Distribuição – Superada a crise, setor volta a falar em fusões e aquisições

Dentro da sua estratégia de crescimento, a Agroquímica Maringá expandiu sua atuação para todo o Brasil, com ênfase no Nordeste. “Montamos escritórios de vendas na região e uma base de faturamento de produtos na Bahia, apoiados por contratos ágeis para redespacho de produtos”, comentou Silvio Mosseri, diretor da distribuidora. A equipe de vendas na região cresceu, porém sem retirar profissionais dos concorrentes. “Preferimos formar nosso pessoal”, disse. Base operacional, porém, só a da sede, em Diadema-SP, que está recebendo cinco novos tanques de aço inox para 20 m³ cada, com toda a instalação de segurança, que devem estar prontos até agosto. “Com o preço dos produtos químicos subindo, estoque hoje é investimento”, avaliou Mosseri. Alguns dos tanques da distribuidora foram alugados para terceiros.

Além disso, a agilização das operações exigiu a compra de mais caminhões (para granéis líquidos e siders) e empilhadeiras, e também reforçar os serviços. “Até o início de junho, concluiremos o novo laboratório de análises e aplicações para todos os produtos, mas principalmente para insumos farmacêuticos e cosméticos”, disse. O investimento deste ano chega a um milhão de dólares na sede.

Reação local – Atentos aos movimentos dos concorrentes, os distribuidores de atuação tradicional no Nordeste se preparam para enfrentá-los. “A região não cresce tanto quanto se fala por aí”, apontou Eduardo Morais de Castro, diretor-presidente da distribuidora Morais de Castro, com 50 anos de atividade comercial completados em 2010. “A briga por aqui está muito feia, com uma competição acirrada até pelos recursos humanos, nem sempre de uma forma ética”, criticou.

A chegada dos concorrentes não desanimou o empresário. “Estamos ampliando nossa tancagem, colocando mais três tanques de aço inox, dois deles para 30 metros cúbicos e outro para 26 m³, além de dois tanques de alumínio para 40 m³ cada um, todos com suas bacias de contenção e equipamentos de transferência e segurança”, explicou. Os tanques de alumínio serão usados para a diluição de peróxido de hidrogênio, uma parceria com a Peróxidos do Brasil (grupo Solvay, que comprou em abril a Rhodia), com produção no Paraná.

A Morais de Castro segue atuando com as especialidades da Rohm&Haas e ainda pegou a linha de microbicidas, com muitos clientes na região. O portfólio foi reforçado com a importação de vários itens, alguns dos quais fornecidos por parceiros tradicionais que autorizaram a operação, por não terem como suprir a demanda com a fabricação local. “O mundo está confuso; precisamos nos adaptar à onda da globalização, mas temos consciência de que ela destrói as culturas locais e regionais”, lamentou.

Revista Química e Derivados, distribuição, Eduardo Morais de Castro, diretor-presidente da distribuidora Morais de Castro
Castro: disputa acirrada não inibe investimento em tanques

Como resultado dos movimentos de concentração, Castro verificou que a Bahia, estado detentor da sexta economia nacional, não possui mais empresas baianas puras de grande porte, só restaram as pequenas. “Houve uma ‘desbaianização’ do capital local, as grandes decisões de investimentos são tomadas no Sudeste”, afirmou.

Castro aponta oportunidades para a distribuição nas mineradoras, que consomem algumas especialidades químicas e admitem a possibilidade de inovações tecnológicas. “Temos alguns parceiros interessantes para esse negócio”, comentou. Mercados tradicionais, como o têxtil e o de couro, são considerados saturados.

Os resultados da distribuidora em 2010 foram considerados satisfatórios. “Faturamos R$ 53 milhões e obtivemos um lucro líquido de R$ 43 mil, após recolhermos R$ 10 milhões em impostos”, informou. “Não pagamos um centavo de juros, pois usamos apenas capital próprio.” A filial de Jaboatão dos Guararapes-PE manteve o volume de negócios de 2009, enquanto o escritório comercial do Rio de Janeiro continua a operar com soda cáustica na região Sudeste. “Para 2011, estou otimista, mas com cautela”, afirmou.

“O Nordeste está atraindo muitos concorrentes, porém a demanda local não é tão grande quanto a do Sudeste, tem um perfil completamente diferente”, avaliou Renato de Mendonça Maia Jr., diretor-presidente da Coremal, sediada em Recife-PE. Como a economia nordestina tem crescido nas áreas de infraestrutura e serviços, o consumo de produtos químicos não é tão relevante. “Há um crescimento de vendas em termos percentuais, porém a base desses números é muito pequena”, considerou.

Maia prevê aumento do consumo químico durante os próximos três a quatro anos em Pernambuco, Paraíba e Alagoas como reflexo dos grandes projetos de investimentos iniciados nesses estados. “Em Pernambuco, atualmente, os investimentos se limitam a obras de infraestrutura e de construção civil, pouco dependentes de químicos”, disse. Quando a Refinaria Abreu e Lima (Rnest) estiver pronta, haverá uma demanda química por parte das empresas satélites. O polo de poliéster de Suape, por sua vez, compra insumos diretamente da Petrobras e será um núcleo produtor de químicos.

Mesmo assim, a Coremal desenvolveu um plano de investimentos da ordem de R$ 9 milhões entre 2008 e 2011 nas suas unidades operacionais. No Nordeste, foram investidos R$ 3 milhões em instalações, como a planta de diluição de lauril sulfato de sódio. O site 2, em Cotia-SP, recebeu nova tancagem para solventes. Além disso, foi criada a filial de Sertãozinho-SP, fruto de uma parceria com a Nalco, para atender à demanda sucroalcooleira regional. “Além dos produtos da Nalco, teremos tanques para soda e ácido sulfúrico, muito usados nesse setor, tão grande quanto disputado”, comentou Maia. Além disso, a empresa também investiu na compra de equipamentos rodoviários para a transportadora própria.

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