Distribuição: Gigante Brenntag compra a pioneira Fenilquímica

Depois de um “namoro” de três anos, a Brenntag comprou a Fenilquímica, a primeira distribuidora de produtos químicos do Brasil, fundada e dirigida pelo químico Mário Barilá há 42 anos.

A compra abre caminho para a atuação do segundo maior grupo mundial no ramo no mercado do Sudeste brasileiro, operando com as principais marcas, como Rhodia, Dow, Oxiteno e Peróxidos, além de oferecer um aumento estimado de 25% no faturamento líquido da companhia no País.

A Holland Chemical Industries (HCI), que foi incorporada à alemã Brenntag (do grupo Stinnes) há dois anos, chegou ao Brasil em 1995, comprando a gaúcha Alquímica, maior distribuidora da região Sul.

Um ano depois, adquiriu a B.Herzog, assumindo suas instalações em Guarulhos-SP, mas não pôde operar com as principais distribuídas, por causa de problemas contratuais.

A compra de 100% das ações da Fenilquímica abre caminho para atuar no principal mercado do País, além de preparar o próximo movimento do poderoso grupo internacional, com faturamento total esperado de 4,5 bilhões de euros neste ano: a entrada na região Nordeste.

Gerente-geral da HCI Brasil, denominação local da distribuição química da Brenntag, Marcus Hekma explicou o interesse específico na Fenilquímica.

“O negócio era muito atraente para nós, pois era geograficamente complementar e apresentava muito pouca superposição de clientes em relação ao que já possuíamos”, comentou.

As principais distribuídas da empresa adquirida eram quase as mesmas da Alquímica, porém em outra área de atuação. O fato de serem diferentes os clientes das duas empresas permitirá somar quase que integralmente os faturamentos das duas posições.

Sem revelar números exatos, estima-se que a HCI Brasil já contava com vendas da ordem de US$ 70 milhões por ano. A Fenilquímica agregará outros US$ 25 milhões (líquidos) a esse valor. Para evitar problemas durante a fase de transição de negócios, desde 1º de agosto foram inciados os trabalhos de alinhamento operacional entre as companhias.

“Esperamos concluir essa etapa em 24 meses”, afirmou o diretor comercial da HCI Brasil Luciano Foresti. Foram montados comitês de profissionais das duas empresas nas áreas de administração e finanças; comercial; recursos humanos e comunicação; tecnologia de informação; e operacional.

“Cada grupo terá tarefas para criar estrutura mais forte no Sudeste e dar cobertura nacional, somando o que cada companhia tem de melhor”, explicou.

Nos primeiros meses, as empresas continuarão atuando isoladamente. Aos poucos serão promovidas integrações, de modo a reduzir custos logísticos, comerciais e operacionais.

A HCI está ampliando suas instalações de Guarulhos, tendo inclusive comprado um terreno vizinho e iniciado construções. “Teremos uma só base de operações em cada região”, explicou Foresti.

O negócio com a Fenilquímica não incluiu o prédio nem os equipamentos instalados no bairro paulistano de Santo Amaro. A HCI firmou contrato de aluguel por dois anos dessas instalações com Barilá, tempo suficiente para completar as obras de ampliação.

Nesse período também, segundo Hekma, a companhia desenvolverá intensa campanha para consolidar o nome Brenntag Brasil Ltda., de modo a consolidar todas as marcas com que opera.

Química e Derivados: Distribuição: Hekma - aquisição permite entrar no mercado da região Sudeste.
Hekma – aquisição permite entrar no mercado da região Sudeste.

“Com a compra da Fenilquímica, a Brenntag se tornou o maior distribuidor de algumas companhias no Brasil”, afirmou.

A distribuição de produtos químicos começou o ano com marcha razoável, tendo identificado crescimento de demanda em moeda forte da ordem de 1% a 2% até maio.

“De lá para cá, o mercado ficou meio parado, até com alguma queda, principalmente nos artigos importados”, comentou Foresti. A estratégia atual é de priorizar negócios com itens de fabricação local.

“Passamos por um momento de muita especulação e turbulências, mas deve melhorar após as eleições”, afirmou. A excessiva flutuação cambial põe em polvorosa os distribuidores, pois fechar negócios em momentos desfavoráveis significa sacrificar a lucratividade da companhia.

“As margens estão comprimidas, se a compra for mal feita, o prejuízo é certo.”

Fim de ciclo – O químico Mário Barilá fundou a Fenilquímica em janeiro de 1960, na cidade de São Paulo. A idéia inicial era de fabricar produtos, com tecnologia própria, como fosfatos, acetatos, cloretos, nitratos, sulfatos e formiatos.

Foi pioneira no País na produção de fenoxiacetato de sódio e de cloreto de fenoxipropionila. Com o tempo, ele identificou oportunidades de negócio para a distribuição de produtos, com base em contratos assinados com fabricantes de grande porte.

Em 1971 tornou-se a primeira distribuidora de produtos da Rhodia, ampliando mais tarde o conceito para mais empresas, como Dow, Oxiteno, Rohm and Haas, Fosbrasil, Peróxidos e outras.

Na década de 80, Barilá diversificou atividades, oferecendo blends de solventes, formulados de acordo com as necessidades dos clientes, denominada linha Fenilsolve. Já em 1996, a empresa inovou ao obter certificação oficial na norma ISO 9002, com auditorias semestrais. Mas recentemente, aderiu ao Programa de Distribuição Responsável (Prodir) da Associquim.

Indagado sobre os motivos da venda da empresa que fundou, Barilá, com indisfarçável emoção, disse que “o mundo globalizado exige postura de negócios compatível. Para acompanhar essas novas necessidades dos clientes é que nos aliamos ao grupo Brenntag, de modo a oferecer maior range de produtos, serviços e soluções.”

Química e Derivados: Distribuição: Barilá - venda reflete a globalização de negócios.
Barilá – venda reflete a globalização de negócios.

Mantendo a verve, brincou: “Foi um namoro de três anos, mas o Marcus [Hekma] me cantou muito bem e conseguiu o casamento.”

Segundo ele, os novos controladores também encontrarão uma visão diferente do negócio, desenvolvida durante 54 anos de trabalho ininterrupto, completados no dia 10 de julho de 2002.

“Estou com 74 anos e nunca tirei férias”, disse. “Chegou a hora de passar adiante o bastão de comando.”

Hekma informou tê-lo convidado, e Barilá aceitado, para trabalhar como consultor da diretoria, de modo a transmitir sua cultura empresarial e facilitar a integração. “Já estou batendo o ponto todos os dias”, disse Barilá. O contrato não tem duração predeterminada e pode ser rompido a qualquer tempo por vontade de qualquer uma das partes.

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