Distribuição – Resistência à crise mundial atesta a maturidade do setor e prenuncia consolidações

Química e Derivados, Rubens Medrano, Presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos(Associquim) e também presidente da Makeni Chemicals, Distribuição - Resistência à crise mundial atesta a maturidade do setor e prenuncia consolidações
Medrano: distribuição ajustou seus custos e manteve margens

Surpresa nos resultados – Os distribuidores entrevistados qualificaram 2009 como um ano difícil, porém com boa rentabilidade. Todos registraram faturamento menor em relação a 2008, talvez o melhor ano da história do setor. Como a queda dos preços dos produtos químicos foi drástica, eles precisaram movimentar volumes muito maiores de mercadorias para tentar, sem sucesso, manter o nível de vendas. Porém, na maioria dos casos, isso foi feito sem prejudicar as margens de lucro.

A maior distribuidora química nacional, a quantiQ, pertencente à Braskem, registrou queda de faturamento de R$ 800 milhões, em 2008, para R$ 685 milhões em 2009. “Essa redução se deve à transferência dos negócios com resinas termoplásticas para a recém-criada Variant, também do grupo”, explicou o diretor-presidente Fernando Rafael Abrantes. Segundo ele, computados apenas os produtos químicos, a quantiQ teve queda de faturamento de 10%, com aumento de volumes negociados de 15%, porém com preços em média 20% mais baixos que no ano anterior. “Considerando apenas os químicos, tivemos um resultado líquido 130% superior ao de 2008, em parte devido ao efeito da variação cambial sobre os estoques”, explicou.

A Brenntag, maior distribuidora mundial, conseguiu manter faturamento líquido no Brasil de US$ 176 milhões, próximo ao de 2008, porém com alta de 8% em reais. O Ebitda (lucros antes de impostos, juros e dívidas) cresceu 15%, para um volume movimentado 20% superior. “Conseguimos um aumento na margem bruta, sem precisar de ajustes dramáticos de custos”, comentou Luciano Foresti, diretor-comercial da Brenntag no Brasil. A empresa já fizera antes uma reorganização, ao assumir a Fenilquímica. “Estamos ampliando nossa presença no Nordeste e em outras regiões, além de reforçar nosso portfólio de especialidades, iniciativas que demandam pessoal qualificado.”

Em âmbito global, a Brenntag perdeu 14% de seu faturamento, embora tenha mantido estável o Ebitda. Além disso, a companhia realizou no final de março uma oferta inicial pública de ações (IPO, na sigla em inglês), por um preço médio de 50 euros por ação, bastante satisfatório. “Isso nos trouxe mais ou menos US$ 1 bilhão para apoiar a reestruturação financeira e novas aquisições”, salientou Foresti. A primeira providência será trocar a dívida antiga, contratada a juros elevados, por empréstimos novos, menos onerosos. A aquisição de rivais é prática usual na Brenntag, cujo foco atual mira a Ásia e a América Latina, regiões em fase de forte crescimento.

Química e Derivados, Fernando Rafael Abrantes, Diretor-presidente da quantiQ, Distribuição - Resistência à crise mundial atesta a maturidade do setor e prenuncia consolidações
Abrantes: pesquisa indicará o grau de satisfação dos clientes

“Apresentaremos propostas de investimento para a matriz, mas precisamos oferecer taxas de retorno melhores que as disponíveis em outros países”, considerou o diretor-comercial. Para ele, os resultados operacionais da filial brasileira são muito bons, superiores à média do mercado, com Ebitda entre 6% e 6,5%.

A Bandeirante Brazmo obteve um faturamento de R$ 420 milhões em 2009, cerca de 10% inferior ao de 2008. “Em 2009, o mercado só funcionou bem no segundo semestre, quando nós fizemos uma arrumação do nosso negócio, com novo modelo de gestão”, explicou Carlos Fernando de Abreu, gestor da área de distribuição química. Em 2008, estava em curso um projeto de organização do grupo Gusmão dos Santos pelo qual todas as atividades com produtos químicos seriam comandadas pela Bandeirante Brazmo. “Não deu certo porque as necessidades e as margens de contribuição das fábricas são muito diferentes das da distribuição”, comentou.

Como explicou, ainda não foi concluído o processo de fusão entre a Bandeirante e a Brazmo, que continuam sendo duas distribuidoras com gestão unificada. “Esperamos resolver as pendências ainda existentes para unificar as empresas ainda em 2010”, afirmou Abreu. A distribuidora terá um superintendente que comandará gerentes para cada negócio, com autonomia para tomada de decisões.

Essa divisão se justifica pelo fato de as especialidades exigirem um tratamento diferenciado do das commodities. “Quem quiser atuar com especialidades e commodities com a mesma cabeça vai prejudicar os dois negócios”, explicou. Ele desaconselha considerar uma família como alavanca para incrementar as vendas da outra, uma justificativa comum para aviltar preços ou reduzir margens de lucro. Além disso, a composição do mix de produtos não deve ser feita para toda a empresa, mas por áreas de negócios, respeitando suas características.

Química e Derivados, Luciano Foresti, Diretor-comercial da Brenntag no Brasil, Distribuição - Resistência à crise mundial atesta a maturidade do setor e prenuncia consolidações
Foresti: IPO bem-sucedido dá fôlego para aquisições

Para 2010, a distribuidora espera crescer perto de 6% em vendas, aproveitando a pujança de segmentos como construção civil, tintas, adesivos, cosméticos, farmacêutico e agroquímico. Atualmente, 45% das vendas estão ligadas a coatings e adesivos, de 30% a 35% com domissanitários, saneantes e auxiliares têxteis, e de 5% a 7% com cosméticos, este ramo atendido por uma unidade de negócios específica. “Estamos ampliando nosso portfólio de especialidades para este segmento”, disse Abreu.

Ao mesmo tempo, a distribuidora olha com lupa toda a sua carteira de itens oferecidos ao mercado. Segundo Abreu, a Bandeirante Brazmo pretende descontinuar operações com produtos nos quais não tenha papel relevante nem para o fabricante nem para o cliente. “Cerca de 10% dos nossos códigos de produtos podem ser cortados sem influenciar os resultados”, calculou. Isso libera espaço de armazenagem e esforço de vendas para atuar em linhas mais relevantes.

A Carbono Química também registrou uma queda de vendas em 2009, depois de ter ultrapassado a marca dos US$ 100 milhões em 2008. “Vamos voltar a esse patamar em 2010, que está apresentando um crescimento consistente de mercado, com preços em forte recuperação”, afirmou Rodrigo Gabriel, diretor de desenvolvimento de negócios da distribuidora, que também investe na diversificação de atividades. Isso inclui a produção de derivados oleoquímicos em parceria com uma subsidiária do grupo Bertin, que proporcionará um acréscimo na disponibilidade de secantes da ordem de 15% apenas neste ano.

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