Distribuição – Vendas crescem, superando os efeitos da pandemia

Alta capacidade de adaptação aos momentos de crise, apesar dos entraves logísticos

Na sua avaliação, o mercado de solventes para tintas deve entrar em uma fase de estabilização, com duração de cinco anos, pelo menos. Depois disso haverá mudanças.

“Com aumento de 5% no PIB deste ano, haverá um aumento de consumo imediato que puxará para cima as vendas dos solventes, mas depois ele cairá por substituição pelas alternativas”, comentou.

Os resultados de 2020 foram bons, especialmente com a retomada firme de negócios no segundo semestre. “Em março de 2020, houve uma parada geral, mas isso foi superado”, disse.

“Já tínhamos estrutura para trabalho em home office para muitas pessoas, ampliamos para os demais; colocamos 50% do pessoal em casa e 50% no escritório, invertendo os grupos a cada semana, sempre seguindo protocolos sanitários bem definidos”, salientou.

Dadas as condições de mercado, de julho de 2020 até fevereiro último, a ordem era comprar os produtos que estivessem disponíveis, com preços internacionais adequados.

“Depois de março deste ano, o quadro se inverteu: os produtos nacionais estão com margens elevadas, mas seus preços estão mais baixos que os do exterior”, avaliou.

Foram frequentes, desde o início da pandemia, os saltos exorbitantes de preços, especialmente nos derivados C3 (do propeno).

“Com a recuperação dos países do Hemisfério Norte, os preços foram aumentados novamente, caso do acetato de butilglicol, que passou de US$ 900 por tonelada em janeiro para US$ 2.900/t em junho”, disse.

Ele entende que os preços de mercado estão se estabilizando em um patamar muito elevado e só devem começar a regredir no começo de 2022.

“Veja o caso da resina epóxi: estava cotada a US$ 3.300 por t em março de 2020, pulou para US$ 6.500 em maio deste ano e recuou para US$ 5.000 por t; será que vale a pena importar nesse nível de preço?”, indagou, salientando se tratar de uma decisão que exige avaliação complexa.

Até os derivados oleoquímicos sofreram majoração exagerada de cotações internacionais.

“O Brasil poderia ter um papel mais relevante nesse mercado, mas o preço do óleo de soja por aqui também disparou, não garante competitividade”, lamentou.

quantiQ/GTM – A distribuidora quantiQ, subsidiária do grupo GTM Chemicals, operou com demanda aquecida desde o último trimestre de 2020 até abril de 2021, em patamares acima dos últimos anos, como informou Annik Costa Varela, managing director do Brasil.

Química e Derivados - Distribuição - Vendas crescem, superando os efeitos da pandemia ©QD Foto: iStockPhoto
Annik Costa Varela, managing director da quantiQ

“Entretanto, com o agravamento da pandemia e com o fechamento de algumas cidades em maio de 2021, vimos uma leve queda na demanda, afetando setores específicos”, ressaltou.

A chegada da pandemia, em março de 2020, potencializou a busca por itens de limpeza, a exemplo de álcool em gel, detergentes, sanitizantes, uma vez que as pessoas mudaram seus hábitos com foco na proteção pessoal e redução da contaminação pelo vírus.

“Desde o final de 2020, porém, observamos uma normalização na demanda por insumos para a fabricação de itens de higiene e limpeza”, apontou Annik.

Ela percebe a mudança de hábitos dos clientes e consumidores finais e, por isso, não acredita que o perfil de demanda voltará a ser o mesmo de antes da pandemia, uma vez que ela gerou uma série de novas necessidades e demandas.

Segundo a executiva, essa variação do comportamento de mercado acontece não só em função da pandemia, mas por uma série de fatores combinados e isso tem dificultado a capacidade do mercado em prever o que vem pela frente.

“Há o efeito da pandemia mas também há outros efeitos, como as mudanças climáticas, mudanças de comportamento dos consumidores ao redor do mundo, fatores econômicos e políticos”, detalhou.

No Brasil, o foco da distribuidora neste momento é continuar próxima aos clientes, conhecendo muito bem as suas necessidades e reforçando o relacionamento com as representadas, para tomar as melhores decisões mesmo em momentos de incertezas.

“Aqui na GTM trabalhamos todos os dias para nos tornarmos o parceiro de escolha de clientes, representadas e dos colaboradores”, ressaltou.

Desde o início da pandemia até agora, a distribuidora registra forte demanda nos mercados de agro, tintas, lubrificantes e borracha, entre os diversos segmentos atendidos.

“Nosso desempenho em 2020 foi excelente e, em termos de comportamento de mercado, tivemos três anos diferentes em um único ano. Iniciamos bem, logo veio a pandemia que trouxe queda de demanda e uma redução significativa nos preços das matérias-primas e, no segundo semestre, uma retomada forte que causou uma escassez geral de produtos no mundo, invertendo a curva de preços. Aliado a isso, tivemos uma mudança no perfil de compras do mercado interno que passou a buscar mais por fontes locais, sem falar na desvalorização da moeda local”, explicou Annik.

Para 2021, a distribuidora projeta crescimentos importantes, apostando na continuidade da recuperação de mercado, confirmada nos primeiros quatro meses do ano.

“Em maio, com o fechamento o de algumas cidades e incertezas em relação aos preços e câmbio, sentimos reflexos na demanda.” Mesmo assim, a expectativa se mantém bastante positiva.

“Com a evolução da vacinação, acreditamos numa retomada dos mercados e do consumo, potencializada por um cenário mais estável em termos e oferta de produtos, trazendo mais previsibilidade para a indústria que já sinalizava dificuldades nos repasses de custos para a ponta final”, afirmou.

Como comentou a diretora, diversos fatores levaram a um cenário de escassez global de produtos químicos, muitos dos quais ainda persistem, alavancados pela retomada forte de alguns mercados, como o asiático, o europeu e o dos Estados Unidos.

“Com relação à cadeia de suprimentos, vemos um mix de efeitos: alguns produtos já tiveram a sua dinâmica de suprimentos normalizada, mas outros ainda não”, comentou.

“Trabalhamos muito próximos de nossos fornecedores e representadas no intuito de garantir o atendimento aos clientes e em alguns casos partimos para a busca de novas fontes.”

Ela considera crucial a gestão de estoques para a distribuição de produtos químicos, permitindo respostas rápidas aos estímulos do mercado.

“Ao longo do ano, enfrentamos cenários em que caminhamos com níveis de estoques elevados e uma demanda menor; hoje já vivemos outro momento, a oferta de alguns produtos já está entrando em fase de normalidade e os preços têm apresentado uma tendência de estabilidade. Agora, precisamos estar atentos aos níveis de inventário para garantir a competitividade dos nossos clientes”, salientou.

Em tempo de pandemia, as cotações internacionais dos produtos foram fortemente aceleradas.

“De fato, o efeito combinado de falta de matérias-primas com a desvalorização da moeda local gerou um impacto de aumento nos preços em patamares não vistos nos últimos anos, refletido no nosso mix de vendas”, considerou Annik.

“Já temos sentido alguns produtos com tendência de estabilização de preços, mas não acreditamos num retorno no curto prazo aos níveis de preços pré-pandemia.”

A crise hidrológica que se anuncia para o Brasil gera alguma preocupação, ainda moderada.

“Esse período de seca já é conhecido no mercado, porém, em face do cenário de preços das matérias-primas e da retração de consumo em alguns mercados, esse tema tem sido apontado com mais frequência pelos clientes, principalmente os da região Sudeste. Essa combinação de fatores representará um desafio importante para o mercado nos próximos meses”, concluiu.

IMCD Brasil – Alexandre Tarantino, industrial business director da IMCD Brasil, avalia como surpreendente a procura por produtos químicos durante a pandemia.

Química e Derivados - Distribuição - Vendas crescem, superando os efeitos da pandemia ©QD Foto: iStockPhoto
Alexandre Tarantino, industrial business director da IMCD Brasil

“Tivemos segmentos que viram o crescimento alavancado pelo elevado consumo de artigos de cuidados pessoais, embalagens, plásticos, tintas, construção, alimentação e farmacêuticos, ramos nos quais temos uma carteira robusta e forte penetração, superando assim os números de 2018 e 2019”, comentou.

Tarantino avaliou que, embora 2020 tenha sido um ano desafiador para a indústria em geral, houve um aumento de atividade no quarto trimestre, refletindo o fato de que as economias de todo o mundo começaram a se abrir.

“Contudo, se há uma coisa que aprendemos com o ano passado, a positividade impulsiona o otimismo e alimenta a motivação, mesmo em tempos difíceis, portanto é sensato esperar para ver o que vai acontecer à medida que continuamos na pandemia”, afirmou.

Ele se revela otimista em relação ao crescimento da produção industrial em vários segmentos de mercado.

“O foco do IMCD está em manter a confiança dos clientes como um parceiro confiável e apoiá-los para estimular a economia através da inovação; os nossos estoques locais, laboratórios e experts técnicos serão ainda mais importantes na superação desses desafios”, salientou.

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