Distribuição – Vendas crescem, superando os efeitos da pandemia

Alta capacidade de adaptação aos momentos de crise, apesar dos entraves logísticos

Em setembro de 2020, a empresa inaugurou a unidade de insumos para domissanitários, com boa aceitação.

“O fato de uma distribuidora de médio porte como nós estar investindo para entrar em dois novos mercados demonstra que confiamos no mercado a longo prazo, que demanda produtos técnicos e conhecimento”, salientou.

Força no Nordeste – A tradicional distribuidora Morais de Castro, com sede em Salvador-BA, obteve em 2020 resultados melhores do que esperava.

Química e Derivados - Distribuição - Vendas crescem, superando os efeitos da pandemia ©QD Foto: iStockPhoto
André Castro, da Morais de Castro

“Antes mesmo da pandemia, as vendas de janeiro e fevereiro foram fracas, a partir de março alguns segmentos de mercado paralisaram suas atividades, caso da indústria têxtil, cosméticos e tintas, mas voltaram com força no segundo semestre”, relatou o diretor André Castro.

“Outras áreas, como a mineração e os domissanitários, cresceram bem durante todo o ano, embora os domissanitários tenham desacelerado um pouco no fim do ano passado.” Além desses, as indústrias de alimentos, bebidas, celulose e farmacêutica mantiveram a atividade normal.

No segundo semestre do ano passado, a retomada geral da economia levou a uma escassez generalizada de produtos químicos, com preços elevados.

“Isso aconteceu em todas as linhas: petroquímicos, inorgânicos e oleoquímicos sofreram majoração, alguns até duplicaram de preço”, salientou.

O tempo médio para recebimento de mercadorias importadas também foi dilatado, chegando a 120 dias. “Os fabricantes mundiais estão vendidos, suas plantas rodam cheias, mas o maior gargalo está na logística”, verificou Castro.

“Está seis vezes mais caro alugar um contêiner para trazer produtos da China para o Brasil, por exemplo, porque há falta do equipamento.”

Fora o descasamento de oferta e demanda, reflexo da pandemia, 2020 ainda registrou fatos inesperados, como o inverno rigoroso nos Estados Unidos, que provocou a paralisação de fábricas no Texas, e o bloqueio do Canal de Suez por imperícia do piloto de um cargueiro.

“Foram eventos isolados, mas impactaram o quadro que já estava no limite”, considerou. Da mesma forma, o recrudescimento da Covid-19 na Índia pode provocar o fechamento de alguns portos, criando novas dificuldades. “A cada mês há uma novidade”, afirmou.

Castro se recorda de outros anos, nos quais as dificuldades de suprimento eram resolvidas em questão de 60 a 90 dias, no máximo.

“Hoje, não há previsão de voltar ao normal e isso atrapalha muito o planejamento, pois não se sabe quanto comprar para garantir o abastecimento dos clientes”, comentou.

Ele informou que conseguiu manter supridos seus clientes tradicionais, mas alguns itens de seu portfólio deixaram de ser importados por força da instabilidade de preços e de mercado.

“Eram produtos que estavam em fase de desenvolvimento, não tinham demanda garantida”, explicou.

Ele salientou que a decisão de compra está cada vez mais complexa. “Antes, a decisão se baseava apenas na avaliação do estoque e do câmbio; agora, há mais variáveis a observar antes de se tomar uma decisão”, explicou.

A taxa cambial, por exemplo, deu salto vigoroso em 2020, recuando em 2021. “O problema é a instabilidade cambial, essa variações rápidas podem custar caro”, salientou.

O diretor da Morais de Castro avalia que os estoques de produtos ao longo das cadeias produtivas globais ainda não foram totalmente recompostos.

Isso se reflete na demanda exacerbada que se registra atualmente.

“Como a maior parte dos produtos do nosso portfólio é fabricada no Brasil, temos mais capacidade de diálogo com os fornecedores e sofremos menor impacto do que as distribuidoras que dependem mais de importações”, comentou.

Para acompanhar a evolução da demanda e evitar dissabores, Castro elevou em 10%, em média, o tempo do ciclo dos estoques.

Além disso, como explicou, os distribuidores têm ampla flexibilidade de operação. Podem contar com insumos substitutos ou sucedâneos para itens escassos.

“Foi o caso do carbômero usado para fazer álcool em gel, que sumiu do mercado no início da pandemia, desenvolvemos com um fabricante local um contratipo com excelente custo/benefício, tanto que está sendo comercializado até agora, quando o produto paradigma voltou a ficar disponível”, considerou.

Há casos em que a dificuldade de obtenção permanece. Segundo o diretor, os ácidos inorgânicos, especialmente o sulfúrico e o clorídrico, estão com restrição de oferta, puxando preços para cima.

O encerramento da produção de veículos da Ford, em Camaçari-BA, não deve representar impacto direto na distribuição química.

“A Ford comprava por aqui um pouco de solventes para limpeza e alguns itens para tratamento de efluentes, não era muita coisa, mas a região sentirá um impacto econômico e social forte, a começar pela redução da massa salarial”, avaliou.

A região Nordeste foi a mais beneficiada pelo auxílio emergencial liberado no ano passado. “Isso foi muito importante, manteve firme a demanda por alimentos e domissanitários durante a pandemia.”

A Morais de Castro transferiu em 2021 sua filial de Pernambuco de Jaboatão dos Guararapes para Paulista, passando a ocupar uma área quaro vezes maior, acompanhando o desenvolvimento econômico local.

Além disso, Castro informou que prosseguem os investimentos da empresa na digitalização dos processos, ganhando mais agilidade e segurança.

Ao mesmo tempo, ampliou o portfólio com novos produtos e intensificou a abordagem de alguns mercados.

Entre 2019 e 2020, a distribuidora montou estruturas dedicadas para atuar em cosméticos, alimentos e petróleo, com laboratórios específicos e a contratação de especialistas.

“Reforçamos a área de petróleo para suprir os pequenos produtores on shore da região, que arremataram campos maduros da Petrobras, eles requerem entregas no regime just in time, que exigem contar com estoques robustos”, afirmou.

A expectativa de Castro para 2021 é de obter aumento de 15% no faturamento em reais, percentual suportado pelo bom desempenho no primeiro semestre.

“Devemos permanecer no modelo híbrido de trabalho, mesclando trabalho no escritório com home office, isso não afetou o resultado até agora, embora tenha restringido as visitas aos clientes”, comentou.

“Estamos até contratando mais pessoal.”

Especialidades aquecidas – Com negócios concentrados nas especialidades químicas, a Multichemie registrou bom desempenho operacional e resultados positivos em 2020, situação que se mantém em 2021.

“Estou surpreso com a força da demanda que está resistindo à elevação dos preços em escala global”, comentou o diretor Peter Rudnik.

Ele manteve a estratégia habitual de negócios, buscando introduzir alguns itens nos portfólios dos segmentos de mercado que atende, bem como reforçar a atenção para otimizar as operações logísticas, visando redução de custos.

“Em 2020, percebemos que os clientes aumentaram os volume comprados, alguns pediram mais prazo para pagamento, isso foi negociado caso a caso, é uma despesa financeira que precisa ser considerada”, afirmou Rudnik.

Ele apontou o fornecimento de insumos para formuladores de produtos para tratamento de água e efluentes como destaque em termos de volume.

“Esse segmento tende a crescer mais nos próximos anos, em decorrência do novo marco legal do saneamento”, considerou.

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