Logística, Transporte e Embalagens

Distribuição – Em fase de expansão, setor promove mudanças e recebe novos players

Marcelo Fairbanks
17 de abril de 2012
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    No entanto, a distribuição é forte consumidora de capital de giro e demanda pessoal qualificado para operação, exigindo gestão complexa e diversificada. “Buscamos incentivar a criatividade das equipes”, concluiu.

    Mudança na líder – A quantiQ aguarda a divulgação de seu balanço para apresentar os números referentes a 2011. O presidente Armando Bighetti apenas informa ter havido elevação significativa do faturamento em relação a 2010, quando chegou a R$ 697 milhões, gerando lucros líquidos de R$ 13,9 milhões. “Os números de 2011 tiveram a influência positiva da incorporação dos negócios da Unipar Química durante todo o período, mas haveria incremento mesmo descontando esse fator”, considerou.

    A expectativa para 2012 é de ampliação do volume de vendas em 17%, sem antecipar nada quanto ao faturamento da distribuidora pelo fato de incluir uma parcela significativa de serviços prestados. Bighetti informa que houve um surto de negócios em janeiro, atribuído à recomposição dos estoques dos clientes, porém o primeiro trimestre foi fraco, com possibilidade de recuperação nos meses seguintes. “Precisamos esperar para ver o que vai acontecer com os produtos acabados, produzidos pelos nossos clientes”, comentou.

    A quantiQ investiu tempo e dinheiro no ano passado para colocar em pleno funcionamento o sistema de gestão SAP, o mesmo adotado pela controladora Braskem. Aliás, Bighetti atuou na área de tecnologia de informação da petroquímica, conhecendo bem suas vantagens e problemas. “O SAP é um sistema robusto e confiável, quando bem ajustado libera o pessoal para maior dedicação aos clientes”, afirmou.

    Ele admite que a atividade comercial, por envolver muitos produtos, com preços variáveis e necessidades específicas por mercado – entre elas, a emissão de laudos de qualidade –, além de uma logística mais complexa que a de uma fábrica, geralmente restrita a poucos produtos e em quantidades praticamente constantes, cria várias dificuldades para a informatização das operações. “Problemas nessa área podem atrasar a emissão de notas fiscais ou da docu-mentação de transporte, provocando a insatisfação dos clientes”, explicou. “Já superamos essa fase.”

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    Bighetti: investir em TI nem sempre reduz custos, mas facilita negócios

    Bighetti avalia que as ferramentas de TI devem ser cada vez mais usadas na atividade comercial, porém com cautela. “Nem sempre o uso de TI reduz custos para o distribuidor”, afirmou. Ele citou o caso da telemetria (acompanhamento a distância dos estoques dos clientes), que exige adequação de sistemas, pessoal qualificado, estrutura logística capaz de atender o cliente na hora que ele precisa, além de assumir o risco de falha de suprimento, capaz de parar a produção do cliente, resultando em indenização. “Tudo isso é custo adicional, mas esse processo aumenta a fidelização do cliente e apoia a inovação em negócios”, avaliou, ressaltando que são raros os casos de gestão do estoque dos clientes.

    Da mesma forma, contar com estrutura operacional de alta qualidade pode ser visto como custo ou fonte de receita adicional. “Temos um centro de distribuição em Guarulhos-SP que tem qualidade e segurança comparáveis aos melhores CDs dos Estados Unidos e Europa”, salientou. “Manter esse CD tem um custo, mas ele nos permite gerar serviços como estocagem e reembalagem para clientes”, afirmou.

    O mix de produtos é definido com foco nos clientes e nas distribuídas, gerando benefícios para todos. Com negócios nos segmentos de tintas e vernizes, lubrificantes, farmacêutico, domissanitários (household) e cuidados pessoais, a quantiQ busca crescer pelo fortalecimento de sua participação nesses mercados. Além disso, começa a ingressar em construção civil (aditivos para concreto e argamassas, por exemplo) e em produtos para exploração de petróleo.

    No campo dos solventes, Bighetti considera que o mercado está muito regulamentado, com uma concorrência séria, sem ilicitudes. “Alguns clientes reclamam, mas não sai da nossa base nenhum produto fora das normas oficiais e dos requisitos do Prodir”, garantiu.

    Por distribuição geográfica, embora a Região Sudeste ainda represente entre 50% e 55% das vendas, seguida pela Região Sul, a Nordeste tem apresentado os maiores índices de crescimento de negócios (embora sobre uma base menor), ficando acima de Centro-Oeste e Norte. “A globalização dos negócios acabou com o distribuidor regional, que fica sem massa crítica para absorver todas as exigências dos clientes e fornecedores”, comentou.

    A atuação em escala nacional impõe, segundo Bighetti, contar com bases e CDs localizados próximos dos clientes. E cada instalação com um mix adequado à demanda local. “Avaliamos algumas expansões físicas, mas elas não valiam a pena, por enquanto, pois já temos boa estrutura”, explicou. Para 2012, estão previstos investimentos da ordem de R$ 12 milhões na atualização dos CDs e em operações logísticas.

    Fusão completada – Após cinco anos de trabalhos, a integração total dos negócios das distribuidoras Brazmo e Bandeirante Química foi concluída, permitindo reduzir custos e reforçar negócios. “A fusão foi complexa, pois havia uma grande diferença de cultura entre as distribuidoras. Enquanto a Brazmo, embora operasse com produtos DuPont, tinha uma visão de trader, a Bandeirante era uma distribuidora no sentido exato”, explicou Fabio Rios Haberland, diretor superintendente da Bandeirante Brazmo.



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