Logística, Transporte e Embalagens

Distribuição – Setor se prepara para atender a demanda após a pandemia

Marcelo Fairbanks
17 de agosto de 2020
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    Química e Derivados -

    A distribuição de produtos químicos procura se adaptar às circunstâncias de mercado e se prepara para a recuperação gradual das atividades econômicas em escala mundial. A agilidade e flexibilidade das empresas comerciais permitiram concentrar esforços nos segmentos que se mantiveram ativos, alguns até cresceram, embora isso nem sempre alivie a queda abrupta de demanda de clientes tradicionais, como a fabricação de tintas e vernizes.

    As distribuidoras também aderiram às recomendações internacionais dos órgãos de saúde, colocaram o pessoal administrativo e comercial para trabalhar de casa, adotaram sistemas de higiene e segurança entre os profissionais da área operacional com sucesso. Foram poucos os casos relatados de contaminações de pessoal e não houve interrupção de atividades. Ponto positivo para o setor, que é responsável pelo abastecimento de grande parte dos insumos químicos usados na produção de produtos de higiene, limpeza, medicamentos e outros, todos úteis contra a pandemia de Covid-19.

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    Medrano: transformação digital ganhou velocidade nessa crise

    “O setor está se esforçando para operar da forma mais normal possível, tanto que não houve desabastecimento, apenas alguns casos pontuais de atrasos de embarques de produtos vindos do exterior, causados pela reorganização das frotas de navios”, comentou Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim). A Ásia, especialmente a China, é um grande fornecedor de insumos químicos e foi a primeira região a ser afetada pela pandemia. Como os chineses optaram por um fechamento total da região afetada, houve uma interrupção dos fluxos de mercadorias, causando uma sobrecarga nos portos que se refletiu em todo o mundo.

    Medrano comentou que nunca viveu um momento de crise tão forte e com tal abrangência geográfica em toda a sua vida. “Isso terá reflexo no futuro do setor que deverá se preocupar mais com o relacionamento com seus clientes e com suas relações comerciais”, apontou. Isso pode desencadear uma onda de desconcentração nas fontes de suprimento, buscando produtos de origens diversas, porém com custos semelhantes. “O ideal seria ter produção local e competitiva”, salientou. Considerando a complexidade da cadeia de produção química, mudanças nesse sentido podem demorar vários anos.

    Além da Covid-19, há outros fatores desestabilizadores no mercado global. A começar pelas eleições nos Estados Unidos. Como avaliou Medrano, a pandemia está retardando a campanha eleitoral, com isso os discursos dos candidatos tendem a ficar mais agressivos. No caso de Trump, que tenta a reeleição, foi feita uma opção por atacar a China. “Mas os chineses hoje são líderes em tecnologia, veja o caso da comunicação 5G, e querem assumir um papel tão importante quanto o dos Estados Unidos no mundo, isso tem um impacto forte em toda a economia global”, disse.

    No Brasil, a Covid-19 exige desembolsos governamentais cada vez mais elevados para manter auxílios à população mais carente e às empresas cujos negócios desabaram. “Em menos de dois meses já se gastou tudo o que seria economizado com a reforma da Previdência Social”, comparou. E a doença ainda não está controlada.

    Além disso, o país entrou num clima de instabilidade política muito forte, gerando insegurança para os agentes econômicos. “Essa confusão toda é muito ruim, pois tira a previsibilidade e ainda vai atrasar as reformas tributária e fiscal que são tão necessárias”, lamentou.

    De março a maio, a relação cambial entre dólar e real foi profundamente alterada, como reflexo global da pandemia, passando da faixa de R$ 4,50 para R$ 6,00. No começo de junho houve uma acomodação, e o dólar recuou para R$ 5,50, porém com forte instabilidade. “Variações cambiais abruptas são muito prejudiciais à distribuição, mas por enquanto não provocaram inflação porque a demanda está muito contida”, salientou.

    Como comentou, a atividade comercial química aprendeu desde o Plano Real a trabalhar com preços indexados ao dólar, construindo uma parte de seu hedge com estoques de importados. “O problema é que não está sendo possível repassar a variação cambial em todos os casos porque faltam compradores”, avaliou. A pressão sobre o caixa das companhias aumentou e exige atenção constante, como ressaltou o dirigente. “É preciso encontrar um equilíbrio, não se pode ficar sem produto para entregar”, comentou.

    Um ponto positivo para o setor, segundo o presidente da Associquim, é que as distribuidoras brasileiras apresentam elevada solidez financeira, fruto de anos e anos de depuração. Mas podem aparecer problemas, caso a pandemia perdure por muitos meses.



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