Química

Distribuição – Setor demonstra alta capacidade de adaptação e consegue ampliar vendas

Marcelo Fairbanks
27 de maio de 2013
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    Em boa parte, esse avanço no faturamento se explica pelas aquisições realizadas desde meados de 2011, casos do grupo asiático Zhong Yung, do australiano ISM/Salkat, e do europeu Multisol. No fim de 2012, a megadistribuidora global comprou a argentina Delanta, para reforçar sua posição naquele país, mas os efeitos do negócio só devem aparecer no próximo balanço. “Já tínhamos uma posição forte no Chile e a Delanta nos oferece a possibilidade de participar com mais força no mercado de tintas da Argentina, entre outras oportunidades no Chile e no Uruguai”, avaliou Foresti. Essa aquisição teve custo próximo de US$ 25 milhões.

    A política de aquisições permanece ativa em 2013. Em janeiro, a Brenntag comprou a Altivia, fabricante de floculantes (de alumínio e de sulfato de ferro), formuladora e distribuidora de produtos químicos especializada em tratamento de água, com sede no Texas (EUA), por US$ 125 milhões. Trata-se de empresa com faturamento anual de US$ 83 milhões e Ebitda de US$ 13,5 milhões, sendo que o valor acertado inclui a propriedade de 40 acres de terreno. Em março, foi a vez da também texana Lubrication Services (LSi) ser absorvida por US$ 42 milhões, empresa com faturamento de 135 milhões e Ebitda de US$ 7,5 milhões.

    Os resultados da atividade no Brasil foram fracos. “Em dólares, ficamos ligeiramente abaixo do faturamento de 2011, pois nossos clientes industriais encolheram, mas os impostos cresceram”, explicou Foresti. Ele comentou que a política de aquisições da Brenntag não se baliza apenas por aspectos circunstanciais dos vários mercados de atuação, mas estuda criteriosamente as oportunidades que encontra e os mercados a elas relacionados. “A companhia é muito ativa em crescimento por aquisições, mas o Brasil não se enquadra nos parâmetros internos, especialmente quanto ao preço desejado pelos empresários locais”, disse. E o desempenho regional não é muito animador. “A América Latina apresentou índices de resultados operacionais sobre vendas inferiores à média mundial da companhia”, informou. A expectativa era a de obter maiores ganhos nos países emergentes, mas isso não se confirmou.

    “De forma geral, as margens que obtemos aqui no Brasil são inferiores às realizadas nas demais regiões, porque as despesas daqui são iguais ou superiores, especialmente em telecomunicações, transportes, viagens de vendedores e salários”, explicou Foresti. Isso indica a necessidade de reformas estruturais no país, acompanhadas por um aumento da produção química nacional. “Enfrentamos forte concorrência de importados, mas preferimos manter os acordos com produtores locais”, salientou.

    Nesse quadro, a distribuidora prefere adquirir congêneres com operações complementares em outras regiões do planeta. “A distribuição química no Brasil é rentável, pouco, mas é; e precisamos virar esse jogo”, comentou.

    Para 2013, a Brenntag fará alguns investimentos para aprimorar a estrutura operacional, como a pequena expansão da tancagem da unidade de Guarulhos-SP, que também receberá algumas reformas. A área de prestação de serviços prossegue o trabalho iniciado há dez anos para solubilização de nitrocelulose em etanol, para a Nitroquímica, que recebeu investimento para reforçar a área de segurança. Também a manipulação de aditivos para combustíveis para a Raízen começou a ser feita no final de 2012. “Os serviços representam uma fatia pequena do faturamento, mas são importantes pela aproximação com os clientes”, considerou.

    As metas propostas para o Brasil exigirão esforços do pessoal local. “Queremos superar os resultados de 2012, não só aqui, mas em toda a América Latina”, informou. A produção de tintas e vernizes, seu principal segmento de atuação, foi reforçada com dispersões especiais de poliuretano, fornecidas pela Witcobond (ex-Chemtura), e de agentes redutores para aprimorar a polimerização de resinas acrílicas, fornecidos pela Brüggemann Chemical. Foresti explicou que estes agentes são mais eficientes para a completa polimerização que o tradicional formaldeído de sódio sulfoxilado (SFS), com a vantagem de não gerar formaldeído residual.

    Além disso, a unidade brasileira conta com especialidades da Lonza para crescer no seu segundo mercado-alvo: a produção de cosméticos e domissanitários. “Temos um pacote forte de commodities para aproveitar essas especialidades”, completou Foresti. Para ele, a redução da pobreza e a melhor distribuição de renda no país devem manter elevados os níveis de consumo local, animando a produção industrial brasileira.

    Concorrência forte – A Bandeirante Brazmo espera ampliar seus negócios com a indústria de transformação nacional, seguindo o planejamento traçado no final de 2012. “O primeiro trimestre frustrou as expectativas, mas esperamos atingir as metas estipuladas nos demais períodos, mas não sei se conseguiremos compensar esse início fraco de ano”, comentou João Miguel Chamma. A distribuidora prevê melhor desempenho dos setores ligados aos cosméticos, domissanitários, adesivos e farmacêuticos, segmentos relativamente novos no seu portfólio. “Esses segmentos devem conquistar uma fatia maior no mix de vendas”, afirmou. Ele conta com o EDTA (ácido etilenodiamino tetra-acético) da Akzo para oferecer desempenho superior aos produtores de domissanitários e alguns químicos industriais que usam quelantes.

    A indústria de tintas, maior segmento consumidor dos produtos da distribuidora, é um campo considerado maduro, mas que deve apresentar crescimento de negócios mediante a incorporação de especialidades.



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