Química

Distribuição – Setor demonstra alta capacidade de adaptação e consegue ampliar vendas

Marcelo Fairbanks
27 de maio de 2013
    -(reset)+

    “O problema é: qual a rentabilidade?”, ponderou Chamma. Segundo avaliou, o mercado de distribuição é altamente concorrencial e quase todos os players diversificaram seus portfólios de forma muito parecida. “Precisamos acertar todas as operações, questionando o tempo todo os custos, margens, eficiência e até o mix oferecido”, comentou. “Quem conseguir responder melhor às necessidades dos clientes garantirá os resultados.”

    Depois do primeiro trimestre, com o pífio resultado de evolução do PIB, indicando que o crescimento da economia nacional para 2013 dificilmente chegará aos 3,5% prognosticados pelo governo federal, a distribuidora resolveu retardar seu plano de investimentos. “O mercado está fraco, exigindo formar caixa, e não se sabe como se comportarão nossos clientes industriais. Vamos esperar pelo menos até junho para ter um quadro mais claro, mas teremos de fazer um novo planejamento”, afirmou.

    Em 2012, a Bandeirante Brazmo obteve crescimento de receita em torno de 10% sobre o ano anterior, porém seu resultado cresceu abaixo disso, evidenciando aumento de custos. A distribuição sempre é muito flexível, e parte para outros segmentos de mercado que ofereçam mais rentabilidade. “Mesmo assim, nosso portfólio de produtos não foi substancialmente alterado”, avaliou Chamma. A agregação de serviços e a otimização das linhas oferecidas, eliminando itens de baixa margem e deixando um pouco de lado os segmentos industriais menos dinâmicos, foram posturas adotadas para evitar problemas. “Medimos o resultado de cada setor atendido e com isso evitamos alocar recursos para os menos rentáveis”, informou.

    Apesar dos incentivos fiscais, ele apontou o setor automotivo como um dos que mais sofreram em 2012. “A produção nacional quase não cresceu e as margens baixaram”, disse. A construção civil prometia resultados excelentes, que não apareceram, segundo o superintendente. Foram bem em 2012 os domissanitários, cosméticos, produtos de higiene pessoal, tintas de impressão e lubrificantes (óleos de corte). “O setor farma foi bem, mas, como somos novos nisso, tínhamos uma referência inicial muito pequena, daqui para frente teremos um termo de comparação”, disse. Nesse caso, seu portfólio é direcionado mais para os ativos e menos para excipientes. Também é preciso salientar que esse mercado é altamente regulado e burocratizado. “O número de licenças é cada vez maior, em todos os ramos da distribuição, atuamos em mais de 30 segmentos de mercado, fora as normas de qualidade ISO 9000 e o Prodir”, salientou.

    Química e Derivados, Eduardo Castro, Morais de Castro, reestruturação interna manteve o balanço no azul

    Castro: reestruturação interna manteve o balanço no azul

    Regional firme – A tradicional distribuidora soteropolitana Morais de Castro, com 53 anos de operação contínua, concluiu um forte programa de reestruturação pessoal e de procedimentos e começa a colher os seus frutos. “As vendas do primeiro trimestre de 2013 já foram 10% melhores que as do mesmo período de 2012, e os resultados, ainda melhores”, comentou o diretor presidente Eduardo Castro. Sua expectativa para o ano é ampliar em mais de 10% o faturamento.

    O empresário classificou o ano passado como ruim para os negócios, porém garante ter obtido resultado final positivo, sem precisar recorrer aos bancos para quitar despesas. “Estamos nos adaptando aos novos tempos, adquirindo novas capacitações para reforçarmos nossa atuação em química fina e especialidades”, afirmou. A Morais de Castro está concluindo investimento em uma sala branca, aprovada pela Anvisa, para fracionar insumos destinados aos setores de farmacêuticos, cosméticos e alimentos.

    “Isso não quer dizer que deixaremos as commodities de lado, mas vamos equilibrar melhor nosso mix”, salientou Eduardo Castro. Ele atestou a sofisticação do mercado químico regional, que recebeu empresas de porte e diversificadas, desde montadoras de veículos a químicos diversos. No entanto, o crescimento econômico regional trouxe concorrentes, exigindo ser mais seletivo com custos e margens.

    Dadas as circunstâncias, a distribuidora ampliou o peso dos produtos importados, que já respondem por 15% do seu faturamento, que também conta com outros 15% de revenda e o restante (70%) segue com os contratos de distribuição usuais. “Ganhamos parte da operação de soda e cloro da Braskem e importamos barrilha da Inglaterra para suprir a demanda”, informou. Segundo afirmou, a importação química só não é maior pela falta de estrutura de armazenamento nos portos regionais, a exceção de Suape-PE.

    A Morais de Castro investe R$ 2 milhões para montar a sala branca e renovar sua frota própria de veículos, adequando-se às exigências do mercado. “Caminhão com mais de cinco anos nem entra nas bases mais qualificadas”, comentou. Parcela significativa das movimentações de carga é realizada pela frota própria, segundo informou.

    O ponto mais relevante, destacado pelo empresário, foi a reestruturação interna, comandada pelos seus filhos, a terceira geração da família a cuidar do negócio. “A Fundação Dom Cabral elaborou um plano de excelência para aprimoramento do pessoal, apontando metas para cada um e para o negócio todo, com mensuração constante e atribuição de prêmios”, apontou. Além disso, a empresa se tornou mais seletiva quanto aos produtos, dando prioridade aos mais rentáveis.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *