelmente o perfil de gastos do consumidor”, avaliou.

Nesse período, porém, houve dificuldades de abastecimento de produtos químicos. “Ainda nos deparamos com problemas de disponibilidade e de logística, mas de uma maneira mais pontual em alguns segmentos específicos e não de forma generalizada como nos últimos seis meses”, informou Marin.

Segundo disse, não foi acentuado o recurso a novas fontes de suprimentos, geralmente soluções alternativas em momento de escassez.

“Havia uma falta de capacidade generalizada nos diferentes fabricantes, a busca por fornecedores locais foi priorizada de forma geral, buscando que os fatores logísticos não fossem mais uma variável de risco na política de ressuprimento das empresas”, comentou.

Na Bandeirante Brazmo, por exemplo, a política de estoques foi alterada com algumas elevações, principalmente em linhas de produtos internacionais.

Nessas condições, era inevitável uma alta nas cotações internacionais, situação agravada no Brasil pela desvalorização do real.

“Como o mix de produtos na distribuição é enorme, houve produtos com impactos de preço acima de 50% e, na média geral, um incremento de 20%”, relatou o diretor.

Ele ressaltou que movimento tão agudo em curto espaço de tempo não ocorria de forma generalizada no país há mais de dez anos. Isso pressionou os resultados e afetou os investimentos na produção industrial química.

“Com a pandemia, a queda dos volumes em relação aos anos anteriores foi compensada pelo aumento da base de preços, proporcionando um resultado inimaginável no início da crise”, comentou.

“No curto prazo, não acredito que os mercados estejam estabilizados e o equilíbrio entre oferta e demanda proporcione um declínio de preço aos patamares anteriores ao da pandemia; deve haver um pequeno retrocesso na base de preço devido à redução do poder aquisitivo do consumidor final, mas não acredito em impactos ainda neste ano”, adiantou.

Coremal – O comportamento da demanda por produtos químicos variou muito desde o início da pandemia de Covid-19, como atesta João Jensen, diretor comercial da Coremal, para quem 2020 teve dois momentos distintos.

De março a julho, ele apontou que a demanda foi muito afetada pela pandemia, devido à insegurança em toda a cadeia de valor e pela necessidade de redução de estoque e produção, desde o produtor até o ponto de venda.

Química e Derivados - Distribuição - Vendas crescem, superando os efeitos da pandemia ©QD Foto: iStockPhoto
João Jensen, diretor comercial da Coremal

“Grande parte dos produtos teve redução de procura, o que acarretou uma desaceleração em todas as cadeias, com exceção dos insumos para a cadeia produtiva de saneantes e de higiene pessoal, os quais tiveram uma explosão de consumo, caso, por exemplo, do etanol e dos espessantes”, afirmou.

Outro momento começou em agosto, com a retomada do consumo, mesmo que timidamente, em alguns segmentos.

“Com isso, grande parte dos estoques já reduzidos no início da pandemia foi rapidamente consumida e a dificuldade de reposição, tanto no mercado local – com alto backlog de pedidos ou por falta de matérias-primas e embalagens –, como nas importações – nesse caso pela baixa disponibilidade de produtos e de contêineres –, provocou um desequilíbrio forte em grande parte das cadeias principais de produtos químicos”, salientou Jensen.

Esse desequilíbrio de oferta e demanda se atenuou a partir do início de 2021, com uma atividade industrial mais acelerada, o que gerou um forte impacto nos preços, com várias cadeias com preços em patamares muito altos, desencadeando uma pressão inflacionária forte.

“Houve também outros eventos não planejados, como o inverno congelante no Texas, que impactaram de maneira expressiva boa parte das commodities químicas”, disse o diretor.

Jensen comentou que algumas cadeias de produtos químicos permanecem com dificuldades de suprimento, com perspectiva de melhora até o final do ano.

Página anterior 1 2 3 4 5 6 7 8Próxima página

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios