Distribuição – Resistência à crise mundial atesta a maturidade do setor e prenuncia consolidações

Química e Derivados, Carlos Fernando de Abreu, Gestor da área de distribuição química, Distribuição - Resistência à crise mundial atesta a maturidade do setor e prenuncia consolidações
Abreu: distribuição nacional vive um paradoxo

Além disso, a Carbono inaugurou em fevereiro sua primeira linha para envasamento de solventes e tíneres para terceiros. Com capacidade para 500 m³/mês, está ocupada mediante contrato de longo prazo com um só cliente de grande porte, interessado em oferecer marca própria de solventes. Nesse caso, a Carbono montou uma parceria com o cliente, formulando os blends necessários com planilha aberta de custos. “Caso eles tenham preços melhores de ingredientes que os nossos, eles podem fornecê-los”, explicou.

O bom resultado incentivou a distribuidora a construir a segunda linha de envasamento, também para embalagens de 900 ml a 5 litros (fornecidas pelos interessados), que ficará pronta ainda no mês de maio. “A legislação acabou tirando do mercado de solventes as latas de 18 litros, favorecendo os tamanhos menores”, comentou. A Carbono não pretende lançar sua marca própria de tíneres, evitando concorrer com seus clientes.

A Makeni perdeu 20% no faturamento dolarizado durante 2009, ou 25% em reais, porém manteve sua rentabilidade. “Cortamos custos e reajustamos nossas operações logísticas para obter margem bruta entre 15% e 18%, e líquida perto de 6%”, informou o diretor-comercial Reinaldo Medrano. Apesar do clima de incerteza permanente, os resultados foram considerados aceitáveis, evidenciando que o setor de distribuição está maduro a ponto de superar crises.

Química e Derivados, Rodrigo Gabriel, Diretor de desenvolvimento de negócios da Carbono Química, Distribuição - Resistência à crise mundial atesta a maturidade do setor e prenuncia consolidações
Gabriel: diversificação de atividades ajuda a crescer

No entanto, Reinaldo ressaltou a rapidez da distribuidora para se ajustar à crise, inclusive com corte de pessoal e despesas de marketing. “Quanto mais rápida a reação, melhor para a empresa; não se deve adiar o que precisa ser feito”, recomendou. Segundo informou, a distribuidora está recontratando em ritmo adequado ao crescimento de mercado.

Ele espera que 2010 apresente melhora sensível em relação a 2009, porém sem grandes motivos para uma euforia. O primeiro trimestre do ano teve vendas normais, e o segundo até agora vai bem. “A copa do mundo acaba tirando o foco dos negócios e as vendas sempre caem um pouco, mas o setor sempre vende melhor no segundo semestre”, avaliou.

Observando o aumento da renda da população nacional das classes C e D, com reflexos fortemente positivos nas vendas de produtos de higiene, nutrição e construção civil, a Makeni envidou esforços para montar um portfólio com participação crescente de especialidades voltadas para esses segmentos, além de um leque de commodities compatíveis. Com isso, a empresa quer passar de uma composição de 65% commodities e 35% especialidades, para uma situação de paridade entre esses grupos em um prazo inferior a três anos.

“Nossa meta é ter em estoque os produtos que estejam em falta em todo o mundo”, enfatizou Silvio Mosseri, diretor-comercial da Agroquímica Maringá. Ele recomenda a máxima atenção na compra dos produtos, mantendo uma visão estratégica dos movimentos globais, porque os preços de venda acabam sendo nivelados pela concorrência. “Não adianta comprar quando o produto já está escasso, vai ficar mais caro e com baixo retorno”, explicou.

Química e Derivados, Reinaldo Medrano, Diretor-comercial da Makeni, Distribuição - Resistência à crise mundial atesta a maturidade do setor e prenuncia consolidações
Reinaldo: portfólio reforçado com parcerias

Mesmo com toda a cautela, a Maringá teve queda de faturamento de 15% em 2009, embora tenha movimentado 15% a mais em volume. Mas a rentabilidade líquida das operações foi mantida entre 10% e 12%. Mosseri informou que cerca de 40% do valor de vendas da distribuidora é obtido com os segmentos farmacêutico e de cosméticos, com ênfase nas especialidades. A indústria de tintas absorve entre 15% e 20% do faturamento, enquanto um conjunto formado por metalurgia, indústria química e indústria automobilística responde por 20% das vendas, com o restante dos negócios pulverizado em outros ramos.

Embora importe produtos de várias origens, a Maringá considera fundamental contar com parcerias com produtores locais. “Temos quatrocentos itens da Oxiteno que não sofrem com variações cambiais, com atrasos nos navios e nos portos, em condições melhores de negociação e de suprimento aos clientes”, salientou Jacques Mosseri, presidente da distribuidora que também atua com os produtos da Dow e com o dióxido de titânio da Huntsman, um contrato recente.

Nome tradicional da distribuição química nacional, Jacques Mosseri identifica uma profunda mudança de relacionamento entre fabricantes e distribuidores. “Tanto nossos fornecedores quanto nossos clientes estão ficando muito grandes, e os distribuidores podem ficar grandes também, mas isso dá lucro?”, indagou. “Queremos crescer, mas sem o sacrifício das margens.”

Em fase de crescimento, a M.Cassab conseguiu obter em 2009 resultados superiores aos de 2008. “Além de olhar para a rentabilidade da operação, mantivemos a busca por novos mercados e clientes, viabilizando novos negócios”, afirmou Paulo Amorim, diretor da unidade química da empresa. Para 2010, considerando as positivas premissas macroeconômicas, ele se revela otimista quanto aos resultados da estratégia adotada, de crescimento sustentável.

Entre as novas oportunidades de negócios, Amorim cita um projeto de solventes ecológicos em parceria com a Eastman para substituir os aromáticos em tintas e vernizes. Da Perstorp, importante fornecedora de isocianatos, surgiram novos coalescentes para a produção de tintas. Esse mercado também contará com isocianatos alifáticos para sistemas de base aquosa, igualmente indicados para a indústria do couro. Os transformadores de PVC também receberão da distribuidora as especialidades produzidas pela Lanxess e DuPont. “Continuamos a consolidar novas parcerias e a incorporar novos produtos para aumentar a participação no mercado de forma orgânica, mas sem descartar aquisições”, afirmou Amorim.

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