Distribuição – Superada a crise, setor volta a falar em fusões e aquisições

Invasão do Nordeste – Embora o eixo São Paulo-Rio ainda responda por mais da metade do consumo de produtos químicos industriais no país, é notável o desenvolvimento econômico de outras regiões geográficas, a exemplo do Nordeste. Todas as distribuidoras de grande porte montaram ou estão montando unidades operacionais na região. Várias outras abriram escritórios regionais de vendas para aproveitar o bom momento regional.

No segundo semestre, a quantiQ vai inaugurar a primeira fase do centro de distribuição de Simões Filho, na Bahia, em área total de 35 mil metros quadrados. “Começaremos com produtos embalados, para operarmos com granéis líquidos a partir de 2012, quando teremos a possibilidade de formular blends e fracionar produtos”, comentou Terra. A distribuidora também possui uma tancagem em Suape-PE.

“Nossa unidade regional do Nordeste bate recordes de vendas mensais há mais de um ano”, comemorou Carlos Abreu, da Bandeirante/Brazmo. Ele comentou que a região abriga 25 fábricas de tintas, das quais três atuam em repintura automotiva, além do bom desempenho do segmento de sabões e detergentes. A distribuidora conta com um centro de distribuição com instalação para granéis líquidos, blendagem e fracionamento, em João Pessoa-PB, além de um pequeno depósito em Salvador-BA. A região representa 11% do faturamento da distribuidora, que obtém 45% das vendas na Grande São Paulo e Campinas, 10% em Cravinhos-SP (inclui todo o resto do interior do estado, e região Centro Oeste), 9% no Rio de Janeiro, quase 10% em Joinville-SC e perto de 7% no Sul.

Revista Química e Derivados, distribuição, Carlos Fernando de Abreu, vice-presidente da área química do grupo Formitex (Denver Resinas, Denver Impermeabilizantes, Denver Gel, Murta e as distribuidoras Bandeirante Química e Brazmo, em fase final de unificação)
Abreu: sem as contas grandes, solventes recuperam margens

Na visão de Abreu, o Nordeste deverá representar 20% das vendas da distribuidora em poucos anos. Esse crescimento relativo também se verificará, segundo ele, na região Sul, passando a 15%. “Está havendo uma desconcentração geográfica de negócios, porém sem reduzir a atividade no Sudeste, que deverá crescer menos que as demais regiões”, prognosticou. Por isso, a capacidade de produção de tíneres em João Pessoa será ampliada de 80 para 120 metros cúbicos. Em Salvador, está em construção uma estrutura própria para armazenar e fracionar produtos, operações feitas ainda nas unidades paulistas. “Levar produto entamborado para lá sai muito caro”, observou Abreu.

Aliás, ainda este ano deverá ser concluída a integração da Bandeirante com a Brazmo, resultando em uma única razão social com estrutura de armazenamento unificada, hoje dividida entre as unidades de Mauá-SP e Suzano-SP, distantes poucos quilômetros entre si. “Centralizaremos tudo em Mauá, onde temos uma área de 22 mil m² para expansão, que receberá a ampliação dos depósitos e dos tanques”, disse, esperando reduzir custos pela captura de sinergias. A base de Suzano será aproveitada por outras operações do grupo.

A Brenntag, única das grandes distribuidoras de alcance global a atuar no país, obteve um acréscimo de 28% no faturamento dolarizado de 2010, em relação a 2009 (em reais, teve 14% de aumento), por meio de crescimento orgânico e da consolidação de seus negócios tradicionais. “Os resultados da região Nordeste cresceram bem acima da média nacional; as vendas por lá quase dobram a cada ano”, comentou Luciano Foresti, diretor comercial da Brenntag do Brasil.

Revista Química e Derivados, distribuição - Luciano Foresti, diretor comercial da Brenntag do Brasil
Foresti obteve crescimento maior na Região Nordeste

Ele atribuiu o bom desempenho no Nordeste ao fato de ter passado, em 2009, a distribuir em âmbito nacional os produtos de algumas importantes distribuídas, como Dow, Oxiteno, Dow Corning e Rhodia. “Antes disso, não podíamos atuar com essas bandeiras naquela região”, explicou. A companhia montou centros de armazenagem em Simões Filho-BA e Recife-PE, além de reforçar suas equipes comerciais regionais.

Também no Sul a Brenntag alcançou resultados positivos, por ter superado a limitação geográfica para a venda de algumas linhas de produtos. “Há uma clara tendência de as distribuídas buscarem distribuidores de alcance nacional, sem prejuízo dos especialistas, que preservarão seus nichos de mercado”, afirmou Foresti.

A crise de 2008 provocou uma queda de 14% nas vendas mundiais da Brenntag, porém sem afetar seus resultados. Isso permitiu à companhia promover uma oferta pública inicial de ações (IPO) na Bolsa de Frankfurt em 2010, com forte sucesso. Tanto que motivou uma segunda oferta de ações, totalmente subscrita. “Cada ação da companhia passou de 50 euros em março de 2010 para 79 euros em maio de 2011, um ganho excepcional para os investidores”, avaliou.

Essa capitalização permitiu à Brenntag renegociar sua dívida a juros mais baixos e sustentar um ambicioso plano de investimentos globais. “A companhia anunciou que pretende comprar em média quatro distribuidoras por ano nos próximos exercícios, com ênfase na Ásia e na América Latina”, informou o diretor comercial. Na região, estão sendo avaliadas oportunidades no México, Argentina e Brasil, países com forte potencial de crescimento. Aliás, nas últimas duas décadas, a distribuidora internacional foi uma das mais ativas incorporadoras de congêneres locais. Ainda como HCI (depois comprada pela Brenntag), adquiriu a gaúcha Alquímica e a paulista B.Herzog, para mais tarde assumir a tradicional Fenilquímica, só para citar os casos mais importantes.

A filial brasileira investirá US$ 6 milhões para adequar as instalações de Guarulhos-SP às normas globais da Brenntag, além de ampliar a área de estocagem e o parque de tanques, e duplicar a produção de fertilizantes líquidos formulados. “A unidade de Esteio-RS também receberá um pacote de melhorias”, disse Foresti. Com isso, a distribuidora espera obter vendas em 2011 em valor idêntico ou ligeiramente superior ao de 2010 em reais, mas com um crescimento de 10% em dólares. “Os preços internacionais estão subindo”, alertou.

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