Distribuição – Superada a crise, setor volta a falar em fusões e aquisições

Para a distribuição, conviver com circunstâncias como taxa cambial não é novidade. Segundo Medrano, as empresas do setor que quebraram abusaram dos investimentos e das operações abaixo das margens de rentabilidade. “Capital de giro ainda é muito caro no Brasil, por isso é preciso otimizar as capacidades existentes antes de promover investimentos pesados no setor”, recomendou. A Makeni comprou o terreno vizinho ao de sua sede, em Diadema-SP, para futura ampliação, e alugou mais tanques em Santos-SP. “Não estamos precisando de mais tancagem”, afirmou. “Está difícil arrumar caminhões para transportar químicos com qualidade e eles ainda ficam parados na fila do porto.”

Revista Química e Derivados, distribuição - Silvio Mosseri, diretor da Maringá
Mosseri: dólar barato é ruim para quem tem custos em reais

A conjuntura de mercado levou a Maringá a reforçar a participação de itens importados em seu portfólio. “Os importados representam quase 20% das nossas vendas, mediante contratos ou operações spot, um crescimento significativo”, comentou Mosseri. Para ele, o câmbio atual é um vilão para quem opera com custos em reais. “Entre abril de 2010 e abril de 2011, a defasagem cambial ficou em 12%”, mencionou.

A percepção da quantiQ quanto ao câmbio também é cautelosa. “Alguns setores são mais afetados que outros e podem apresentar redução de demanda”, disse Edison Terra. Para a distribuidora, os resultados acabam sendo menores em números absolutos, quando avaliados em reais. Para 2011, há alguma preocupação com a inflação e seus efeitos macroeconômicos, sem atingir diretamente a distribuição. “Há desenvolvimentos começando com novas parcerias que devem resultar em um crescimento total bem acima do PIB”, afirmou.

A distribuidora procura manter um mix equilibrado entre commodities, produtos de performance e especialidades químicas, estas com forte crescimento. “Temos várias unidades de negócios para não perdermos o foco em cada um deles”, explicou Annik. Os setores de cosméticos, farmacêuticos e de aromas já são contados como consolidados dentro da distribuidora. O campo de alimentação humana e nutrição animal (food e feed) ainda segue em consolidação.

Equilíbrio no portfólio – A composição do portfólio de produtos de uma distribuidora é uma das tarefas mais estratégicas do negócio. Considera-se: as commodities geram muito volume de negócios e ajudam a abrir portas nos clientes, enquanto as especialidades geram rentabilidade. Nem sempre é assim. “O mix precisa ser bem balanceado para que um segmento não intoxique o outro”, comentou Carlos Abreu. Para ele, não existe uma receita ideal para todos os casos, mas há uma influência direta do tamanho da operação. “Distribuidoras com faturamento anual até R$ 300 milhões podem viver bem com 50% de especialidades e 50% de commodities”, explicou. “Acima desse faturamento, ou a distribuidora escolhe uma delas como foco, ou cria duas gestões, ou vai perder o foco, afugentando nesse caso clientes e até distribuídas.” Ele salientou que os clientes compram suas matérias-primas juntas, mas as negociam uma a uma.

A Bandeirante/Brazmo obteve faturamento de R$ 420 milhões em 2010 e tem por meta chegar a R$ 550 milhões neste ano. “O tamanho do mercado brasileiro admite umas cinco ou seis distribuidoras acima dos R$ 500 milhões de faturamento anual”, avaliou. Ele também identifica a possibilidade de conflitos de interesses entre as grandes bandeiras distribuídas que podem limitar a expansão de negócios. “Daí a necessidade de distribuidores de médio porte que aproveitem essas oportunidades para conquistar posições, além da participação de empresas menores, focadas em nichos de mercado”, comentou.

A distribuidora investe para desenvolver negócios com nanopartículas produzidas pela gaúcha Inventiva, com aplicações em cosméticos, mas que dependem da aceitação dos formuladores, geralmente quando há inovações nos produtos finais. “Não adianta buscar qualquer coisa na China ou na Índia só para compor um mix, quem fizer isso vai ‘micar’ com produto no estoque”, alertou.

A Bandeirante/Brazmo usa os insumos para produtos à base de água como principal cartão de visitas. “Temos um bom portfólio, com emulsões de resinas que fabricamos, dióxido de titânio e aditivos da BYK, muito usados na linha de tintas automotivas”, afirmou. Nas tintas, a distribuidora pretende reforçar sua atuação nas linhas industriais, motivada pela necessidade de aumentar a produção de equipamentos e estruturas para o pré-sal. Outro setor em evolução é o de aditivos para concreto e argamassas, neste caso contando com pelo menos cinco produtos feitos pela Aqualon e BYK, duas empresas do grupo.

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