Distribuição – Superada a crise, setor volta a falar em fusões e aquisições

A Coremal mantém equipes qualificadas de vendas, laboratórios próprios e instalações para misturas e formulações. “Procuramos oferecer o melhor serviço possível para nossos clientes, além de contar com produtos de alta qualidade e um sistema de gestão para ter processos e procedimentos mais econômicos; quem não tem tudo isso, está fora do mercado”, alertou. “Estamos quase totalmente integrados às cadeias produtivas.”

Revista Química e Derivados, distribuição - Renato de Mendonça Maia Jr., diretor-presidente da Coremal
Maia: produtos e serviços de qualidade mantém clientela

O faturamento bruto de 2010 alcançou a casa dos R$ 250 milhões, dos quais 65% obtidos no Sudeste, Sul e Centro Oeste, e 35% no Norte e Nordeste. “Voltamos ao patamar de 2008”, avaliou Maia. Cerca de 80% do faturamento deriva de quatro segmentos: tintas e resinas (20%), transformação de plásticos (25%), têxtil e domissanitários. Para 2011, a Coremal espera ampliar suas vendas em volume em 8%, com faturamento crescendo entre 12% e 15%, diferença explicada pela recuperação dos preços internacionais. “O primeiro trimestre confirmou as metas, com 3% a mais no volume e 5% no faturamento em reais”, informou.

“O Brasil está na moda, por isso tem muita gente do exterior vindo procurar negócios por aqui”, comentou Maia. Embora ressalte que o país deva registrar crescimento do PIB nos próximos quatro a cinco anos, sem grandes riscos, Maia aponta deficiências sérias que podem comprometer o desempenho nos períodos seguintes. “Temos graves problemas de infraestrutura que não estão sendo atacados, isso é muito ruim para todas as atividades”, criticou.

Câmbio mata – Há muitos anos, o professor de economia Mário Henrique Simonsen alertava: “Errar na taxa de juros aleija, mas errar no câmbio mata.” Há quase dois anos, o fortalecimento do real em relação às outras moedas gera influências contraditórias no mercado de produtos químicos. Por um lado, o dólar barato favorece a importação de insumos que ajudam a aprimorar os produtos fabricados no país. Quase todos os distribuidores ampliaram a oferta de itens fabricados no exterior em seu portfólio. Por outro lado, o real forte prejudica a exportação de alguns produtos finais que se abastecem de produtos químicos oferecidos pelos distribuidores, que acabam sentindo a retração da demanda.

“Ampliamos o volume de vendas em 15% em 2010, mas nossa margem recuou 2% por causa do dólar barato e do mercado muito abastecido, que tornaram a briga com importados mais difícil”, comentou Silvio Mosseri, diretor da Maringá. O primeiro trimestre de 2011 teve melhores resultados que igual período de 2010. Os números de abril foram influenciados negativamente por conta dos feriados. “De abril para frente, alguns dos nossos clientes estão mostrando dificuldades porque houve aumento nos preços dos químicos que tiveram de ser repassados”, explicou. “Encontramos alguns casos de inadimplência até em clientes tradicionais, que pediram prorrogação dos pagamentos.” Foram atendidos, segundo Mosseri, porque o distribuidor precisa apoiar seus clientes, ainda que isso afete um pouco o caixa da empresa.

“A cotação do dólar influi, mas não é nada tão dramático assim”, afirmou Renato Maia, da Coremal. Embora os importados fiquem mais atraentes, os efeitos dessa concorrência são pontuais. “Temos ampliado a nossa oferta de itens para complementar as linhas, mas também tiramos fora outros itens, menos rentáveis, fugindo dos casos de concorrência predatória”, explicou.

Segundo Maia, são importados em média pelo setor de distribuição cerca de 25% dos produtos. Já os de produção local vendidos com base em moeda estrangeira (dolarizados) representam outros 20%. “Portanto, na distribuição, metade dos produtos gira apenas com base em reais”, explicou. “Na Coremal, a influência do dólar afeta 30% dos produtos vendidos, não motiva a mudar o portfólio.”

“O efeito do dólar a R$ 1,60 é efêmero, uma importação feita nessa base dá um resultado imediato, mas depois sua vantagem se dilui com os altos custos de energia e transportes”, analisou Rubens Medrano. “O que nos preocupa, de fato, é a volta da inflação, o custo tributário e as deficiências de infraestrutura.”

Como o Brasil se manteve fora da crise mundial com o crescimento do mercado interno, provocado pela melhoria do poder aquisitivo das classes C e D, a volta da inflação é uma temeridade. “A inflação é o pior imposto que existe e afeta mais as classes baixas, justamente as que sustentam o crescimento nacional, não podemos perder esse mercado”, ponderou.

Ele pede cautela nas avaliações dos efeitos da valorização do real na conjuntura industrial brasileira. “Não é o câmbio que está levando as indústrias daqui para a China, é a tributação excessiva, as leis trabalhistas arcaicas e vários problemas estruturais”, enfatizou. Ele teme que o governo federal assuma um viés protecionista e adote uma política de restrição às importações de insumos, por meio da reativação das licenças prévias.

“De fato, há um déficit comercial químico no Brasil, mas ele é muito concentrado em fertilizantes e defensivos agrícolas que ajudam a aumentar a produção de produtos agropecuários, cuja exportação não computa o peso desses insumos”, criticou. Segundo Medrano, investimentos na produção química dependem do crescimento da demanda. “A distribuição não fabrica, nem consome, mas atende a pequena e média indústria de vários setores, tem capilaridade para chegar até elas e opera estoques que garantem o suprimento mesmo com falhas na cadeia de abastecimento, arcando também com o suporte financeiro aos clientes desse porte”, considerou.

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