Logística, Transporte e Embalagens

Distribuição – Política conservadora de estoques permitiu atender a demanda

Marcelo Fairbanks
28 de julho de 2020
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    Química e Derivados -

    Química e Derivados perguntou a Gustavo Levy Dosualdo, diretor de distribuição da MCassab, como a companhia se adaptou à pandemia da Convid-19 e qual foi a reação dos mercados atendidos. Veja as respostas abaixo:

    QD:Como a pandemia afetou o negócio de distribuição química?

    Química e Derivados -

    Gustavo Levy Dosualdo, da MCassab ©QD Foto: Divulgação

    Gustavo Levy Dosualdo: Tivemos um início de ano extremamente positivo. O mercado em geral vinha em um bom nível de demanda e com perspectiva bastante positiva. Devido à paralisação de grande parte da economia, a demanda da maior parte dos mercados foi afetada. Alguns até foram beneficiados em um primeiro momento, mas ainda assim o resultado total deste período de isolamento é realmente de uma forte diminuição da demanda por matérias-primas industriais como um todo. Mercados ligados às indústrias automotiva e de construção civil foram mais fortemente afetados, mas sentimos também forte impacto em mercados normalmente mais resilientes a crises econômicas, como o de personal care e o de alimentos e bebidas, especialmente os mais relacionados à alimentação fora do lar.

    QD: Quais mercados estão sendo mais resistentes à crise e quais mercados tenderão a se recuperar melhor, assim que afrouxados os sistemas de isolamento social?

    GLD: Os mercados Farma e Agro estão bastante resilientes. Não identificamos mudança nesses dois setores, em especifico Acreditamos que a recuperação dos demais mercados ainda dependerá muito de como será o comportamento do desemprego e da confiança dos consumidores a partir do afrouxamento do isolamento. É possível imaginar uma retomada rápida da demanda a partir do momento em que as pessoas estiverem confiantes para retomada da normalidade. Alguns mercados certamente continuarão impactados por um prazo mais longo, como reflexo das novas relações interpessoais, que continuarão usando mais tecnologia e tenderão a gerar menor nível de contato pessoal. Podemos dizer que setores como tecnologia e comunicações sairão ganhando, e viagens e turismo terão forte impacto negativo mesmo no longo prazo. Mas as mudanças de fato em outras indústrias ainda são muito incertas. Os diversos exercícios de futurologia que temos visto certamente são válidos, mas o real comportamento dos seres humanos em todos os seus aspectos nos próximos meses ou anos é algo imprevisível. Devemos acompanhar o comportamento dos consumidores em meio às mudanças que podem ocorrer.

    QD: Houve mudanças no relacionamento com clientes e fornecedores? Intensificou-se o uso ferramentas de TI?

    GLD: Certamente todos os relacionamentos comerciais foram afetados. Creio que as mudanças mais marcantes tenham sido em relação ao aumento da preocupação com o abastecimento de matérias-primas, as dificuldades de obtenção de linhas de crédito pelos clientes junto ao mercado financeiro (gerando maior demanda pelo financiamento direto com os distribuidores) e a própria forma de comunicação, que migrou de uma hora para outra para algo 100% online, o que acho que funcionou muito bem em algumas áreas, mas demanda ainda um nível grande de adaptação em outras, principalmente naquelas que demandam uma interação maior com o cliente, como testes de produtos em linha de produção, por exemplo.

    QD: As operações logísticas estão sendo realizadas normalmente, tanto no mercado interno, quanto nas importações? Houve algum impacto na política de estoques?

    GLD: A preocupação inicial era com o possível desabastecimento, porém conseguimos amenizar essa preocupação com o tempo, tivemos poucos problemas pontuais no inicio da pandemia devido às saídas da China que foram afetadas, entretanto, nossos estoques de segurança conseguiram solucionar grande parte do problema. Mais recentemente, situação similar com o início do lockdown na Índia, com número ainda menor de produtos impactados. No mercado interno, não chegamos a ter rupturas significativas. Nossa política de estoques sempre procurou ser conservadora para assegurar o abastecimento dos clientes e ficou comprovado o quanto isto é importante para preservar um dos serviços primordiais que os distribuidores oferecem ao mercado, que é a garantia de abastecimento.

    QD: Que medidas foram tomadas dentro da distribuidora para evitar que a doença se alastrasse entre os colaboradores?

    GLD: Contratamos a consultoria do Hospital Sírio-Libanês para nos ajudar com a implementação de protocolos de segurança e temos aplicado todas as medidas de proteção recomendadas, garantindo que a disseminação do vírus seja cada vez menor entre os funcionários. Não há grandes segredos – temos que colocar a saúde de nossos colaboradores em primeiro lugar e garantir-lhes um ambiente que cumpra com todas as recomendações das autoridades sanitárias locais e internacionais para evitar o contágio, mesmo que isso aumente o custo da nossa operação no momento. Mantivemos na operação somente quem realmente não consegue cumprir com as suas atividades em home office, implementamos controles de temperatura dos funcionários na empresa, aumentamos medidas de higiene, mantivemos campanhas de conscientização sobre a importância da higiene pessoal, etiqueta respiratória e distanciamento interpessoal E aplicações de testes regularmente para acompanhar se não há funcionários assintomáticos, entre outras medidas.



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