Química

Distribuição – Setor demonstra alta capacidade de adaptação e consegue ampliar vendas

Marcelo Fairbanks
27 de maio de 2013
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    Abrantes lamenta que o país não desenvolva uma visão de futuro. “Seremos o maior produtor do mundo de proteína animal e de produtos vegetais, mas não temos infraestrutura de transportes minimamente adequada”, criticou. Dessa forma, pouco adianta baixar as taxas internas de juros para estimular o consumo. “Para quem tem acesso ao mercado externo, isso não significa nada, além disso, os juros não ficaram tão bons assim na ponta do consumo, embora o volume disponível de crédito tenha crescido”, avaliou. Ele acredita que esse estímulo ao consumo tem fôlego curto para incentivar o desenvolvimento nacional.

    No horizonte estratégico, ele aponta a área de tecnologia animal como fundamental. “Temos uma produção de aves muito forte, suínos em rápida expansão e vamos ganhar espaço nos bovinos, isso tudo pede ingredientes para rações, um mercado muito interessante e ‘tecnificado’”, avaliou, ressaltando que a M. Cassab possui forte presença no segmento.

    Na área farmacêutica, outro ponto forte do grupo, a adoção dos genéricos impulsionou a fabricação local de remédios, estimulando o crescimento das vendas de insumos. A nutrição humana também terá forte crescimento com o desenvolvimento de ingredientes funcionais e suplementos. A área de cosméticos terá bom futuro, contudo seus índices de crescimento tendem a ficar menores, ainda que aplicados a uma base de negócios mais ampla.

    A divisão química, segundo Abrantes, tem espaço para crescer rapidamente, contando com posições bem estabelecidas e potencial de agregação de negócios, especialmente por contar com ampla sinergia entre as unidades de negócios de tintas, resinas, adesivos e construção civil; poliuretanos, óleos e lubrificantes; plásticos e borrachas; e química diversificada. As duas primeiras são as maiores em vendas.

    Em poliuretano, a M. Cassab reforçou a parceria com a Perstorp, que lhe fornece os isocianatos, além de instalar um laboratório específico para desenvolvimento de aplicações, mediante investimento de R$ 700 mil. Esse laboratório será, mais tarde, transferido para o CD de Cajamar. Em tintas, prepara-se para reforçar a linha de solventes oxigenados que conta com acetona, álcool isopropílico, acetato de butila e outros itens, com destaque para os suprimentos vindos da Carboclor, da Argentina. Abrantes não descarta iniciar operações com solventes hidrocarbônicos no futuro.

    O mix de produtos da divisão é composto majoritariamente por itens de fabricação nacional, embora conte com suprimentos de várias origens. “As tarifas protetivas que foram instituídas para químicos no Brasil são saudáveis, desde que não passem de um nível adequado, sem encarecer demais a cadeia produtiva nem comprometer o abastecimento. Até agora não encontramos problemas”, afirmou.

    Ele ressaltou que o mercado mundial está menos propenso a reduzir preços. “No ano passado, os preços dos químicos subiram no segundo trimestre e se mantiveram durante o ano, embora cada divisão tenha percebido variações específicas; em 2013, os preços devem ficar estáveis, dependendo da reação da demanda global”, avaliou. Ele comentou que os fornecedores asiáticos encurtaram os prazos de pagamento, pressionando o capital de giro dos compradores. Enquanto isso, os Estados Unidos recuperam terreno na petroquímica e podem voltar a ser uma importante fonte de suprimentos. “A distribuição vive de margem, precisamos ter um olho na compra e outro na venda e verificar onde é mais competitiva”, comentou.

    Abrantes defende um modelo de negócio que começa com o alinhamento dos interesses do distribuidor com o produtor dos insumos. Uma vez conseguido um acordo quanto aos objetivos estratégicos, é a vez de formar novos alinhamentos entre distribuidor e clientes. Dessa forma, há um equilíbrio entre os objetivos das pontas da cadeia.

    A atuação internacional, por enquanto, conta com uma filial na Argentina, que faturou US$ 15 milhões em 2012, com foco na área de tecnologia animal, mas está em fase de ampliação de portfólio. “Eles têm muitas oportunidades no setor de óleo e gás, que está muito ativo e é diversificado”, comentou. A filial chinesa, estabelecida para prospecção de novos suprimentos, já começou também a vender produtos, melhorando sua performance financeira.

    Para 2013, o executivo espera obter crescimento apoiado em três pilares. O avanço orgânico dos negócios existentes poderá proporcionar 4% de ampliação. Além disso, a melhoria da produtividade, ou seja, ampliar a base de clientes, e a incorporação de novos produtos (como suplementos nutricionais) completam o quadro.

    Em 2012, a M. Cassab viu seu faturamento em dólares encolher cerca de 4%, embora os resultados em moeda nacional tenham apontado um crescimento de 14%. Esse desempenho acompanhou a média do setor.

    Contraste de resultados – Maior distribuidora química mundial, a Brenntag permite fazer comparações interessantes entre o desempenho da atividade no Brasil e no exterior. “Tivemos resultados espetaculares em âmbito mundial, mas o desempenho no Brasil foi fraco”, considerou Luciano Foresti. O faturamento consolidado chegou a € 9,6 bilhões, 11,6% superior ao de 2011, com lucro bruto de € 1,9 bilhão, 8,9% melhor que no ano anterior.



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