Química

Distribuição – Setor demonstra alta capacidade de adaptação e consegue ampliar vendas

Marcelo Fairbanks
27 de maio de 2013
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    Chamma aponta um complicador: praticamente todas as distribuidoras adotaram sistemas informatizados de controle gerencial, incluindo a emissão das notas fiscais das mercadorias. Como a regra mudou, mas ainda é incerta em muitas operações, torna-se impossível atualizar o sistema. “Precisamos manter uma equipe em alerta para fazer as modificações necessárias no programa; e isso também tem um custo.”

    Química e Derivados, João Miguel Thomé Chamma, Bandeirante Brazmo, número de licenças e certificações exigidas é alto

    Chamma: número de licenças e certificações exigidas é alto

    Foresti confirma a dificuldade. “Não sabemos se o ICMS sobre importados ficará em 12%, 17% ou 18%, e isso poderá gerar créditos tributários para nós, de difícil recuperação”, comentou. Ele espera que o impacto dessa fase de transição venha à tona daqui a alguns meses.

    Medrano considera preocupante o acúmulo de créditos de ICMS em poder dos distribuidores. “O governo do estado de São Paulo, pelo menos, tem se mostrado receptivo aos nossos apelos e quer evitar que os importadores fiquem com esses créditos na mão”, afirmou. A entidade setorial tem conversado com as autoridades estaduais sobre esse problema. Ele também considera que a extinção das vantagens fiscais pode trazer de volta ao porto de Santos várias operações com produtos químicos, sobrecarregando-o. “Está nos jornais que o acesso ao porto de Santos é terrível durante a safra de soja, isso prejudica também a movimentação de outros produtos”, explicou.

    Resultados variados – A diversificação de negócios permite atravessar momentos de instabilidade, como o atual, sem grandes sobressaltos. Esse caminho é apontado por Annik Varela, diretora do negócio de químicos da quantiQ, maior distribuidora do país (sem contar a BR, braço comercial da Petrobras, com forte participação em combustíveis), com receita líquida de R$ 898 milhões em 2012 e lucro líquido de R$ 31 milhões.

    Embora a distribuidora esteja investindo para ampliar sua posição nas life sciences (farmacêuticos, cosméticos, domissanitários, alimentos etc.), a venda dos produtos químicos ainda responde por quase 90% das vendas totais da distribuidora. A própria divisão de químicos está subdividida em quatro unidades de negócios: tintas, adesivos, resinas e construção civil; borracha, agroindústria e indústria química; lubrificantes e óleos de transformação; e área de atuação regional, esta com representação ampla das equipes das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

    “Tivemos elevação no volume comercializado em 2012, com aumento não proporcional de receita. Além disso, os preços internacionais subiram, forçando-nos, em casos específicos, a buscar novas fontes de suprimento”, comentou Annik.

    Química e Derivados, Annik Varela, quantiQ, diversificação de negócios conseguiu gerar bons resultados

    Annik: diversificação de negócios conseguiu gerar bons resultados

    Na sua avaliação, 2012 foi um ano atípico, influenciado por vários motivos, como a parada da Refinaria Presidente Bernardes, de Cubatão-SP, que mudou um pouco o mix de produtos oferecidos. “Registramos um aumento pequeno em tintas e vernizes, os produtos para a atividade agropecuária foram muito bem demandados, bem como os produtos para life sciences. Mas não se verificou aumento significativo de negócios no segundo semestre de 2012, como era esperado”, afirmou.

    Um bom negócio desenvolvido no ano passado foi a venda de auxiliares e solventes para extração de óleos vegetais. Usualmente, essa aplicação é desempenhada pelo hexano linear, fornecido pela RPBC, que teve parada prolongada. “A Braskem também fornece um hexano linear para essa finalidade, que teve boa colocação”, explicou Annik. A venda do ciclohexano para desidratação de álcool teve um ano fraco em 2012, refletindo as dificuldades desse setor. “Neste ano, as expectativas para a venda de álcool anidro estão melhores e essa demanda começará a aparecer entre março e abril, com o início da safra de cana”, afirmou. Até mesmo a produção de agroquímicos trouxe bons reflexos para as vendas da quantiQ, que disponibiliza solventes especiais e óleo branco para essas aplicações.

    O mesmo não se dá com o biodiesel, embora a produção nacional seja crescente e tenha previsão de antecipação do aumento da sua proporção na mistura com o óleo diesel para 7% (etapa B7). “Esse mercado consome muito metanol e metilato de sódio (catalisador), mas como os produtores de biodiesel são logo identificados durante os leilões oficiais, os fabricantes fazem a venda direta para eles”, considerou.



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