Distribuição – Vendas crescem, superando os efeitos da pandemia

Alta capacidade de adaptação aos momentos de crise, apesar dos entraves logísticos

Para o futuro, o setor deve reforçar atitudes ligadas à sustentabilidade. O Programa Distribuição Responsável (Prodir) está a pleno vapor e é uma linhas de atuação setorial ligadas ao tema.

“Já falamos sobre sustentabilidade no Encontro Brasileiro da Distribuição Química, o EBDQuim, é assunto muito importante e que veio para ficar”, reforçou Medrano.

“Estamos estudando também a aplicação dos conceitos de ESG, incluindo pautas ambientais, sociais e de governança.”

O bom desempenho da distribuição em um ambiente global de negócios com elevada liquidez pode desencadear uma nova onda de fusões e aquisições.

“A concentração de negócios é um fenômeno global e já tivemos alguns movimentos no passado, mas ainda há espaço para outros; quem quer entrar no mercado local ou pretende ampliar sua posição em algum segmento de mercado pode comprar uma operação pronta, é uma opção”, explicou.

Mesmo assim, Medrano aponta a convivência de empresas pequenas, médias e grandes no setor, que tem espaço para todos.

80 anos – A Química Anastácio completou oito décadas de atividades, dos quais 60 anos foram dedicados à fabricação de produtos químicos e os 20 mais recentes consolidaram sua presença na distribuição química local e internacional.

Química e Derivados - Distribuição - Vendas crescem, superando os efeitos da pandemia ©QD Foto: iStockPhoto
Jan Krueder, da Química Anastácio

“Seguimos investindo pesadamente em tecnologia da informação, contando com sistemas de ERP e CRM novos, permitindo monitoramento constante de desempenho, além de manter programas de melhoria contínua e simplificação de procedimentos para aumentar a satisfação dos clientes”, comentou Jan Felix Krueder, presidente da companhia.

Para comemorar a data, a Química Anastácio inaugura neste ano um laboratório completo para controle de qualidade, desenvolvimento de produtos e suporte aos clientes na unidade de armazenamento de líquidos situada ao lado da rodovia Anhanguera, no bairro que empresta o nome à companhia.

“Esse laboratório é quatro vezes maior do que o anterior; com ele poderemos fazer testes de aplicações on line com clientes”, informou. “Para tanto, contratamos pessoal técnico especializado em áreas como tintas e poliuretanos.”

A unidade do Anastácio recebeu tancagem nova e estrutura para fazer misturas de produtos líquidos. Além disso, a distribuidora mantém contratos com 14 indústrias químicas para realizar diluições, misturas e reações químicas, com o objetivo de oferecer aos clientes mais e melhores opções, mas sempre sob o controle de qualidade da companhia.

“São parceiros que complementam o nosso trabalho: temos os insumos e eles têm equipamentos e conhecimento para executar essas operações com eficiência e qualidade”, comentou.

A pandemia exigiu adaptação rápida da empresa, com a colocação do pessoal administrativo e comercial em home office – o operacional seguiu normalmente, com protocolos sanitários rígidos.

“Isso tem um lado ruim, por não reforçar os valores culturais da empresa; temos realizado lives frequentes com o pessoal para sua motivação, além de encontros virtuais de alinhamento para manter uma identidade”, explicou.

Com o aumento da vacinação e com protocolos de higiene, a distribuidora vai aos poucos trazendo de volta o pessoal para os escritórios.

“Sentimos que a maioria do pessoal se adaptou bem ao home office, obtendo melhor qualidade de vida pela redução do período em trânsito, mas é interessante que a equipe venha para a sede dois ou três dias por semana”, comentou.

Krueder informa que o grupo Anastácio – envolve a Química Anastácio, a Anastácio Overseas e a filial na Argentina – conseguiu aumentar em 8% o volume físico negociado em 2020 e, com isso, obter um acréscimo de 25% no faturamento em reais em relação a 2019, mantendo a lucratividade. “O segundo semestre do ano passado foi excelente”, avaliou.

Krueder salientou que 2020 exigiu grande esforço de planejamento. “Houve muitas correções de rota durante a pandemia”, disse. Entre março e maio de 2020, o mercado foi impactado diretamente, quase paralisando as vendas de insumos para tintas, plásticos e lubrificantes.

Em compensação, as vendas de químicos para indústrias de bens não-duráveis, principalmente household, farmacêuticos e agropecuários, deslancharam.

O preço das commoditites despencou e os estoques estavam muito altos.

“Nesse momento, captamos recursos financeiros para reforçar o caixa, permitindo oferecer mais crédito para os clientes e garantir o fluxo de abastecimento para eles”, explicou. “Também compramos commodities a preço baixo no exterior, pois sabíamos que a curva se inverteria, foi uma aposta.”

Entre julho e agosto, o auxílio emergencial concedido pelo governo federal a 60 milhões de brasileiros mudou radicalmente o quadro.

“As vendas tiveram crescimento explosivo, quase houve uma compensação da queda dos meses anteriores; com estoques amplos, aproveitamos o momento do mercado que já apresentava sinais desabastecimento”, disse.

No segundo semestre do ano passado, a demanda elevada exigiu recomposição de estoques, porém os preços estavam mais altos e o real se desvalorizou.

“Os clientes também estavam recompondo inventários, isso acelerou ainda mais os preços, foram ao limite suportável pelos clientes”, considerou.

Nessa situação, foi preciso instituir um regime de alocação, concedendo prioridade aos clientes habituais e, mesmo com estes, limitando em alguns momentos as quantidades fornecidas, de modo a atender o maior número de empresas.

De lá para cá, o fluxo internacional de mercadorias não voltou ao normal.

“Vai demorar para tudo se normalizar, faltam contêineres e navios; como já tínhamos um departamento interno de fretes internacionais, conseguimos operar bem”, salientou.

“Distribuidor precisa ter produto em casa, vende mais ou menos dependendo de quão competitivo ele é, para isso precisa comprar bem, ter frete melhor e negociar serviços com clientes.” E escala elevada ajuda.

A Química Anastácio se abastece em 72 países, contando com fontes de suprimento alternativas e complementares, quando necessário.

Durante a pandemia, cerca de 30% dos produtos precisaram contar com fontes substitutas, sem prejuízo da qualidade.

“Trouxemos muita coisa da Coreia do Sul e países do Sudeste Asiático, como Tailândia e Indonésia, mas também aumentamos as compras dos Estados Unidos e Europa”, informou Krueder.

Mas ele comentou que a China, maior fonte global de químicos, só apresentou problemas no começo da pandemia, depois estabilizou seus fornecimentos. A Índia apresentou paralisações em momentos diferentes dos verificados na China.

“Os EUA, por exemplo, tiveram um inverno muito rigoroso neste ano, houve paradas não programadas de várias fábricas”, considerou.

No começo da pandemia, houve um forte desabastecimento de carbômero, o espessante usado nas formulações de álcool em gel, também consumido em produtos para cabelo, entre outros usos.

A Química Anastácio desenvolveu um carbômero acrílico com um parceiro local, suprindo a demanda.

“É um contratipo perfeito do produto de referência, foi bem aceito e segue com bons negócios”, explicou.

Na área do poliuretano, Krueder verificou uma restrição de oferta tanto nos isocianatos quanto nos polióis.

“Conseguimos suprir nossos clientes, mas os preços dispararam no ano passado; agora está até sobrando produto”, considerou.

Em 2021, Krueder percebe uma acomodação de mercado, com os estoques recuperados nas cadeias produtivas, a ponto de verificar uma diminuição de demanda em abril e maio.

“Será um ano muito bom para o setor, a economia brasileira deve crescer 5% neste ano, os juros baixos atraem investimentos e os estrangeiros se mostram interessados em comprar os ativos brasileiros, que estão desvalorizados; além disso, o dólar a R$ 5,00 ou um pouco menos é saudável, ajuda o mercado sem desestimular as exportações”, avaliou.

No entanto, a alta no preço das commodities ainda está longe de acabar.

Segundo informou, a economia global está aquecida, os estímulos dos EUA para o consumo interno são robustos e os portos americanos estão lotados.

“Nesse quadro, é preciso manter estoques e contar com bom planejamento financeiro para evitar problemas”, salientou.

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