Distribuição – Vendas crescem, superando os efeitos da pandemia

Alta capacidade de adaptação aos momentos de crise, apesar dos entraves logísticos

Rudnik demonstra preocupação com os preços internacionais dos insumos quíumicos.

“Alguns itens custavam US$ 1, mas agora estão cotados em US$ 5 no local de origem, geralmente na Ásia; e o mercado está absorvendo isso”, afirmou.

A essa elevação ainda é preciso somar a escalada dos custos logísticos. “Antes, o frete entre Xangai e Santos girava em torno de US$ 2 mil por contêiner, hoje está perto dos US$ 10 mil, e os atrasos são enormes”, apontou.

Faltam contêineres e muitos produtos esperam até 45 dias para serem embarcados.

Em resposta, a Multichemie passou a buscar outras fontes de produtos, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.

“Nem sempre conseguimos, muitas fábricas dessas regiões foram transferidas há anos para a China, ficamos reféns das decisões de lá”, criticou.

Em média, 60% a 65% dos suprimentos da distribuidora vêm da Ásia, como informou.

Essa elevação de preços e custos, somada às dificuldades logísticas, gera uma grande incerteza no mercado e complica o planejamento das operações comerciais.

“Mantemos nosso nível de estoques em 90 dias, priorizamos o atendimento aos clientes habituais, mas importar com esse nível de preços é arriscado, quem sabe quando o mercado vai estabilizar e derrubar as cotações”, questionou Rudnik.

Até o momento, ele atesta que a demanda segue firme.

“No primeiro semestre de 2021 vendemos mais do que no mesmo período de 2020 que foi um ano bom”, ressaltou.

Ele mantém uma visão positiva para o ambiente de negócios em 2021, com possibilidade de o país atrair maior volume de investimentos internacionais e valorizar a moeda local.

Ampliando atuação – A Aromat obteve bons resultados em 2020 ao manter sua política de estoques estratégicos, reforçada nos últimos dois anos pela ampliação da tancagem e área de armazenamento.

Com demanda aquecida por vários produtos, a distribuidora obteve faturamento em reais perto de 10% superior ao de 2019 e aposta em novo crescimento de vendas em 2021.

Química e Derivados - Distribuição - Vendas crescem, superando os efeitos da pandemia ©QD Foto: iStockPhoto
Eduardo Albuquerque, daa Aromat

“O dólar mais caro contribuiu para esse aumento de vendas no ano passado, vamos ver agora, com a sua retração, como ficarão os números de 2021”, avaliou o diretor Eduardo Albuquerque.

Há vários anos, a Aromat vem investindo na ampliação e diversificação do portfólio e de segmentos de mercados atendidos.

“O setor de tintas ainda é o mais importante para nós, mas estamos aumentando nossa participação em cosméticos, domissanitários e plásticos, segmentos que tiveram um bom desempenho em 2020”, explicou Albuquerque.

Conhecido fornecedor de pigmentos e corantes para tintas, ele informou que o consumo de tintas para repintura automotiva seguiu em ritmo forte no ano passado, ao contrário das linhas de pintura OEM.

“A produção de carros novos foi muito afetada pela pandemia, até agora estão faltando peças e chips eletrônicos cuja ausência impede a continuidade das operações das montadoras”, disse. Por sua vez, as tintas imobiliárias tiveram aumento expressivo de demanda no ano passado.

“Vendemos muito produto, mas a reposição de estoques foi feita em outros patamares de preço, mais elevados”, comentou.

A Aromat conseguiu manter seu fluxo de suprimentos, registrando alguns momentos específicos de interrupção, caso observado em alguns tipos de pigmentos.

“Mantivemos os nossos fornecedores habituais, mesmo aqueles com os quais não temos contrato formal de distribuição, para garantir a qualidade e a reprodutibilidade das cores”, explicou. “Os nossos clientes habituais foram abastecidos.”

O diretor observa que os movimentos globais de mercadorias não foram ainda normalizados, encontrando surpresas a cada dia.

“Talvez essa situação se acalme a partir do segundo semestre deste ano”, disse. Ele avalia que a situação da economia nacional está em boas condições e há condições para uma retomada mais forte neste ano e em 2022, embora isso ainda dependa do controle da pandemia.

“A volta do auxílio emergencial é importante, é dinheiro indo diretamente para as pessoas que precisam dele”, disse.

Força nos solventes – Conhecida pela atuação no campo dos solventes, a Carbono Química superou a fase de recuperação judicial, julgada em outubro de 2017, com término dos recursos no ano passado.

Química e Derivados - Distribuição - Vendas crescem, superando os efeitos da pandemia ©QD Foto: iStockPhoto
Rodrigo Gabriel, da Carbono Química

“Estamos agora cumprindo o pagamento aos credores conforme o plano de recuperação aprovado judicialmente”, explicou o diretor Rodrigo Gabriel.

Nessas condições, a distribuidora recuperou o crédito junto à maioria dos seus fornecedores e reorganizou seus negócios, de forma a melhorar sua eficiência e rentabilidade.

“Operávamos com grande concentração em um segmento de mercado, tintas, e em número de clientes, alguns chegaram a representar 12% das nossas vendas, o que significava um risco elevado”, comentou.

Rodrigo Gabriel indicou que a Carbono Química ainda tem nas tintas seu principal segmento de atuação, mas limitado a 33% do faturamento, participação que foi, no passado, superior a 50%.

“Crescemos bem em produtos para o agronegócio nos últimos anos, além de diversificar os clientes industriais, como lubrificantes e pisos industriais”, informou.

Solventes permanecem como o carro-chefe da distribuidora, respondendo por 80% do volume movimentado e 60% do faturamento, gerando 50% da margem.

“Os solventes são a chave para entrar nos clientes, permitem agregar produtos como secantes, resinas e pigmentos, mas o restante do portfólio é independente disso”, salientou.

Nos produtos para a agricultura, por exemplo, os solventes entram como adjuvantes, ajudam a dissolver os princípios ativos da formulação e a obter cobertura foliar mais homogênea.

No campo das tintas, ele aponta que o consumo de solventes derivados diretos de petróleo, chamados hidrocarbonetos, registra altos e baixos, respondendo ao maior ou menor uso de formulações base água.

“Olhando friamente, percebemos que o preço final da tinta é relevante no mercado e há no Brasil espaço para todos os tipos”, considerou.

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